Quando o irreal não se esforça para acontecer: o caos da internet

8 05 2011

Já é madrugada e o que me tira o sono é a frase “não deixe para amanhã o que você pode escrever hoje”, simplesmente, porque mais tarde minha inspiração será outra e eu tenho a obrigação de atendê-la.

Olha que hoje é dia das mães e, até agora, a inspiração não bateu na minha porta para eu acordar um texto à altura. Mas, calma, uma coisa por vez, ainda mais que meus neurônios não estão com tanta força assim para serem usados e abusados.

Bem, sobre o que eu ia escrever mesmo? Ah é!

Vamos lá:

Estive refletindo sobre essa valiosa ferramenta que temos em mãos hoje em dia: a internet. Às vezes chego a questionar: “quem foi o maluco que inventou essa armadilha do sono, essa “parafernalha”, e porque eu insisto em deixar meu computador justo no meu quarto?”. Mas, aí parei para pensar em seus benefícios e me acalmei.

Pensa bem: a internet te proporcionou inúmeras possibilidades que a época da máquina de escrever não era capaz de criar, como: a aproximação de mundos opostos e distantes, o conhecimento de culturas jamais conhecidas sem o processo de uma longa viagem, a ampliação das amizades….opa! Cheguei no ponto que queria…

Lógico que a internet vai muito além disso tudo, inclusive, falando de minha área, permite a troca de informações simultâneas e a descoberta de indícios para uma grande investigação. Mas, o que está me motivando tanto a escrever é uma pequena indignação: a falsa ampliação das amizades.

Uma vez, em participação que fiz em um programa da TV Aparecida (especial Jornada da Juventude – em 01-11-2009),  disse o seguinte: “a internet é o refúgio dos tímidos” – criei essa frase na hora. E sabe porque penso assim?

Porque é o espaço não físico onde os tímidos podem se expressar sem serem vistos, sem serem encarados de frente, olho no olho. A internet é um meio muito rico, que possui uma velocidade incrível de divulgar qualquer tipo de informação, boa ou ruim; porém, ela afasta as pessoas se não for utilizada com cautela.

As pessoas parecem que, ao invés de aproveitarem para se aproximar umas das outras, preferem dividir suas amizades em reais e virtuais. Preferem deixar as virtuais para um mero passatempo: uma companhia para um dia solitário, para uma noite de insônia, para a busca fria de informação, enfim, as pessoas simplesmente sumiram. Elas sumiram porque passam a maior parte de seus tempos na internet.

A humanização perdeu vez nesse universo tecnológico. Não há espaço para a solidez das relações. Não existe mais aproximação ou amizades que duram para sempre. (Deixo claro que essa é apenas uma parte de um dos muitos pontos de vista que possuo sobre esse assunto).

O que se percebe com essa dicotomia de definições positivas e negativas é que as amizades agora se restringem em fases da vida, em núcleos de relacionamento. Não há ampliação nas relações. As pessoas têm um círculo de amizade baseado naquele universo em que estão inseridas – trabalho e estudos. Talvez isso se deva ao excesso de compromissos ou à correria diária, mas, pode-se dizer que, principalmente, pelas modificações que o meio virtual provocou na sociedade, no mundo real.

As pessoas parecem gostar do lúdico, do universo irreal que as aproxima do mundo de conto de fadas de sua infância. A “pessoalização” está perdendo a força diante da tecnologia em constante desenvolvimento. E isso é um ciclo vicioso, que a cada geração, se torna mais acentuado. E como analisar o psicológico dessas gerações que estão crescendo de forma significativa?

Não existe forma de retirar uma ferramenta do contexto que nasceu. A internet cresceu junto com muitos adolescentes de hoje, e a tendência é somente essa: vai nascer com nossos filhos e netos.

Qual seria o ponto ideal desse constante crescimento? Existe equilíbrio? Será que o mundo está fadado ao isolamento, ao individualismo exacerbado, ou pior, à criação de mentes psicopatas?

Parece exagero tudo isso, mas é um caso a se pensar. Não tenho a resposta para essas indagações que faço e gostaria muito de poder, um dia, respondê-las.

Eu estou com um pé nessa era. Não nasci com ela, mas ela fez parte de um bom contexto da minha infância e confesso que sinto seus reflexos sobre minha vida. Me questiono: tenho culpa disso? Ou melhor: de quem é a culpa?

Existe um culpado?

O ponto positivo é que as crianças de hoje estão menos inocentes, mais rápidas em seu desenvolvimento e aprendem tudo de forma menos lenta e isso inclui o uso das novas tecnologias. Ou será que esse pode ser um ponto negativo também pelo fato de estarem perdendo a infância, a beleza da inocência e a oportunidade de desenvolverem a criatividade baseadas no conto de fadas?

Sei que não existem vítimas inocentes nessa vida, mas como controlar o uso de uma ferramenta tão simpática aos nossos olhos? Ela atrai, principalmente, pela facilidade que nos proporciona de trocar informações, conhecer pessoas, viajar pelo mundo, conhecer universos antes aparentemente inatingíveis. Não tem como competir com ela!

