O Brasileiro do Século
O livro “Roberto Marinho” do autor Pedro Bial, editora Jorge Zahar do ano de 2004, conta de maneira simples e resumida a história de Roberto Marinho, que foi um grande homem segundo caracterizações do próprio autor.
A ideia do livro surgiu depois de passados alguns anos de experiência profissional da vida de Roberto Marinho. Surgiu nele, uma vontade de possuir uma própria biografia escrita. No entanto, teve insucesso quando sugeriu alguns nomes para que se encarregassem da elaboração, tais como: Otto Lara Resende, Evandro Carlos de Andrade e Armando Nogueira; que negaram a participação no trabalho biográfico de Roberto, porém colaboraram com documentários, entrevistas, entre algumas outras pequenas coisas. Tudo isso porque acreditavam que Roberto Marinho era uma pessoa grandiosa, e segundo alguns deles, o trabalho seria de tamanha responsabilidade. Por fim, coube a Pedro Bial escrever esta obra tida por ele como “quase biografia”, porque se trata mais de “um breve perfil de tão extensa vida”.
Segundo Pedro Bial, Roberto Marinho poderia escrever sua autobiografia, mas seria como se ele estivesse prevendo seu próprio fim, o que o incomodava, pois para ele, o tempo era seu inimigo íntimo.
Roberto Marinho, além de possuir uma forte personalidade, era uma pessoa bastante simples, sem o maior dom para a área da comunicação, além de ser baixinho. Era patriota, nacionalista e altamente responsável. E depois de seis anos aprendendo cada etapa de como se fazer um jornal, entrou para “O Globo”.
Aprendeu a arte da liderança praticando a humildade. E segundo o autor, “antes de teimar em ter razão, procurou conhecer as razões”.
O lema de Roberto era: “Mais importante do que vencer é convencer”; e com isso obrigava sua equipe a “agigantar-se”. Adorava a competição. Fazia dela uma motivação e dizia que sem ela era impossível crescer e não teria graça lutar; pois não teria adversários para isso.
Marinho demonstrava, com simples gestos, seu potencial e vencia todos os obstáculos possíveis, sempre de maneira positiva, um exemplo a ser seguido.
Adorava competições esportivas. Para Bial, era uma “forma de ele extravasar”.
Demorou a se casar. Mas casou-se aos quarenta e dois anos de idade e “muito apaixonado por sinal”. “Aproveitou o quanto pôde toda a sua vida de solteiro”, afirmou Pedro.
Era muito vaidoso. Fazia questão de se apresentar dentro de uma boa aparência. Seu único complexo era o seu tamanho, e para vencê-lo, usava sapatos avantajados, a fim de aparentar ser um pouco mais alto.
Tinha domínio. As pessoas viam o poder que possuía através do seu olhar. E apesar de toda essa magnitude, não completou o curso secundário - é um exemplo de dedicação.
Por seu esforço e merecida posição, chegou a dono de jornal com apenas vinte anos de idade, muito jovem. Aos sessenta anos, Roberto começou a TV Globo. E ainda lutou por quatorze anos a fim de conseguir colocar a TV no ar, durante o período do segundo governo de Vargas.
Era um excelente profissional. Não por sua formação, mas por sua força de vontade e dedicação. E como todo bom profissional que atinge um nível elevado, era exigente. Ao mesmo tempo, era humilde, simples e uma pessoa extremamente amiga.
Apesar de toda essa estrutura de personalidade, o autor insiste em chamá-lo de “Doutor”, quando na verdade, essa não é a melhor denominação a ser dada; já que não possui o curso secundário completo.
No entanto, Pedro soube caracterizar bem o perfil de Roberto Marinho, logo nos dois primeiros capítulos. Soube fazer acreditar a diplomacia e dignidade do personagem em questão: o jornalismo sempre foi primordial na vida de Marinho, e ele só venceu porque sempre acreditou em si mesmo e jamais desistiu de lutar, possuindo sempre a vitória como uma meta essencial para sua vida.
Apesar de jornalista, o autor não foi imparcial ao escrever este livro. Elogiou o máximo que pôde o biografado, o levando às alturas, se esquecendo, com isso, das questões clássicas relacionadas ao Jornalismo.
O livro retrata um pouco da vida pessoal do ex-presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho, bem como sua vida profissional, dedicação e barreiras enfrentadas com “dignidade”, conforme a definição do autor.
Em algumas partes do livro, Bial conta que foram precisas 170 horas de gravação para que o trabalho fosse fechado sem deixar rastros de dúvidas ou informações incompletas. Com isso, ele entrevistou 70 personagens que participaram direta ou indiretamente da vida de Roberto, utilizou cerca de 4000 documentos para narrar os 70 anos de vida deste homem que “transformou o jornal O Globo na gigante corporação de comunicação brasileira”.
Com 390 páginas, o livro mostra de forma clara e atraente os aspectos também políticos vividos por Roberto Marinho no século passado chegando até a atualidade, com seus sucessos e desafios.
O livro tem seu início na história do pai de Roberto, Irineo, que foi um grande ídolo de Marinho. Pedro fala sobre a criação do Jornal A Noite e a perda das ações de seu pai, devido a uma traição do sócio.
