Psicologia do Luto

Não sei o que te trouxe para esta página, mas compreendo que existe alguma razão para isso, tendo em vista que nada acontece por acaso em nossas vidas. Dentro do que se refere à Psicologia do Luto, a abrangência envolve abordarmos temas como luto e suicídio, além de falarmos da morte, propriamente dita, um assunto que, em nossa sociedade, é tabu.

No entanto, precisamos falar sobre isso, sobre nossas dores, nossas perdas. Se deixamos de falar a respeito do que não nos faz bem, corremos o risco de não elaborarmos esses sofrimentos, o que pode nos levar a desenvolver sintomas, tais como doenças psíquicas e físicas.

Luto

Dentre algumas definições de luto, podemos citar a que afirma ser um sentimento de tristeza profunda pela morte de alguém. No entanto, para ficar mais claro, pode-se afirmar que o luto compõe um conjunto de sintomas vivenciados por uma pessoa que perdeu um ente querido, com a finalidade de propiciar uma melhor elaboração de sentimentos que não são positivos, que machucam e podem levar, inclusive, à depressão, caso o indivíduo não se permita sentir as emoções decorrentes de suas fases de elaboração.

Fases do luto

As fases do luto foram abordadas de maneiras distintas por diversos autores. Cada uma possui sua peculiaridade e não necessariamente seguem uma ordem. Posso citar dois desses autores, os quais compreendo como sendo os fundamentais para essa temática: Kübler-Ross e Bowlby.

Para Kübler-Ross, as fases do luto são divididas em 5 estágios:
1- Negação e isolamento;
2- Raiva;
3- Barganha;
4- Depressão, tristeza, sentimento de impotência diante da situação;
5- Aceitação.

Para Bowlby, o luto é dividido em 4 fases:
1- Entorpecimento;
2- Anseio;
3- Desorganização e desespero;
4- Reorganização.

Terapia do Luto

A Terapia do Luto dentro da abordagem cognitiva comportamental abrange a utilização de técnicas que auxiliam o indivíduo a lidar melhor com cada fase do luto, dentro do seu tempo, sem apressar nada, podendo ser propostas atividades alternativas ao cliente, para que possa melhor se reorganizar cognitivamente e emocionalmente.

Esse trabalho com acompanhamento profissional pode ser desenvolvido tanto individual quanto em grupo. De maneira individual, é possível trabalhar no setting terapêutico, a partir de um vínculo criado entre terapeuta e cliente, as dores, angústias, tendo por ponto de partida os pensamentos que levam a essas emoções (modelo cognitivo).

Luto patológico

O luto patológico acontece quando o tempo de elaboração da perda se prolonga, levando o indivíduo a desenvolver sintomas mais complexos, como a depressão, por exemplo. Não é regra, mas é uma possibilidade. E, quando a depressão não é cuidada, pode ser prejudicial para o portador, que fica indisposto, cansado, e sem motivação para realizar quaisquer tarefas, por exemplo.

Depressão

A depressão é uma doença bastante banalizada na sociedade, o que leva a milhares de mortes pelo mundo. Isso acontece, principalmente, pela falta de informações a respeito dessa doença, bem como pela negligência no tratamento.

Essa doença não é somente psíquica ou de fundo emocional, ela também é fisiológica. Se não se entende isso, fica difícil a adesão ao tratamento, que não é composto somente por acompanhamento psicológico, como também psiquiátrico, muitas vezes, com a utilização de medicamentos.

Trata-se de um distúrbio afetivo que acompanha a humanidade ao longo de sua história e, caso não seja tratada pode passar por três estágios: leve, moderada e grave.

A pessoa diagnosticada com depressão pode apresentar dois ou mais dos seguintes sintomas: apatia, falta de motivação, medos que antes não existiam, dificuldade de concentração, perda ou aumento de apetite, alto grau de pessimismo, indecisão, insegurança, insônia, falta de vontade de fazer atividades antes prazerosas, sensação de vazio, irritabilidade, raciocínio mais lento, esquecimento, ansiedade, angústia.

Dentre os sintomas físicos estão: dores de barriga, má digestão, azia, constipação, flatulência, tensão na nuca e nos ombros, dores de cabeça, dores no corpo, pressão no peito.

Suicídio

O suicídio é um assunto ainda a ser aprofundado, considerando a dificuldade em se estudar os casos, quando já consumados. Porém, é comum indivíduos suicidas deixarem indícios, ou darem sinais.

Dentro do que se refere à Psicologia do Luto, existe uma relação, não de maneira generalizada, mas muito importante do auge da vivência do luto patológico, quando o indivíduo se encontra depressivo e seu consequente suicídio.

Embora o suicídio e a depressão estejam relacionados, não é regra que uma pessoa depressiva apresente risco de cometer suicídio. Pode-se dizer que a tendência a tirar a própria vida está relacionada a alguns fatores, tais como: a gravidade do quadro depressivo, o uso de álcool e drogas, a idade ou presença de doença terminal acompanhada por desesperança, e a existência de alguns traumas psicológicos.

Se você possui pensamentos suicidas, não hesite em procurar ajuda. Acesse o site do CVV, clicando aqui, e peça ajuda. A dor pode ser trabalhada e aliviada de várias formas. A morte não é uma alternativa. Pense nisso.

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