Superficialidade tecnológica

6 02 2010

Andei pensando sobre a superficialidade dos relacionamentos e cheguei a uma conclusão: estão superficiais porque a juventude de hoje nasceu em uma época de evolução tecnológica, em que o comando está nas “mãos” das máquinas, que por serem o que são, exigem rapidez, agilidade e a saciedade de vontades imediatas.

A questão é que, mesmo os mais “velhos” se acomodaram diante dessas circunstâncias. Devido à falta de oportunidade ou por não serem mais correspondidas em relação aos sentimentos que nutrem, passaram a conversar com desconhecidos virtuais, que apenas satisfazem seus prazeres momentâneos. Dificilmente um relacionamento assim durará por longos anos e, se durar, vai depender da capacidade que os dois tiveram de desenvolver a habilidade de conversar, porque é fato que o diálogo, o companheirismo e a boa conversa são o que fazem um relacionamento durar. Você saberá que encontrou seu parceiro ideal, quando descobre que quer ser amigo daquela pessoa para o resto de sua vida.

E como fazemos com esses relacionamentos à distância? Já conheci pessoas que tiveram esse tipo de relacionamento e dizem que não deu certo, sempre com a mesma desculpa: “a distância atrapalha”. É engraçado porque não conheço nenhuma pessoa que tenha me dito o contrário.

E sabe o que eu penso sobre isso? Sabe por que não dá certo? Porque o amor não acontece, simplesmente, ele é construído no dia a dia, na convivência que faz você notar as imperfeições da pessoa bem como suas maiores qualidades. O amor é algo que se constrói com duas pessoas maduras e que sabem o que quer, e como conviver com alguém que nunca está presente? Como dizer eu te amo para uma máquina? Como dizer que se ama alguém que não convive com você e nem divide momentos de ternura, alegria, tristeza e solidão?

Sabe-se que a distância não atrapalha um amor quando já se criou laços por meio da convivência, mas e quando esses laços não tiveram tempo de serem feitos? E quando tudo não passou da tela de um computador? O problema da internet também é que nos sujeitamos ao desconhecido, nos abrimos para tudo e para nada ao mesmo tempo, porque além de não conhecermos a pessoa com plenitude, também não conhecemos sua verdade, pois a internet serve de máscara e de refúgio dos tímidos, angustiados e deprimidos.

Sem planos, sem olhos nos olhos, sem contato, sem sentir o sabor da outra pessoa e entender cada gesto, jeito, toque e beijo, é impossível dizer ‘eu te amo’. Esse tipo de amor virtual remonta a ideia de Platão, a ideia do “amor platônico”, que simboliza um amor por alguém que talvez nunca será “seu” ou nunca poderá ser tocado e/ou sentido por completo. Mas, será que isso é amor? Dizem que a ideia de amor de Platão é a mais próxima do que é o amor verdadeiro. Mas, amar sem querer nada em troca, sem precisar ser correspondido, sem precisar tocar para se satisfazer está longe do que nós, seres humanos, imaginamos ou desejamos. Ainda não somos tão perfeitos assim! Temos muito a aprender com a vida para que possamos atingir esse grau de evolução, deixando a superficialidade dos prazeres momentâneos de lado.

Mas, ainda assim, o contato e o conhecimento são primordiais para se conhecer o amor; ou para se construir um amor com bases sólidas.

Michelly Ribeiro

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