Não obrigatoriedade do diploma de Jornalismo


No início deste ano, o comentário entre os jornalistas era a questão referente sobre a não obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão.

Muitos se revoltaram em relação a essa situação e eu fui um desses muitos. Claro! Passei quatro anos estudando para que? Para nada? Então, coloquei a “boca no trombone”, à minha maneira, mandando um e-mail a todos os responsáveis pelo STF (Supremo Tribunal Federal) que foram a favor de tal absurdo, como segue:

Senhores;

Estou escrevendo em nome de muitos que por algum motivo não tiveram a coragem ou vontade de se manifestar diante do fato recente, ocorrido na semana que passou sobre a aprovação da não obrigatoriedade do diploma de Jornalista.

Estou enviando este e-mail para mostrar a minha indignação, representando a indignação de muitos outros jornalistas espalhados pelo Brasil afora.

Critico a péssima comparação que fizeram entre nossa classe e os cozinheiros. Não estou aqui para rebaixar os cozinheiros, apenas para dizer que essa comparação foi ignorante! Existe uma enorme diferença e uma grande distância entre os cozinheiros e os Jornalistas. Não quero tomar aqui comparações ou referências a textos que citam o cozinheiro e o jornalista, mas o sarcasmo utilizado por um superior que me indignou. Por onde anda o respeito para com o próximo? Que exemplo as autoridades são capazes de dar, se não se respeitam nem a eles próprios? (Discussões irrelevantes e infantis assistimos recentemente com o presidente do STF…)

Gostaria de mencionar, inclusive, que o fato de ter nos rebaixado (classe dos formadores de opinião – jornalistas – definição que encho a boca para dizer), não vai fazer com que nos calemos. Não vamos nos sentir reprimidos por conta de uma ignorância anunciada.

Já que qualquer um pode ser jornalista, na opinião de ‘vocês’, então me digam se sabem o que é “lead”, “pirâmide invertida”, “abertura envolvente”, “pauta jornalística”, e me conte quais são as inferências desse texto que resolvi escrever. Souberam responder mesmo que internamente o significado de alguma dessas palavras ou apenas ouviram falar? Ótimo! Porque é na faculdade de Jornalismo que se aprende as técnicas, as quais dificilmente se pode aprender de um dia para o outro em uma contratação por meio de um simples QI em qualquer “empresa” que seja.

Digo “qualquer empresa” porque acredito que as renomadas jamais admitirão os “não-profissionais” de Jornalismo. E tem outra coisa: É PRECISO NASCER JORNALISTA PARA SER UM EXCELENTE PROFISSIONAL!!!

Então, senhores, peço-lhes com toda cordialidade do mundo que repensem a posição que tomaram, porque nossa classe tem uma história que não deixa “barato”. Manifestações já estão sendo feitas…e não pensem que nos calaremos diante do poder. Vamos continuar denunciando, e utilizando nossas armas (a palavra) para manter a população informada do que ocorre no ‘andar de cima’, o qual dificilmente um mero mortal  (o povo – do qual vocês muito precisam) consegue atingir. Vamos lutar para que o poder cumpra com seu papel. E tem mais: O salário é muito importante para nós sim, mas desde o início sabíamos que este não era muito, entramos nessa pela paixão e muito pouco pela ambição; portanto, esperamos uma resposta muito bem elaborada desse poder que os senhores julgam possuir, porque mesmo com pouco, podemos muito.

Desde já, agradeço a paciente atenção!

Michelly Ribeiro (estudante do 4º ano de Jornalismo com muito orgulho!)

P.S.: Este e-mail foi encaminhado para grande parte dos jornalistas que conheço – acredito que muitos se manifestarão em breve!”

Não deu outra. Recebi respostas de diversos jornalistas do sul do Brasil que concordaram com minha opinião, mas, claro, depois que um dos ministros me respondeu:

Michelly, estou convicto de que cumpri o dever. Isolado na votação, continuo convencido do entendimento que sustentei sobre a constitucionalidade da exigência do diploma de jornalista. Marco Aurélio Mello

Este, por sua vez, foi o único que não concordou com a lei que não obriga o diploma ao jornalista. Fiquei feliz pelo retorno, embora nenhum dos que foram a favor da lei tenha me respondido.

Tudo bem, mas tenho a certeza de que o e-mail chegou a eles, bem como a indignação de todos os demais colegas que me responderam ao e-mail.

Se adiantou? Acho que não, afinal o STF tem a palavra final, não é verdade?

Pois é…tem a palavra final, mas comete atrocidades que nem podemos contar nos dedos.

Na mesma época, o STF aprovou outras leis: umas favorecendo impostores, pessoas de baixa índole, entre outros. Que justiça é essa?

A questão do diploma ficou, durante um tempo, sem muita claridade no entendimento. Deixo claro que continuo a não concordar, mas interpreto de outra forma: mais vale ter um diploma na mão do que exercer uma profissão importantíssima sem qualificação e conhecimento. Claro que o diploma não quer dizer muita coisa para nenhuma profissão, sempre vai depender da força de vontade de correr atrás dos próprios propósitos do detentor do diploma. Porque qualificação somos nós quem temos que buscar e o diploma é algo que simboliza nosso árduo percurso de estudo e sucesso.

Em um processo seletivo do qual participei na Rede Gazeta de Vitória/ES (afiliada da Globo), assisti a uma palestra no qual um dos profissionais da rede dizia que essa nova lei não será regra, apenas uma exceção, ou seja, o diploma será sempre prioridade nas contratações.

Então, fico sossegada, porque minha parte eu estou fazendo: me aprimorando sempre, cada vez mais, a fim de que meu lugar esteja sempre reservado para mim.

Conclusão: essa lei não mudou nada. Apenas deu um pouco mais de poder a quem já tinha e cabe a nós, jornalistas, lutarmos pelo que é nosso. E BOCA NO TROMBONE! Sempre…

Considerando que tenho Comunicação Social, meus horizontes já estão ampliados…

Primeiro começou com a discussão voltada para a lei de imprensa, sendo que existem outros assuntos muito mais pertinentes a serem tratados e depois, findou com esse absurdo completo. Pode-se concluir ainda, com tudo isso, que o poder da profissão jornalística só aumenta a cada dia que passa, e o que eles estão querendo é acabar com o quarto poder (Jornalistas). Mas, não vão conseguir!

Ser jornalista é muito mais do que escrever um belo texto ou aparecer na TV. PARA FAZER JORNALISMO É PRECISO ENTENDER O QUE ESTÁ SENDO FEITO. É PRECISO ESTUDAR MINUCIOSAMENTE ESSA PROFISSÃO, CUJA RESPONSABILIDADE ESTÁ VOLTADA PARA A VAIDADE DE OUTREM, POIS LIDA COM VIDAS.

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