Bial consegue inserir o leitor no interior da antiga redação do Jornal no Largo da Carioca e mostra o cenário da vida do boêmio e solteiro Roberto Marinho.
Para atingir o sucesso, Roberto Marinho tinha uma excelente bagagem cultural, além de uma Comunicação de mestre. Tinha uma facilidade tremenda em fazer amizades, conquistar as pessoas com seu carisma e potencial para passar por duas fases de ditadura.
O livro vai escancarar, de forma positiva claro, para o leitor, a vida do empresário Roberto Marinho; a marca Roberto Marinho; sua herança e participação ativa na Comunicação brasileira; a fundação da Rede Globo em 1965; a produção de telenovelas com exportação para diversos países, inclusive para a China; suas bases para alcançar o império de mídia que é hoje a Globo, com influência social e política no Brasil.
O biografado sempre defendeu o liberalismo econômico, fazendo alianças estratégicas com os Estados Unidos. Era adversário de diversos políticos, sendo acusado de ser o mentor intelectual da Ditadura Militar e de ser o manipulador da edição do Jornal Nacional depois do debate do segundo turno entre Fernando Collor de Melo e Luis Inácio Lula da Silva, colaborando para a eleição de Collor.
Na época da presidência de Fernando Henrique Cardoso, as Organizações Globo passaram por uma imensa crise que fez com que o nome de Marinho fosse retirado da lista de bilionários da revista Forbes, revista americana que divulga periodicamente o número de bilionários do mundo inteiro.
Roberto Marinho foi casado três vezes mas, só teve quatro filhos com a primeira esposa, Stella Goulart Marinho.
Foi o sétimo ocupante da cadeira 39 da Academia Brasileira de Letras, mesmo sem ter escrito um único livro. Foi eleito em 22 de julho de 1993, sucedendo Otto Lara Resende, o mesmo que escolheu para fazer sua biografia, porém sem aceitação.
Marinho foi considerado como o “Brasileiro do século” em se tratando de comunicação. Apesar de não ter ficado em evidência na mídia durante os longos anos de seu império, era conhecido pela sua marca Roberto Marinho, que ficava evidente ao final das programações e em várias instituições de sua fundação e, mesmo sem formação, foi tido como jornalista devido à sua postura social.
Este livro possui um caráter suspeito porque seu autor, Pedro Bial, tem larga experiência na emissora da Rede Globo: como jornalista e apresentador. Por isso, se envolveu por demais na vida de seu biografado, deixando evidente no livro seu afeto.
Pedro Bial entrou na Globo em 1981, por meio de um curso de formação em telejornalismo. Chegou a ser correspondente internacional, cobrindo eventos importantes como a Guerra do Golfo, o Colapso da União Soviética e a queda do Muro de Berlim.
Apresentou a revista eletrônica, Fantástico e , atualmente, apresenta o reality show Big Brother Brasil, desde 2000.
Foi casado três vezes e atualmente está casado com a produtora Isabel Diegues.
Bial é um adepto do basquete, estudou com o cantor Cazuza na época de colégio, é irmão do treinador de basquete Alberto Bial e da psicoterapeuta Irene Bial.
Michelly Ribeiro
**Texto publicado no CADIC (Cadernos de Iniciação Científica): http://cadernosdeiniciacaocientifica.blogspot.com/
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A Política Correta
O livro Jornalismo Político de Franklin Martins, da editora Contexto do ano de 2005, trata de definições do mundo jornalístico político. Definições estas que são necessárias para a vida do jornalista que se interessa por esse meio. Afinal, para uma matéria sair agradável e fiel ao assunto tratado, faz-se necessário ao jornalista conhecer o universo no qual vai adentrar, a fim de se obter um domínio prévio em se tratando de informação.
Logo no início do livro, o autor fala um pouco da história do jornalismo e levanta
discussões relacionadas às diferenças existentes nos dias de hoje. Entre elas, ele fala sobre a década de 50, em que os grandes jornais não tinham a preocupação de informar somente, mas de fazer coberturas repletas de campanhas eleitorais, totalmente isentas de imparcialidade. “A imprensa de hoje cobre a campanha”. As informações, segundo Franklin, saem mais neutras, existindo uma imensa diferença com relação à atuação dos jornais da década de 50. Mesmo porque, hoje tem mercado e pesquisas de opinião, o que não existia há meio século.
As claras mudanças que se pode ver hoje nos jornais, no que diz respeito à imparcialidade, se deram devido ao alto custo em relação ao partidarismo. Isso abriu um espaço de atração de um “público plural”. Tanto é que hoje em dia, os jornais são bem diversificados.
A exigência dos leitores fez com que as notícias se misturassem com interpretações, voltando-se também para o dia seguinte. Conseqüentemente, as notícias possuem algumas opiniões subentendidas, porém Franklin frisa que a opinião deve ser como o sal, que tendo em exagero no alimento, se torna desagradável. É uma espécie de “tempero”.
Por essa exigência, se tornam cada vez mais evidentes os erros que devem ser sempre retificados. Obviamente que se dá preferência a não possuí-los. Mas, quando ocorrem, cabe ao jornalista o papel de corrigi-los a fim de garantir créditos profissionais.
Em se tratando de ética, entende-se por ela como sendo algo universal. A ética do jornalista não é diferente de qualquer outro cidadão. A questão é seguir os valores morais.
O autor diz que mais vale a recusa de propostas “gordas”, do que correr o risco de contrariar condutas éticas. Não se deve confiar demais em alguém, muito menos utilizar-se de indelicadezas. Ele sugere alguns manuais de explicações de como sair dessas situações com jeito.
A lealdade na profissão jornalística, como em qualquer outra, é a base de tudo. Deve ser estimada e levada a frente dos interesses pessoais, colocando a sociedade em primeiro lugar. Franklin cita as principais lealdades a serem consideradas: às fontes, aos colegas, à categoria, ao chefe, à empresa, à carreira e à sociedade. Pode-se afirmar, considerando a citação, que a lealdade ocasiona a credibilidade, e com ela, o sucesso.
Martins também esclarece a diferença entre opinião pública e sociedade. Diz que, em hipótese alguma, o jornalista deve primordial lealdade à opinião pública, mas à sociedade. Opinião pública é a opinião predominante na sociedade em determinados momentos; já a sociedade possui interesses, objetivos e definições que são permanentes e consolidados. Ele diz: “Nossa primeira lealdade não é com a opinião pública, mas com a sociedade”.
Em “Jornalista não é notícia”, o autor quis mostrar que fama e jornalismo são coisas totalmente distintas. O verdadeiro papel do grande jornalista é informar e não, aparecer.
Não há nada de mal em aceitar presentes ou viagens. Segundo o autor, uma boa regra é “não aceitar presentes tão caros que não se possa dar a um amigo…e só devemos aceitar viagens que bancaríamos para um amigo”. É um fato importante a ser considerado, pois que agindo dessa forma, o comprometimento se torna inexistente. Como pronuncia Franklin: “Alego que, se aceitasse o convite, mais tarde não me sentiria à vontade para elogiá-lo ou criticá-lo”.
Fitas, gravações e câmeras ocultas são fatores que ajudam o jornalista somente em casos legais, ou seja, que visem o interesse público e não o interesse do público. Porém, são fatores válidos somente quando apurados posteriormente.
Assumir os erros cometidos aumenta a credibilidade, como se afirmou anteriormente, levando-se em consideração a sua correção. “Por mais que nos esforcemos para não errar, erramos muito – bem mais do que gostaríamos e do que o leitor ou o telespectador merece”, lamenta Martins.
No jornalismo político não há promiscuidade de informações: “Na cobertura política, pescamos livremente no oceano, onde há de tudo, e não em um tanque artificial, monitorados pelo dono da casa”. Ou seja, são 513 deputados, 81 senadores, mais de 30 ministros, 11 integrantes do Supremo Tribunal Federal, além de diversos tipos de funcionários que permitem o encontro com a verdade.
O papel de qualquer jornalista é informar. E para que isso ocorra, se faz necessária muita conversa, bate-papo com pessoas das mais diversas classes e dos mais variados tipos. Não se pode descartar uma opinião, e deve-se analisar criteriosamente cada uma delas. Se isto tudo já é importante para o jornalismo em geral, ainda mais na política, em que o jogo de interesses predomina e poucos políticos são confiáveis. “Desconfie de tudo que faz sentido demais. Não costuma ser verdade”, declara Martins.
Como diz o velho ditado: “Lugar de repórter é na rua”, pode-se dizer que a rua para o repórter político é no Congresso, pois é lá onde as coisas acontecem. E a simples mudança de humor, clima e temperamento de um político, já significa muita coisa. Porém, o repórter político não deve se limitar ao Congresso. Deve ir além, ou seja, até onde a opinião pública está. Pois ela pesa na balança da influência de votos, além de exercer enorme pressão sobre, principalmente, os deputados e senadores.
Fontes são o que há de mais importante no jornalismo. Mas deve-se saber dos limites existentes. É como diz o autor: “Nem tão distante que se perca a informação, nem tão perto que se perca a independência”. Amizade demais com a fonte pode prejudicar a imparcialidade na hora de informar, isto é, o profissionalismo. Jamais deve-se esquecer que a lealdade deve estar, sempre, acima de tudo.
Há informações em ON, que são as que revelam a fonte; e as em OFF, que reservam o direito da liberdade de informação, sigilo da fonte. Levando em consideração que a primeira lealdade é com a sociedade, o OFF não deveria existir. Mas, tanto existe como é raro. E uma vez existente, o OFF em circunstância alguma, pode ser violado. Somente em casos graves e para o chefe do repórter em questão.
É inevitável que a função do jornalista dentro de um Congresso seja específica, porém o que se faz necessário é o acúmulo de informações. Quanto mais informações se obtiver é melhor. Deve-se arquivar informações para um possível furo. Nenhuma informação é descartável.
Além do acúmulo de informações e da factual, ou notícia em si, é importante que o jornalista político entre nas profundezas do que é factual, ou seja, tenha conhecimentos prévios do assunto a ser tratado. A isso se dá o jargão “background information”. Vale também dizer, que o background information é tudo o que está atrás da notícia. Franklin é claro ao dizer que a cobertura política se faz com a combinação de informação factual e background information.