A internet é o amigo inseparável da maioria das pessoas.

Apesar de concordar com as qualidades virtuais, não me agrada essa ideia de me perder por ela.

As pessoas parecem que perdem suas referências quando estão conectadas e isso parece um tanto enfadonho para quem olha de fora. Os adolescentes de hoje parecem que perderam o gosto pelas brincadeiras de antes, pelos livros, pelos filmes, pela vida. A maioria das histórias de amor que escuto hoje são relacionadas ao meio virtual. As pessoas se conhecem pela internet e logo estão namorando, seja à distância ou pessoalmente depois de breves encontros.

Isso não está certo!

As pessoas estão deixando de se relacionar de forma verdadeira, intensa e constante. Aliás, a inconstância da maioria das pessoas que conheço se deve à inconstância da disseminação das ideias a todo instante. Nunca vi tantas pessoas hiperativas, estressadas, mal-amadas e ansiosas, como vejo hoje. Será a internet a causa disso tudo? Os relacionamentos, inclusive, duram pouquíssimo tempo e, se duram, a internet sempre é o ponto fraco da corda que une duas pessoas, por ser uma forma mais prática e rápida de descobrir possíveis deslizes.

Acredito que as pessoas deveriam rever seus conceitos e passarem a ver o mundo pessoalmente, com os próprios olhos e não através dos olhos de uma tela com vida superficial.

As pessoas não deveriam passar mais do que 2 horas conectadas e, infelizmente, não é isso o que acontece.

Fico indignada com a facilidade que algumas pessoas têm de fazer amigos virtuais e não ter a mínima capacidade de transformá-las em reais. Às vezes não é nem pela falta de vontade que isso deixa de acontecer, mas pela indisposição dos que estão do outro lado da tela, e é isso o que acontece comigo. Foi isso o que me levou a escrever.

Se tivéssemos valiosas amizades reais como as que temos virtuais, talvez fôssemos muito mais felizes.

Contatos:
(12) 9749-3912 / (12) 9104-6202 / (12) 8822-6263 / (12) 8195-2908





Nenhuma cultura é inútil

9 04 2010

 

Hoje escrevo por causa de outro e-mail recebido, mas, desta vez, de uma amiga jornalista comentando sobre o texto que postei neste blog no último dia 7, sobre a “Manipulação Midiática”. Resolvi então falar sobre a importância de cada cultura, não de alguma especificamente, mas de todas elas.

Penso que qualquer cultura é válida, por mais inútil que pareça. Aliás, nenhuma cultura é inútil. Qualquer pessoa deveria, pelo menos, saber de tudo um pouco; de tudo o que acontece em todas as áreas da ciência e da vida; mesmo que não haja profundidade de conhecimentos, o importante é saber.

É preciso falar sobre artes sem gostar, falar sobre música sem saber tocar qualquer instrumento, falar sobre a principal manchete do dia, mesmo que ela não interfira em sua vida ou que o assunto seja uma mera fofoca da vida de algum famoso. Não importa! Nos interessa saber sempre, para que, de alguma forma, possamos argumentar e fazer ligações em nossas conversas, textos ou, até mesmo, experiências de vida.

Toda informação é válida porque ou ela nos ensinará uma lição, ou ela nos ajudará a adentrarmos numa conversa, cujo assunto não esteja tão diretamente ligado a nós.

Toda cultura é válida: desde a cultura do BBB, até a relacionada à política social, sustentabilidade e empreendedorismo.

O interessante é sempre começar pelo que desconhecemos ou pelo que menos nos atrai. Um exemplo: se você é da área de humanas, busque conhecer e/ou aprender algo de exatas, como matemática ou raciocínio lógico – não deixe chegar a época dos concursos públicos para resolver estudá-los, faça isso por si mesmo. E se você é da área de exatas, busque ler algo sobre filosofia, antropologia ou sociologia para entender melhor o ser humano. A realidade é que no final descobriremos, ainda mais, que nada sabemos realmente, porque “saber um pouco de tudo” significa “não conhecermos nada com profundidade”, mas se soubermos um pouco de tudo e juntarmos com aquilo que sabemos com profundidade, nos dará uma mistura agradável, nos proporcionando assim, momentos sociais intensos; além de nos ajudar a criar o hábito de ler sobre tudo, estudar o que antes não imaginávamos e até mesmo questionar o que antes julgávamos inquestionável.

Exercitar o outro lado do cérebro ou o lado que não usamos com frequência sempre foi um assunto muito trabalhado pela neurociência, então, por que não começarmos a mudança desde já? Existem várias maneiras de exercitar nosso cérebro.  Saiba mais, clicando aqui.

Depois de tudo, podemos até olhar pra trás e dizer: “Eu não sabia que era capaz, mas hoje eu sou”.

 

Tudo sobre o ‘Brain Age’

Exercite seu cérebro!

Matéria sobre o assunto

Dicas de Neuroaeróbica

‘Brain Arena’ (Jogos Online)

Contatos:
(12) 9749-3912 / (12) 9104-6202 / (12) 8822-6263 / (12) 8195-2908








Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 3.461 outros seguidores

%d bloggers like this: