Ética utilitarista


Utilizando-se do cálculo de maximização do bem, de onde se  tira a ideia de que o benefício de uma maioria vence a derrota de uma minoria é um princípio seguido pela ética utilitarista, também muito usada no Jornalismo, o que seria, de forma resumida, “os fins justificam os meios”. Essa máxima foi trazida, pela primeira vez, por Jeremy Bentham (1748—1832) e John Stuart Mill (1806—1873):

“Uma ação é moralmente correta quando produz (maximiza) o maior bem (felicidade – prazer) para o maior número e/ou produz o menor mal (infelicidade – dor) para o menor número”.

A prática da ética utilitarista é mais uma forma de as mídias, de um modo geral, conseguirem alcançar a tão almejada audiência, aliás, a audiência é o que as emissoras de comunicação mais querem, além de ser um dos objetivos principais no momento de idealizar um programa. Isso faz com que o desejo de “democratizar” ideais se volte para o egocentrismo presente no ser humano e, consequentemente, nos veículos de comunicação. Mas, não podemos e nem devemos generalizar.

É também uma maneira muito polêmica de denunciar, é o que podemos chamar de denuncismo e deve ser feito com muito cuidado para não ferir princípios e/ou denegrir imagens, o que significa dizer, muitas vezes, que a ética nem sempre é tão ética quanto deveria ser. Podemos dizer que nem sempre podemos considerar que uma determinada maioria traduz realmente a maioria que deveria, então,  a seguinte frase pode ilustrar bem: “a ética utilitarista justifica os meios quando os fins são expressos por usufrutos coletivos”.

Vale considerar aqui também que cada caso é um caso. É sempre bom usarmos de atitudes “Robinhoodianas”, desde que não quebremos as regras da sociedade como não roubar ou, até mesmo, matar. Um erro não justifica o outro. Acredito que, para tudo, vale uma atitude consciente. Todos possuem dentro de si uma voz capaz de definir o certo e o errado, também de acordo com a cultura de vida na qual esteja inserido, e isso deve ser utilizado muito bem, no momento de decidir o que é viável ou não em situações como essas. Quer exemplos?

Vejamos:

O acontecimento recente do vazamento das informações contidas na prova do Enem e a forma como isso virou notícia. Uma tentativa de venda da prova para uma jornalista do jornal O Estado de São Paulo, que agiu corretamente ao memorizar as questões, averiguar a veracidade do fato e divulgar, com furo de reportagem. Ela soube ser ética, apesar do utilitarismo.

Há fatos e fatos. O que não podemos esquecer jamais é de que somos jornalistas e devemos saber fazer o bom uso da prática dessa profissão, seguindo os princípios que dizem que somos os responsáveis por divulgar tudo o que é de interesse público e não de  interesse do público, o que é bastante diferente. Um diz respeito à utilidade pública e o outro diz respeito ao sensacionalismo.

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