A arte do envolvimento: uma análise


Depois da série LOST ter conquistado o mundo com suas cenas de suspense, efeitos especiais e mistério, sendo considerada como a melhor série e ter mudado a forma de assistir TV, a Saga Crepúsculo lidera também a audiência e a moda do momento.

Comparações a parte, mas os números revelam a forma de pensar da audiência. Se Lost era uma série que atraía por mostrar aspectos psicológicos dos personagens, com mudanças no tempo cronológico recheado de mistério; a Saga Crepúsculo junta ficção com tendências no comportamento atual. Vou explicar.

Os filmes da saga atraem tanto o público jovem como o adulto porque mostra como todos nós nos sentimos diante da vida: queremos suspense, aventura, romance; mesmo que de forma inconsciente. Queremos nos apegar, amar, nos envolver, distrair, encantar e apaixonar todos os dias de formas diferentes. Queremos mudar, nos aventurar, crescer, conquistar, seduzir. A verdade é que os melhores filmes misturam um pouco de todas essas sensações, independente do gênero. Se analisarmos mais profundamente, veremos os atores dos melhores filmes se misturando em um novo filme, porque seus personagens de destacaram de alguma forma garantindo a audiência. Um exemplo foi o filme “Lembranças” que formou dois protagonistas pegando atores desses dois sucessos: juntou a personagem Clair de Lost com o Edward de Crepúsculo.

A saga é justamente um misto de tudo isso. O filme “Crepúsculo”, o primeiro da série, mostrou o quão envolvente é uma paixão. O romance entre Edward e Bella (os protagonistas) era o mais puro e verdadeiro, (coisa difícil de encontrar na vida real), nos ensinando a verdadeira forma de amar, se é que há fórmula para isso. Mas, a questão é que o filme (ou o livro) quis nos fazer entender como é viver um amor puro, sem tanta malícia; da paixão, do encantamento, ao amor incondicional, o qual se estende por todas as partes da saga (Lua Nova, Eclipse e Amanhecer) – e acredito que seja bem isso o que a saga quer mostrar: que o amor acontece devagar, diariamente, se torna monótono e se torna descontraído, se faz presente e ausente, é calmo, paciente e possui, ao mesmo tempo, seu momento ruim. Por isso, as diversas fases (ou algumas) da lua e do tempo, fazendo uma analogia ao comportamento fictício de vampiros (frios) e lobos (quentes). Podemos dizer também que o irreal nos atrai porque nos tira de nossa realidade e daí podemos explicar o sucesso da saga.

Com isso, podemos avançar para a “Lua Nova” e afirmar que este quis nos mostrar a ideia de que podemos amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo e de maneiras diferentes, podendo até nos deparar, em alguma fase de nossas vidas, dentro de um triângulo amoroso, o que também acontece no filme. Podem surgir dúvidas que venham a nos atrapalhar no quesito relacionamento ou amor. Aliás, assuntos do coração sempre são um tanto confusos. O filme mostra rivalidade, ciúmes e limites entre ser humano e ser imortal, nos levando a refletir se viver por muito tempo vale a pena, nos fazendo sentir a melancolia de perder todos os que amávamos e vivermos para sempre, sem novidades, sempre do mesmo jeito e sem poder evoluir (uma ideia irreal, mas que vale a reflexão para nos fazer aceitar nossa condição de humanos mortais e capazes de evoluir sempre).

Já “Eclipse”, atualmente nos cinemas, nos faz pensar justamente nessa ideia de imortalidade e na inversão de valores ou mudança na forma de pensar de pessoas de épocas consideradas “antigas” e “atuais” ou “modernas”. Digo isso porque Edward se apresenta como um vampiro imortal que possui uma idade de mais de décadas e, no episódio atual, se diz ser “da época em que se esperava o casamento para ter relações sexuais com quem amava, se casava por amor, pedia a mão da filha ao pai e tudo era muito especial”. E é exatamente dessa forma que ele quer que seja com Bella, que é décadas mais nova, porém “moderna”, querendo ter algo além de um simples beijo com Edward, apesar de ser virgem. Essa alternância de valores mostra como o mundo está e nos faz refletir esses contrastes expostos no filme de maneira singular.