Há muitos interesses dos políticos por detrás de seus discursos. O jornalista deve entendê-los. Grande parte dos políticos, em seus discursos, falam mais do que devem, de forma ampla, de maneira a atrair até mesmo a massa a qual não se beneficiará com seus feitos. Nesse contexto, o autor até dá a denominação de “atores” aos políticos. Por isso, o repórter deve ser esperto e conhecer bem a personalidade dos políticos em evidência.
Agilidade é o adjetivo mais apropriado ao jornalista, que deve cada vez mais correr contra o tempo, a cada novidade que surge no campo tecnológico. Em época de eleição, os nervos ficam “à flor da pele”. Ao mesmo tempo em que há muita paixão, há também muita deturpação de fatos em que um político pisa sobre outro em prol de sua vitória.
Em se tratando de CPIs - têm o papel de investigar temas específicos. E é em uma reunião de CPI que a mídia se concentra e que as encenações políticas ficam evidentes. Os jornalistas devem tomar todo cuidado e investigar cada nova situação, porque qualquer exacerbação que ocorra, a culpa sempre é da imprensa.
O livro Jornalismo Político é de alto teor informativo. Possui uma linguagem instigante e motivadora. A leitura é agradável e exuberante. Com ele, dá para se ter uma idéia clara de como funciona realmente o jornalismo político. Vale a pena a leitura. Afinal, troca de experiência nunca é demais, mesmo porque o autor é uma pessoa de conhecimento exímio na área política.
É um livro importante também para alunos de Jornalismo que tenham interesse em conhecer um pouco deste universo político, cheio de cacoetes, dúvidas, sonhos, angústias e alegria, como o próprio autor define. O livro possui exemplos do dia a dia da vida política, bem como do Jornalismo, e não poderia ser melhor escrito por outra pessoa que não fosse Franklin Martins, porque é um jornalista político de larga experiência, eleito presidente do DCE da Universidade Federal do Rio de Janeiro e vice presidente da União Metropolitana dos estudantes do Rio de Janeiro, ainda em sua época de universitário da área de Ciências Econômicas.
Foi líder estudantil e guerrilheiro militante do grupo comunista MR-8. Foi também exilado na época do regime militar em Cuba, no Chile e na França.
Já como Jornalista, foi comentarista político no Jornal Nacional e no Jornal da Globo, depois trabalhou na Rede Bandeirantes até assumir o Ministério da Comunicação Social, a convite do Presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Michelly Ribeiro
**Texto publicado no CADIC (Cadernos de Iniciação Científica): http://cadernosdeiniciacaocientifica.blogspot.com/
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A essência do livro-reportagem
O livro “Páginas ampliadas” de Edvaldo Pereira Lima da editora UNICAMP de Campinas, publicado no ano de 1995 defende a idéia de que o livro-reportagem é um subsistema do jornalismo capaz de aprofundar temas de grande repercussão na mídia, os quais são tratados superficialmente pela imprensa cotidiana.
A obra contém citações de autores renomados da literatura e do jornalismo, o que contribui com a melhor compreensão das explicações existentes. Onew journalism é discutido de maneira freqüente no decorrer do livro, de modo que são feitas relações com o jornalismo literário dos Estados Unidos e com o periodismo informativo de creación da Espanha.
Percebe-se que o autor possui uma bagagem bastante complexa e completa de pesquisa científica e documental, conforme até abordou em um dos assuntos no livro em questão, além de entrevistas com pesquisadores como Cremilda Medina e Paulo Roberto Leandro, ambos pertencentes à Escola de Comunicações e Artes da USP.
O livro, apesar de possuir uma linguagem pouco atraente, é bastante rico em informações históricas referentes a como o jornalismo evoluiu e se aproximou da literatura. Conta sobre a época de Euclides da Cunha e cita-o como o precursor do jornalismo literário, não esquecendo de sua famosa obra “Os Sertões” e de sua cobertura jornalística referente à revolução de Canudos. Ele é lembrado em meio a tantos outros escritores da época, renomados ou não, mas que buscavam no jornalismo uma maneira de aprimorarem os recursos da linguagem escrita, adquirindo também reconhecimento profissional.
Edvaldo traz a tona os problemas encontrados no jornalismo diário e trata da subjetividade e objetividade com as quais podem ser tratadas livremente em um livro-reportagem, por exemplo, assuntos tão sérios e frios. Ele fala de humanização de um texto vivo e mais completo por meio de várias técnicas de liberdade, como temática, angulação, fontes, tempo e eixo de abordagem. O autor fala sobre emoções e da necessidade de se tirar proveito do cinema, bem como de suas técnicas, para atrair o leitor do começo ao fim do livro.
De modo complexo, Lima fala também do equilíbrio e do desequilíbrio que o jornalista deve causar no leitor e da utilização de técnicas aleatórias para que o texto não fique cansativo e o leitor não se perca no meio do caminho. E, para que aconteça um trabalho completo e perfeito, livre da superficialidade do jornalismo cotidiano e que seja acima de tudo capaz de produzir um livro-reportagem, deve existir uma história ou uma grande história, como chamamos no jornalismo, uma grande reportagem. Se o momento da captação for feito com cuidado e cautela, todo o trabalho terminará com sucesso. Com isso, alguns detalhes devem ser levados em consideração, como: entrevistas de compreensão; histórias de vida; observação participante; memória; documentação e visão pluridimensional simultânea.
