Um novo olhar sobre Portugal


Falar de Portugal no Brasil é muito complicado por conta das piadas que se vê sobre a lógica portuguesa.

Acontece que, estando eu em Portugal, posso perceber o equívoco cometido por muitos brasileiros. Quando dizem a palavra ignorância, a utilizam de forma errada porque na verdade, o que existe aqui é uma cultura que contrasta com a nossa; e esse choque cultural ocasiona críticas, muitas vezes, perversas e injustas.

Lisboa-PT

Portugal é um país conservador, já o Brasil é um país liberal. Apesar disso, há uma divergência: é considerado como o país mais hospitaleiro da Europa. Quem chega em Portugal logo se espanta com a atitude dos homens mais velhos em relação às mulheres. Eles são um tanto sérios, fechados; e as mulheres ainda agem de forma submissa. Os mais jovens possuem uma postura mais descontraída, se abrem um pouco mais, embora, mesmo assim, demonstram certa distância na forma de se relacionar.

Os homens portugueses são mais tímidos que os brasileiros, pois se existe um interesse para com uma mulher, eles simplesmente, preferem demorar no tempo de conquista por meio do olhar (e que olhar!..rs..) para depois buscarem uma aproximação e talvez um algo a mais. Jamais puxam uma dama para dançar em uma “balada”, a não ser que tenham intimidade suficiente para isso. Já as portuguesas, jamais tomam iniciativa como acontece muito no Brasil, embora se preservar seja sempre a melhor alternativa. Não vou dizer qual atitude é a melhor ou a pior, são apenas questões culturais, diferenças importantes que podem nos fazer crescer e pensar de um jeito novo, adotando ou não este ou aquele comportamento.

O brasileiro que visita Portugal passa a entender um pouco melhor a

Porto-PT

 maneira como fomos colonizados e também o motivo de muitos problemas burocráticos existentes no país que, querendo ou não, é uma certa herança de Portugal, não há como negar. Não é a única coisa mas, em Portugal, nos tornamos um pouco mais próximos das nossas “origens”.

Em princípio, nos perdemos um pouco com a língua portuguesa, que embora para nós seja a mesma que a dos brasileiros, para eles, nós falamos “brasileiro”. De certa forma, há uma certa lógica, pois nos deparamos com diferenças gritantes de vocabulário, gírias, entre outros; que chega a nos parecer que estamos em um país de língua estrangeira, por termos, muitas vezes que pedir para que falem mais devagar.

Veja alguns exemplos de palavras mais utilizadas e seus respectivos significados: 

  • Giro = bonito;
  • Camião = caminhão;
  • Perceber/entender = entender;
  • Comboio = trem;
  • De borla = de graça;
  • Quarto de banho = banheiro;
  • Autocarro = ônibus;
  • Rapariga = mulher jovem;
  • Moço = bicha;
  • Fotocópia = xérox;
  • Pantalona = calça comprida;
  • Pequeno almoço = café da manhã;
  • Guarda-redes = goleiro;
  • Carrinha = perua;
  • Sandes = sanduíche;
  • Montra = vitrine;
  • Écran = tela (de TV);
  • Apetecer = querer, desejar;
  • Fila = bicha.

Além destas, existem muitas outras palavras, as quais podemos perceber serem também muito próximas do espanhol. Há uma certa mistura; além de os portugueses utilizarem o português na sua forma mais correta, ao contrário do Brasil, onde utilizamos abreviações, abusamos das gírias, entre outros.

Em relação ao novo acordo ortográfico, Portugal foi o único país que se recusou a assiná-lo a favor, o que colaborou para que este assunto se desse por encerrado no país.

Claro que devo me orgulhar de ser brasileira e, realmente, me orgulho muito, mas nem por isso critico os que, de certa forma, nos “descobriram”. Eles são imensamente inteligentes e, confesso, que fiquei admirada com alguns portugueses que conheci: possuem pensamentos evoluídos, maduros e de acordo com a realidade que os cerca. Claro que, como no Brasil, isso tudo é relativo, afinal, mesmo sendo todos portugueses, possuem diferenças entre si, mesmo porque a forma de criação, a cultura que os cerca, entre outros aspectos, determinam o que são; assim como nós. A humanidade é assim! Aliás, o que é bonito é que todos buscam o amor, a serenidade, a paz e a felicidade, independente de onde estejam, da cultura na qual estão inseridos, na forma como agem ou na língua que utilizam para se expressar. Todos buscam a felicidade e, de uma forma ou de outra, buscam se ajudar.

Veja o vídeo de Robert Happé falando sobre sua percepção sobre a humanidade, pela experiência que tem com visitas a diversos países, clicando aqui.

Como tudo tem seu lado positivo e negativo, Portugal fica na Europa e, por isso, passa por um momento de crise, a mesma crise pela qual o Brasil passou facilmente, sem muitos problemas, por isso, o desemprego é algo que chama a atenção. 