Todos nós estamos em constante mutação: nossa tendência é a de nos apegar, nos envolver e não paramos quando atingimos um determinado objetivo; sempre vamos querer mais, mais alguma coisa, de outro jeito e de formas diferentes. Nunca estaremos satisfeitos. Rubem Alves escreveu um texto uma vez, que agora não me recordo o nome, mas falava de desejos; “sempre teremos algo a desejar e, se um dia pararmos de desejar, é porque estaremos mortos”.

O ser humano é um poço de desejos. Existe uma cena em “Eclipse” que nos faz refletir justamente isso: é quando Rosalie Hale, sempre com olhar de reprovação para Bella se afasta em um momento de descontração da família dos “Cullen” e Bella resolve se aproximar dela para acabar com essa situação. Bella pergunta porque ela sente raiva dela e Rosalie responde que não sente raiva, mas inveja e afirma que Bella pode se arrepender de se tornar uma deles (vampira), porque ela se privou de muita coisa de seu passado, e então Rosalie se abre com Bella (mais uma comprovação da necessidade que o ser humano tem de se envolver: quando nos abrimos com alguém, já é uma forma de criar laços com a pessoa; e isso acontece em vários momentos com Bella e outros personagens). Bella diz a vampira que tudo o que ela mais quer é ser um deles e que “é tudo o que ela mais deseja”, e então Hale afirma que “o desejo dela nunca vai acabar, ela sempre vai desejar algo mais” e esse mais, no caso deles (no contexto) significa sangue que é a comida deles, que pode ser um perigo para quem é considerado como um “recém-vampiro”.

Ficção ou não, até mesmo histórias irreais tentam passar mensagens reais. Costumo refletir muito em cima de tudo o que vejo, assisto ou leio. Acredito que minha profissão exija de mim essa visão crítica de tudo.

Como jornalista, devo admitir que sinto vergonha em afirmar que não li nenhum dos livros da saga porque assisti, antes, aos filmes e, infelizmente, meu mal é não conseguir ler nada depois de ter assistido. Com certeza, ler um livro é sempre a melhor opção antes de assistir ao filme correspondente e quem leu todos os livros, certamente, tem uma visão diferente e um pouco mais ampla que tudo isso o que eu disse. Mas, creio que tudo seja questão de pontos de vista diferentes ou maneiras diferentes de analisar um mesmo produto, que no caso, é a essência da história ou a mensagem que a autora quis passar, mesmo que de uma forma não muito consciente.

Independente se é Lost ou Crepúsculo, nossas tendências são sempre as mesmas: nos envolver, seja com pessoas, com o momento ou com histórias. E, querendo ou não, sempre que assistimos a um filme, lemos um livro ou conhecemos alguém, acabamos, de uma forma ou de outra, analisando o conteúdo sob nosso ponto de vista, absorvendo o que nos é compatível; e isso não deixa de ser uma forma de envolvimento. Uma prova disso é analisarmos a quantidade de nomes de “Isabella” e “Jacob” que surgiram em recém-nascidos nos últimos tempos, por exemplo.

Em todo caso, a Saga Crepúsculo também já me pegou. Lendo os livros ou não, mas assistindo a todos os filmes até o momento, estou ansiosa pelo último, o “Amanhecer”. Fazer o que, é o desejo humano tomando conta de mim. Mas, só um aviso: se você ainda não leu e nem assistiu a nenhum desses episódios, tenho certeza de que, depois de ter lido esse texto, não vai deixar de conferir. Só devo fazer um alerta: cuidado para que a Saga não te pegue também!

Ouça esse texto, clicando aqui.

Leia mais:

Personagens de Crepúsculo inspiram nomes de recém-nascidos nos Estados Unidos

Livros: Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer

Twilight Brasil

Trailer Oficial do filme Amanhecer 

Fotos da Saga

Contatos:
(12) 9749-3912 / (12) 9104-6202 / (12) 8822-6263 / (12) 8195-2908

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2 comentários sobre “A arte do envolvimento: uma análise

  1. Boa tarde Michelly, achei por acaso teu blog, achei muito bacana.

    Vc escreve muito bem, e pelo que vc escreveu no teu perfil, tem uma vida bastante corrida eih.

    Beijo e tudo de bom pra ti

    Curtir

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