Essas foram apenas algumas das dicas citadas em uma das partes mais importantes do livro, que deixa claro ao leitor que, no livro-reportagem, o jornalista é livre para utilizar de primeira a terceira pessoa, desde que saiba como proceder, envolvendo o leitor como se fizesse parte da história, mesmo sendo real ou real com pedaços de ficção, o que também é possível.
Essa mescla de características e liberdades faz com que o new journalism seja muito discutido (pelo menos na época em que o livro foi lançado), hoje acredito que já existe uma melhor aceitação por parte de escritores e jornalistas espalhados pelo mundo, e uma frase que pode ilustrar, com toda certeza, essa afirmativa é a que também consta no livro e que é de autoria de Joel Silveira: “O bom jornalismo é literatura”, porque, como é abordado no livro, não existe maneira de separar o homem ser humano do homemprofissional. Não tem como separar os sentimentos da racionalidade, o Homem é uma mescla disso tudo e feliz do jornalista que consegue fazer essa ligação entre a ficção e a realidade.
Não há fórmulas para o bom jornalista, existem apenas maneiras de aperfeiçoar o dom do qual o jornalista é detentor. E esse livro é um excelente material capaz de transformar idéias em bons resultados, porque segundo Juan Gargurevich, também uma das citações contidas no livro, “a reportagem é uma das formas que busca o jornalista para se expressar”; e, para mim, é uma das mais ricas.
Michelly Ribeiro
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“Lugar de repórter é na rua!”
Segundo Ricardo Kotscho, em seu livro “A Prática da Reportagem”, o bom repórter é aquele que vive nas ruas, que busca a notícia, ou seja, é aquele que vai ao encontro dela ao invés de esperar as coisas acontecerem e “caírem do céu”.
Esse livro é composto por trechos publicados na década de 70 e 80 quando Kotscho ainda estava na Folha de São Paulo, e em outros jornais onde atuou. Cada trecho é tido como exemplo de explicações referentes ao mundo jornalístico, de um repórter, mais especificamente.
A pauta é o que há para Kotscho. Ele diz ser ela o elemento mais importante para o trabalho de um jornalista. É suscetível a mudanças devido às oscilações existentes nos acontecimentos diários. Afinal, tudo muda constantemente.
Portanto, o jornalista deve ser flexível quanto a uma cobertura jornalística, deve usar de sua magnitude a fim de observar tudo o que acontece ao redor, além da matéria sobre a qual foi escalado para cobrir.
O perfil mais ousado é o que mais faz sucesso. O repórter deve ser ousado. Kotscho frisa bastante essa questão. Diz que nenhuma história pode ser igual a outra em matéria de jornal. Cada ser humano é composto por uma ideologia e ponto de vista diferentes. Portanto, a tomada de posição deve ser isenta de medos. A coragem é a característica que deve predominar nessa carreira.
Para que o resultado saia da maneira esperada e quase perfeita, (já que a perfeição não é característica inerente ao homem), o profissional do jornal deve procurar sempre se colocar no lugar do leitor. Dessa forma, ele visualiza a objetividade do jornalista impressa em determinado veículo.
Ricardo ainda relata a importância do diferente, do novo. O novo sempre fascinou, portanto chama a atenção e multiplica o número de exemplares vendidos. “Mostrar algo de novo que está acontecendo”, esta é a chave para o sucesso.
O autor nunca esteve sozinho ao longo de sua carreira. Sua companhia sempre foi a de um fotógrafo, porque repórter e fotógrafo devem ser amigos fiéis. Não existem provas concretas de determinados acontecimentos, sem uma fotografia que o defina.
Jornalista sofre com “plantões de domingo” e feriados. São nesses dias que o desafio aumenta devido a fatos corriqueiros existentes e que todos já conhecem. O desafio se baseia em encontrar a notícia perfeita que faz a diferença.
“…contar tudo o que aconteceu, não parando de garimpar a informação enquanto ele próprio não estiver absolutamente seguro sobre todos os fatos que colocará no papel”, essa é a experiência que Kotscho relata em uma afirmação no capítulo “Coberturas”. Nem sempre o que se deseja se concretiza, tanto na vida pessoal, quanto no ramo profissional. Essa profissão repórter exige muito do jornalista que acaba sofrendo intensas pressões que acarretam em alguns tipos de doenças como se vê muito. Entre elas está a depressão, ataques cardíacos, entre outras. Por isso a necessidade de se dedicar inteiramente, de corpo e alma; mas, para que isso ocorra, se faz necessária a paixão por essa tão exigente profissão.
O autor jornalista ficou um tempo no exterior cobrindo matérias para o Jornal do Brasil: “Canale D´Agordo – Só os vaticanistas, a Igreja e o resto do mundo foram surpreendidos com a eleição de Albino Luciani para suceder Paulo VI.
