Envelhecer com maturidade


Analisando o comportamento das pessoas de mais idade e, devido à leitura que realizei sobre esse tempo inevitável da vida humana a que todos nós estamos sujeitos, resolvi escrever.

Muitos jovens, por não trabalharem o sofrimento de hoje, ou seus defeitos, correm o risco de serem “velhos” com esse sofrimento e defeitos ainda mais acentuados. Um exemplo é o de uma pessoa que foi, em sua juventude, repleta de inseguranças e ciúmes, será um “velho” ainda mais inseguro e com reflexos dessa insegurança ainda mais acentuados.

Uma forma de trabalhar essa insegurança ainda na juventude é procurando orientação psicológica; mas, considerando que nem todos têm essa possibilidade, o ideal, primeiramente, seria o reconhecimento dessas falhas e, por meio de leituras e o esforço próprio, buscar a melhora. Mas, devemos lembrar que essa melhora só ocorrerá com o reconhecimento do indivíduo que sofre com essas limitações ou quaisquer outras que o façam se sentir mal, junto às pessoas que o rodeia.

Muitos amigos podem tentar ajudar a pessoa com limitações a encontrar uma solução para viver melhor, mas somente essa pessoa será capaz de provocar mudanças; ninguém pode viver a vida de ninguém, pode apenas ajudar a clarear as ideias. Apenas isso! Devemos ser conscientes de que não devemos sofrer o sofrimento que não nos pertence, ou seja, carregar o sofrimento do outro nas costas, afinal, se o outro passa por aquilo foi porque escolheu esse caminho. Tudo o que colhemos hoje, é fruto do que plantamos ontem. Se temos câncer hoje, foi porque escolhemos ou uma alimentação inadequada nos tempos jovens, ou porque optamos por passar longos anos com um cigarro na boca. Assim é a lei da vida. Não sofremos por acaso. Tudo é fruto de escolhas do passado, e o mesmo vale para a velhice. Só seremos velhos saudáveis, se tivermos trabalhado para isso desde a mais tenra idade, tanto no aspecto emocional, quanto no físico.

Não digo que não há solução para os mais velhos. Não é isso! Afinal, sempre existe solução pelo simples fato de estarmos vivos. Tudo depende de nós mesmos procurarmos a mudança (que é dolorida, afinal, sair da comodidade da imobilização é sempre difícil; mas, se queremos mudanças, devemos correr riscos, devemos sair do marasmo, da mesmice e buscarmos o nosso ideal. Isso sempre!).

A questão é que, quanto mais cedo começamos as mudanças, com menos sofrimentos estaremos sujeitando nossa velhice, mesmo porque, conforme a idade vai avançando, nosso metabolismo vai diminuindo; vamos nos tornando menos ativos e cada vez mais lentos, deixando nosso dinamismo da juventude, a cada segundo que passa, de lado. Por isso, que muitas vezes, os relacionamentos entre jovens com pessoas de mais idade, são sempre muito complicados, porque cada um tem a visão de seu tempo, o que não é errado.

Cada um deve viver o que lhe cabe viver, aproveitar o que deve ser aproveitado, curtir cada momento de acordo com sua época; caso contrário, há envelhecimento precoce e sofrimento futuro intenso. Não estou criticando o relacionamento com pessoas mais velhas, porque toda troca de experiência é válida sempre; o problema acontece quando, destes relacionamentos, privamos os mais novos de viverem suas experiências necessárias para seu aprimoramento pessoal ou quando a juventude se torna um apoio aos mais velhos que necessitam de segurança para se manterem ativos. E, cá entre nós, nenhum apoio é saudável; devemos aprender a caminhar com nossos próprios pés, pois assim, não provocamos sofrimentos e não sofremos também. Daí a importância de uma auto-estima sempre elevada, e isso só se consegue com disciplina e busca intelectual de se conhecer a si mesmo sempre.
Por isso, a importância de sabermos como administrar nossa vida, sempre pensando nas consequências de nossos atos, pois estes refletirão em nossa vida futura.

Podemos levar em consideração também a ideia de que a idade nem sempre é sinônimo de sabedoria, pode ser de experiência, mesmo que essas experiências não tenham sido aprimoradas da maneira correta; mas, nunca de sabedoria. Porque sábios são os que aprendem, desde muito cedo, que seus defeitos existem para ser transformados, que suas derrotas devem servir de incentivo para buscar a vitória sem nunca desanimar, e que seus sofrimentos, são trampolins para a mudança constante de percepção de mundo, afinal, todo sofrimento nos serve de alerta para perceber que algo caminha errado em nossas vidas.

Uma pergunta: quantas pessoas conseguem perceber isso com inteireza? Muitos sabem disso tudo, mas não colocam em prática. Então, do que adianta saber? Muitos velhos são, literalmente, velhos porque não conseguem reconhecer esses valores primordiais da vida. O ideal seria percebê-los e colocá-los em prática, pois assim, descobririam na velhice, uma oportunidade de rejuvenescer. Dessa forma, seriam capazes de reencontrar, na velhice, as várias faces que já tiveram na vida: a face jovem, criança e adulta; e questionar os erros, ensinando os acertos que a vida sempre proporciona, basta apenas que busquemos novas perspectivas.

Conheço muitos jovens capazes de dar “banho de água fria” em muitos velhos, e o contrário também acontece, porém com menos freqüência nos dias de hoje. Creio que isso é devido ao fato de os jovens de hoje estarem propensos à maior quantidade de informações, (apesar de esbarrarem com outros tipos de sofrimentos a serem trabalhados da mesma forma), e por isso, são levados ao amadurecimento precoce, o que os torna jovens maduros e, consequentemente, ainda mais rejuvenescidos; porque maturidade não é, nunca foi e nem será sinônimo de velhice.

Vale à pena refletir sobre tudo isso. Envelhecer e se tornar jovem é o que todos nós desejamos, mas, para isso, é preciso começar a agir cedo.

Se, ao nascermos, já estamos caminhando para a morte, por que não vivermos a vida da melhor forma possível, aprendendo com os erros e envelhecendo com louvor?

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