No Brasil abrimos portas para todos, escancaramos as portas da amizade, das fronteiras invisíveis e recebemos todos com o coração aberto. A verdade é que, em nosso coração, há sempre espaço para ‘todo o mundo’, literalmente. Penso que é até por esse motivo, dentre as muitas diferenças do Brasil em relação a Europa de um modo geral, que um português ou qualquer outro estrangeiro que vá ao Brasil, se apaixona por nossa cultura, nossas pessoas, nosso clima, nossas festas, nossas conversas. Somos totalmente o contrário do que eles são, e sabemos que sempre achamos melhor tudo o que é do outro, e então, como temos muitas coisas favoráveis, o que chama a atenção do estrangeiro é o nosso jeito liberal, simpático, descontraído e amável de ser.

Penso que Maitê Proença ‘pisou na bola’ quando veio a Portugal e criticou o país com toda a força que pôde (veja o vídeo clicando aqui). Isso deixou marcas nos portugueses, que não querem mais vê-la ‘nem pintada de ouro’; mas, ao mesmo tempo, nós, brasileiros, sabemos que são piadas sobre portugueses que costumamos fazer e até rimos disso tudo, mas vamos procurar olhar tudo de forma diferente. As piadas só existem porque desconhecemos a realidade deles ou, simplesmente, não analisamos a realidade portuguesa com os olhos culturais deles, mas nossos, o que não nos mostra a realidade, apenas a ilusão que criamos; e assim é como funciona tudo na vida. Ao invés de utilizarmos de julgamentos precipitados, só devemos lançar olhares críticos, depois de conhecermos verdadeiramente o que se passa.

Curiosidades: os motoristas respeitam os pedestres (algo comum em Brasília-DF, mas totalmente diferente do restante do Brasil), ou seja, o pedestre pisa na faixa de pedestres, o motorista pode estar na velocidade que estiver, mas ele respeita e para. Existe pedágio em quase todas as estradas. Ao invés de ar condicionado, as casas, estabelecimentos comerciais e outros, possuem aquecedores. O dia dos namorados é comemorado em 14 de fevereiro, como nos EUA, ao contrário do Brasil que é em 12 de junho. Os portugueses adoram as novelas brasileiras a ponto de saberem o nome de importantes personagens, acompanham o carnaval do Rio de Janeiro e São Paulo pela TV. Em se tratando de jornalismo, as informações regionais só podem ser obtidas por meio de rádio e jornais impressos; eles não possuem programação de TV local, como acontece no Brasil. Faz parte da cultura portuguesa, acender velas para santos na parte de fora das casas e até pendurar roupas no varal para o lado da rua.

Enfim, são curiosidades para nós, e por serem curiosidades, muitas vezes nos assustam, já por ser costume deles, não os chama a atenção.

Se quiser conhecer mais, visite a Europa! ;D

OBS.: Essas descrições e percepções partiram, primeiramente, da minha observação, depois da convivência, experiência e ‘entrevistas’ (conversas) com alguns portugueses.

Contatos:
(12) 9749-3912 / (12) 9104-6202 / (12) 8822-6263

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2 comentários sobre “Um novo olhar sobre Portugal

  1. Michelly, é incrível como somos limitados naquilo que temos como verdade. É importante termos conhecimento e contato com aqueles que nos rodeiam para que possamos deliner uma melhor idéia sobre o motivo de seus comportamentos. Partindo do princípio que o conhecimento é a informação contextualizada, você colocou muito bem suas palavras, é importante tomarmos como exemplo, sempre que formos emitir um posicionamento sobre qualquer povoado ou costume regional, parabéns!

  2. Olá Michelly!!!!

    Curioso que para além das diferenças de vocabulário entre o Português Europeu (PE) e o Português Brasileiro (PB). Há também dentro de Portugal diferenças de vocabulário entre o Norte de Portugal e o Sul de Portugal. Por exemplo aqui ficam algumas palavras muito usadas no Norte de Portugal e que o sul desconhece ou não simplesmente não as usa.

    Estrugido = Refugado (Sul)
    Aloquete = Cadeado (Sul)
    Picheleiro = Canalisador (Sul)
    Pinchar = Pular (Sul)
    Cruzeta = Cabide (Sul)
    Guarda Chuva = Chapéu de chuva (Sul)

    Em meu entender estas diferenças em algum vocabulário entre o Norte e o Sul de Portugal tem com certeza a ver com as invasões que Portugal sofreu ao longo da História em que o Sul sofreu muita mais influência islâmica, o norte sofreu também influência islâmica (a partir do século VIII d.C. até ao X d.C.) mas esta durou muito menos tempo. O norte teve influência Suévica (séculos V a VI d. C) e o Sul de Portugal não teve esta influência Suévico.

    Já agora o nome de Braga vem já do período romano, apelidada de Bracara Augusta, ou explicando melhor o termo “Bracara” vem dos povos indígenas que habitavam já esse espaço e “Augusta” é devido a ser fundada pelo imperador César Augusto em 16 a. C.

    Beijinhos


    Hélder Lemos

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