É esta, ao menos, a conclusão a que se chega, após uma rápida viagem pela Veneza dos Papas, (Luciani é o terceiro Papa vêneto, só neste século) e uma tarde de conversas com alguns moradores de Canale D’Agordo, pequena aldeia onde Albino nasceu. Entre eles, seu irmão mais novo, Edoardo Luciani, pai de nove sobrinhos do novo Papa”. (Jornal do Brasil, jul. 1978)
Kotscho fala da difícil tarefa que foi cobrir as greves do ABC paulista na volta ao Brasil, a partir de 78: “Quando a Polícia resolve baixar o pau, não adianta mostrar carteirinha de jornalista. Um belo dia, depois das greves, Luís Inácio Lula da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, e outros líderes dos trabalhadores iam ser julgados pela Justiça Militar. O comando do II Exército forneceu credenciais para todos os jornalistas que pediram para fazer a cobertura – menos para os correspondentes estrangeiros e para mim.” Percebe-se com isso que não é nada fácil ser jornalista. Nessa situação, por exemplo, em que Kotscho não conseguiu credencial, ele poderia encontrar um fato noticioso onde não esperava, (e foi o que aconteceu). Vida de repórter é uma “caixinha de surpresas”.
Por maior que seja a imparcialidade que tenha que se ter durante a elaboração de uma matéria, não se pode esquecer da existência de um ser humano nas entrelinhas. “Estes sentimentos se alternam nos trabalhos de cobertura, e não há como o repórter ficar insensível – nem deve. Afinal, ele é antes de mais nada um ser humano igual aos seus leitores, e precisa transmitir não só as informações, mas também as emoções dos acontecimentos que está cobrindo.”, afirma o autor.
Em seu livro, retrata de maneira rápida, alguns fatores da reportagem investigativa. Tratando da existência de duas frentes de luta, de reportagens quentes e dos fenômenos com suas respectivas causas.
Os perfis são o que os jornalistas chamam de retratos de pessoas altamente conceituadas pela mídia, famosas, que acabaram de morrer. Estas precisam ser relatadas no jornal com suas biografias, é a esses aspectos que se dá o nome de perfil. Não somente se denomina perfil às pessoas que acabaram de morrer, mas às que estão em vigor na mídia, ou seja, que precisam ser estudadas a fundo juntamente com o perfil biográfico.
Além desse tema, Kotscho esclarece em sua obra o verdadeiro enfoque social na Editoria de Polícia, diversos assuntos que são tratados sobre a fome, o fator da “Guerra urbana”, e a dúvida sobre contar ou não uma história real.
Por fim, intitula a grande reportagem como “as matérias mais extensas que procuram explorar um assunto em profundidade, cercando todos os seus ângulos.”
“Prática da Reportagem” é uma completa apostila de jornalismo para os que iniciam nessa carreira tão instigante. Ricardo Kotscho foi feliz ao relatar experiências próprias em um livro didático e que inspira um espírito aventureiro jornalístico.
Michelly Ribeiro
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A importância da Comunicação
O livro “O que é comunicação” do autor Juan E. Díaz Bordenave descreve de maneira sucinta os mais variados tipos de comunicação pelos quais passamos durante um dia. Desde o momento em que acordamos até a hora de dormir.
Nas primeiras partes do livro, ele trata da sociabilização que gera a comunicação, ou seja, ele sugere que a comunicação e a sociedade se completam, pois fazem parte de um todo. Ambas não existem de forma isolada.
A comunicação está em toda e qualquer atividade referente ao homem social e é uma necessidade básica do ser humano.
Os meios de comunicação em geral influenciam a vida de seus telespectadores, tanto de maneira positiva como de negativa. Um exemplo perfeito seriam as telenovelas.
A comunicação surgiu na era das cavernas, em que o homem buscava maneiras das mais diversas de gravar situações vividas por ele por meio da pintura, numa espécie de “enciclopédia rupestre”. Assim foi a maneira como a comunicação teve seu início. Depois, se desenvolveu atingindo o patamar de hoje, com a evolução da gramática, entre outras diversidades. Os primeiros difusores da linguagem escrita foram os chineses. Com tudo isso, os meios de comunicação também evoluíram e o homem jamais parou de criar.
A comunicação se faz importante para a transformação das pessoas e do mundo que as rodeia. A comunicação se dá nas seguintes condições: realidade ou situação onde ela se realiza, interlocutores, mensagem, signos e meios. Além de ser um processo multifacético que atinge vários níveis, como: consciente, subconsciente e inconsciente; é um processo orgânico que compreende algumas fases, citadas pelo autor. São elas: pulsação vital, interação, seleção, percepção, decodificação, interpretação, incorporação e reação. “Ela é produto funcional da necessidade humana de expressão e relacionamento”. Entre suas funções, podemos citar: função instrumental, informativa, regulatória, interacional, de expressão pessoal, heurística ou explicativa, imaginativa.
Só o homem é capaz de criar signos que despertem emoções a ponto de se tornarem característicos; ao contrário dos animais que se comunicam sempre da mesma forma, por necessidade instintiva e não por prazer.
O que se torna difícil para a não-comunicação, e o que é tratado ao longo do livro; é o fato de ela estar presente não somente nas palavras; mas também no silêncio, num sorriso de satisfação, nas mãos, no tom de voz, no olhar. E não pára por aí, pois a linguagem corporal traz muitas interpretações para um exímio observador.
A cultura de uma sociedade pode ser considerada como um vasto sistema de códigos da comunicação. É impossível a exclusão de um indivíduo diante dessa maneira de se comunicar; que nada mais é do que literalmente cultural. Somente a divergência cultural torna dificultosa a comunicação, segundo consta nas opiniões do autor, o que não deixa de ser verdade. E é exatamente por este fato que somos seres sociais: para evoluirmos nas nossas diferenças.
Metacomunicação é a comunicação sobre a comunicação – o ato de influenciar na comunicação através de opiniões ou interferências.
O autor ainda utiliza a denominação de objetos físicos com significação moral em relação natural, como sendo símbolos; e indícios que colaboram para a adivinhação de determinada coisa, como sendo sinais. Tudo isso para exemplificar mais uma parte do processo de comunicação; além de designar o significado como um conceito que damos às coisas, ou seja, pode ser derivado de uma imagem já formada, ou apenas algo abstrato, como exemplo: pedra e Deus. Fala-se de signos analógicos que comunicam de maneira vivida e natural as emoções; e dos códigos digitais que apresentam-se em forma de informações precisas e detalhadas.
Juan ainda diz que um único signo pode conter um poder latente dos mais variados significados. Entre eles, os cognitivos e emotivos, que assim como os denotativos e conotativos significam respectivamente: concreto e intelectual; e são ligados aos mais variados sentimentos humanos.
A denotação dos signos tem um poder significativo e um papel importante na realidade concreta do homem. A conotação dos signos é a criação de novas realidades capazes de despertar os sentimentos mais íntimos dos homens.
Em “os dois cumes da linguagem”, um dos capítulos do livro, o autor diz que “uma palavra proferida pode construir, como pode também destruir; e uma vez proferida, não se pode mais voltar atrás”, um dos objetivos da comunicação é afetar e para tanto se faz necessária toda a atenção do mundo para a utilização das palavras, pois elas têm poder.
Com a liberdade na utilização das palavras, o homem acabou se diversificando em termos de linguagem, criando com isso; vários idiomas. Já os dialetos e gírias são variantes de um mesmo idioma, mas em diversas regiões de um mesmo país.
Quando se fala de jornalismo, a diferença entre matéria jornalística escrita e televisiva é grande, pois a televisiva juntamente com outros veículos em massa conota terror, drama, sensacionalismo em geral; já a escrita está mais próxima da realidade.
Para finalizar, a comunicação poderia ser melhor hoje. A sua implantação como disciplina nas escolas desde o primário, e o conceito de comunicação nas televisões e rádios, poderiam ter efeitos conscientizadores para seus respectivos telespectadores e ouvintes já que na maioria das vezes repercutem mais no entretenimento do que na educação.
Michelly Ribeiro
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O sucesso da “Quarentona”
“…mostrar aquilo que de mais importante aconteceu no Brasil e no mundo naquele dia, com clareza, correção, isenção e pluralidade”. Assim define William Bonner em seu livro “Jornal Nacional Modo de Fazer” da editora Globo do ano de 2009, o objetivo básico que deve ser seguido para a elaboração do Jornal Nacional.
O livro se trata de uma conversa do autor com o leitor, ou do “apresentador” com o “telespectador” sobre o dia a dia dentro da redação do JN. Por se tratar de quase uma conversa, não precisa nem dizer que o texto é todo em primeira pessoa. William mostra, em todos os capítulos, como é a rotina, desde a produção até a apresentação do telejornal, depois de explicar, nos primeiros capítulos, o que é o JN bem como os princípios que o norteiam, os quais ele procura lembrar repetidas vezes ao longo do livro.
Com um pouco de técnica e experiências de vida, o jornalista relata os fatos que mais marcaram os 40 anos do JN, com imagens de qualidade de alguns dos mais de cem profissionais que integram a equipe, servindo de ilustração.
Bonner fala um pouco sobre os segredos que estão por detrás do sucesso do programa jornalístico. Ele compara esse sucesso com um comercial de biscoito da década de 1980: “O locutor propunha que se descobrisse o segredo do produto: o biscoito estava sempre fresquinho porque era mais vendido do que os concorrentes? Ou era mais vendido do que os concorrentes porque estava sempre fresquinho? O que era causa? O que era consequência?”, e termina esta conclusão afirmando que causa e consequência se confundem porque uma coisa está ligada a outra. O que ele quis dizer com essa comparação foi que tanto a experiência quanto a qualidade do produto fazem a diferença e isso, segundo Bonner, é o que o Jornal Nacional tem, de sobra, para oferecer ao Brasil.
Lembrando sempre do objetivo básico do JN, o autor apresenta um capítulo só para falar sobre as emissoras afiliadas da Globo, que somam 121 ao longo de todo o país em 5.477 cidades cobertas pela Rede. Neste capítulo, o objetivo é passar a ideia de que “mostrar aquilo que de mais importante aconteceu no Brasil e no mundo” não é somente complexo e abrangente, como é também possível à Globo, considerando todas as suas afiliadas, com múltiplas culturas regionais e assuntos diversificados pertinentes às regiões brasileiras. Com isso, cada repórter local, conhecedor de sua região, pode mostrar as peculiaridades que a Rede não mostraria por desconhecê-las ou por falta de recursos na locomoção até determinado Estado ou município. Há também uma valiosa equipe de correspondentes internacionais para cobrirem assuntos de extrema importância, como foi o caso dos atentados de “11 de setembro”. O que a Globo quer é chegar primeiro, mesmo que, para isso, precise cometer alguns equívocos que, para o autor, não devem ocorrer com frequência, porém acontecem porque “somos imperfeitamente humanos”. É por esse motivo que ocorrem diversas “paradas” (reuniões) ao dia para que nenhum erro passe despercebido, mas acontece.
William ainda fala sobre os bastidores, mostra como cada profissional trabalha, executa sua tarefa, e pelo que cada profissional é responsável. “São 4.500 profissionais trabalhando diariamente para o jornalismo da Globo”, conta. Tudo isso, porque o editor-chefe, William Bonner, conta com as equipes de todas as afiliadas para elaborar o espelho do jornal diário. É um trabalho cansativo, mas apaixonante, como ele mesmo define. Pode-se acrescentar que o trabalho depende de uma equipe em total sincronia. Vale dizer que a equipe de produção não produz somente para o Jornal Nacional, mas também para os outros programas jornalísticos da Globo, como Bom Dia Brasil, por exemplo.
Uma curiosidade apresentada no livro é que o palco do JN foi montado, exatamente, no local onde eram gravadas as novelas. “Entre milhares de cenas registradas naquele lugar, o assassinato de Odete Rottman, em Vale Tudo, na década de 1980, é um dos mais célebres. Inaugurado o Projac, as novelas foram embora e o maior dos estúdios foi destinado à Central Globo de Jornalismo no fim da década de 1990”. Embaixo da bancada dos apresentadores, na parte inferior do estúdio, é onde ocorrem as reuniões de pauta ou “de caixa”, termo criado pelos profissionais antigos do JN e que o autor se preocupou em explicar minuciosamente o motivo, bem como o de vários outros jargões.
O livro ainda traz ilustrações dos scripts utilizados pelos profissionais do fechamento do jornal e pela parte técnica, como também ilustrações seguidas de explicação de cada abreviação e conteúdo do programa de computador “iNews” que define a escalada do telejornal, a qual muda ao longo do dia até o momento da apresentação do JN.
Em se tratando de experiência, o autor tem muita para falar sobre o cargo de editor-chefe que, seguindo os manuais de telejornalismo, ele também define que é o responsável por tudo o que vai ao ar ou deixa de ir. É uma posição que exige muito jogo de cintura e conhecimento técnico para ser exercida com qualidade e dedicação. O próprio William conta causos inusitados em que demonstra a competência de sua equipe e também como a função exige muito dele, fazendo com que cometa alguns erros clássicos, porém, mostra como contorná-los com destreza por meio de seus exemplos.
Em se tratando de critérios primários para a boa qualidade do telejornal, Bonner dá dicas aos estudantes de jornalismo sobre como conseguir fazer com que uma matéria vá ao ar no Jornal Nacional. Deve-se levar em consideração: a abrangência da matéria, a gravidade das implicações e o caráter histórico. O peso do contexto e a importância do todo ficam mais sob a responsabilidade do editor-chefe, que deve ter uma visão ampla sobre como as informações serão recebidas pelos telespectadores. Por isso, ele será o responsável por organizar a escalada de maneira que siga uma ordem lógica e inteligível, sempre “de olho” no contexto de uma determinada informação, de modo que a informação seguinte complemente a anterior. Por isso que a seleção das matérias de afiliadas pelo editor-chefe do JN deve ser criteriosa.
O jornalista mostra ainda, em sua obra, como são as reuniões de espelho e de pauta, como funciona a edição e o fechamento e quais são as tarefas de cada uma dessas funções. Tudo isso para sanar a dúvida de diversas pessoas que se perguntam “se o jornal só acontece à noite, porque eles devem chegar tão cedo à Redação?”.
Ainda no ar, os profissionais de jornalismo dos bastidores não param. Devem ficar atentos às informações mais atualizadas, se surgirem, e ao tempo do telejornal que pode “estourar” ou ficar com “buraco”, são outros problemas que exigem muito jogo de cintura de tantos outros jornalistas da equipe.
Diante de tantas informações sobre o “modo de fazer” do Jornal Nacional, William Bonner conta as novidades para os próximos 40 anos do jornal e como assegurar credibilidade e qualidade em cada novo dia.
Fátima Bernardes, no prefácio, diz que o livro é voltado a todas as pessoas interessadas em conhecer os bastidores dessa “intimidade” criada pela marca Jornal Nacional, considerando que “entra na casa” de milhares de pessoas. Este livro pode ser lido não somente por profissionais da área ou estudantes de jornalismo, como também por interessados em conhecer esse universo apaixonante do telejornalismo. Pode-se também dizer que seria de excelente valia aos que contratam serviços de media-training, pois mostra a questão da prioridade das informações com clareza, fazendo com que o leitor entenda, mesmo que previamente, porque determinada informação é selecionada ao invés de outra.
Considerando o ano de 2009 como o ano da aplicação das novas normas gramaticais da língua portuguesa, o livro também já segue os padrões com muita prioridade. Além disso, serve de manual jornalístico a muitos que possam integrar a equipe da emissora.
Michelly Ribeiro