PCB – A Política Corrupta Brasileira


Hoje fui assistir ao filme “Tropa de Elite 2” e voltei cheia de inspiração para escrever sobre minhas percepções. Claro que não poderia ser diferente!

O filme explorou mais a política brasileira do que a conduta do BOPE (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) ou sua maneira de combater a criminalidade, como aconteceu no primeiro filme. E eu gostei demais disso, porque se fosse em outros tempos, esse filme teria sido proibido pela censura e o autor poderia até ter sido morto, se antes não fosse exilado do Brasil.

No entanto, existem outras formas de censura no país, que passam pelos nossos olhos sem que tenhamos a perspicácia para notar ou meios de saber. Um exemplo são os políticos que estão no poder e que, detalhe, foram eleitos por nós, e esbanjam o dinheiro público em benefício próprio fazendo de tudo para que sejam bem vistos diante da mídia e da população, a fim de que se mantenham por mais tempo às custas da ignorância dos brasileiros, ou da maioria dos brasileiros. Porque a verdade é essa: os políticos estão no poder para nos fazer de trouxas; poucos são os que realmente pensam no bem comum.

A censura hoje está na corrupção, ou seja, no suborno que gira em torno da individualidade que se sobrepõe à humanidade, favorecendo o egoísmo que nutre, cada vez mais, os atos de violência.

A censura sempre visa o bem pessoal, próprio do indivíduo ou de um grupo político que está voltado mais para sua ostentação de poder e dinheiro do que para o benefício do bem estar da população. O que acontece de bom é mera politicagem – o que parece bom é para dar a impressão de que o governo está fazendo o que é certo, então ele presta.

‘Se está bom para mim, viver na pobreza e ainda ganhar um “Bolsa Família”, porque mudar?’ E é aí que o governo se sustenta por mais 4, 8, e até 12 anos. Percebeu alguma semelhança ou, como diz no próprio filme, “qualquer semelhança é mera coincidência”?

O filme diz que sua história é ficção com um ar de sarcasmo, mas, na minha opinião, tudo o que acontece nesta dita ‘ficção’ é a mais pura realidade. E essa realidade não é atual. Alguém se lembra do Tim Lopes? Ele foi um jornalista investigativo que foi assassinato por saber de informações importantes. Foi “queima de arquivo”, como dizem. Ele trabalhava numa reportagem que visava favorecer os moradores da Penha no Rio de Janeiro.

“De bermuda, com uma velha camisa amarela e sandálias, como um típico carioca do morro, o jornalista Tim Lopes, 51 anos, saiu da sede da TV Globo no dia 2 de junho de 2002 para fazer a sua última grande reportagem investigativa. Levava uma microcâmera escondida dentro da pochete presa à cintura para filmar um baile funk na favela da Vila Cruzeiro, uma das 12 favelas integrantes do morro conhecido como Complexo do Alemão, no bairro da Penha, subúrbio do Rio de Janeiro. Ele havia recebido uma denúncia dos moradores da favela de que nos bailes patrocinados por traficantes acontecia a exploração sexual de jovens e o consumo de drogas. Os moradores pediam ajuda.

Aquela seria a quarta vez que Lopes subiria à favela para realizar esta reportagem. Nas duas primeiras, fez o reconhecimento de área. Na terceira, levou a microcâmera, mas as imagens não foram consideradas boas o suficiente para sustentar a denúncia – ele não tinha imagens do baile. Por isso, voltou ao local. A combinação era que o motorista, contratado pela TV Globo especialmente para o serviço, o pegasse no morro às 20h. No horário previsto, entretanto, Lopes avisou que precisaria de mais tempo para completar o trabalho. Pediu que o buscasse novamente às 22h. O motorista voltou como foi combinado, mas o jornalista não apareceu.

Marcelo Moreira, 32 anos, chefe de reportagem da TV Globo no Rio de Janeiro, conta que, quando o motorista ligou para a redação avisando que o jornalista não havia aparecido, foi recomendado que ele esperasse por Lopes até a meia-noite. “A questão do horário é rígida, mas ele foi num baile funk, não tinha horário para acabar, e fomos levados a crer que o baile tinha se estendido por causa do jogo do Brasil (durante a Copa Mundial de Futebol)”, explica Ali Kamel, 40 anos, diretor-executivo de Jornalismo da TV Globo.

Moreira chegou mais cedo na redação, por volta das 4h, devido ao jogo, que começaria às 6h. “Quando desconfiamos que algo de errado havia acontecido, ligamos para todo mundo”, disse Moreira.

O que se seguiu foi o início da busca de Lopes que culminou, uma semana depois, com o anúncio de sua morte e a troca de farpas entre autoridades locais e nacionais na tentativa de encontrar os culpados e pela ineficiência do poder público diante do poder estabelecido pelos traficantes de drogas.

A morte de Lopes foi confirmada depois da prisão de Fernando Sátiro da Silva, o Frei, e Reinaldo Amaral de Jesus, o Cabê, dois integrantes da quadrilha do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, um dos líderes do grupo criminoso Comando Vermelho, que detém o poder no Complexo do Alemão. Os depoimentos dos presos indicam que o jornalista pode ter sido identificado pelos traficantes como sendo o autor da reportagem “Feira de Drogas” veiculada pela TV Globo em agosto de 2001. Na reportagem, Lopes filmou, com uma microcâmera escondida, a venda de drogas nas ruas do morro do Alemão. Depois que sua reportagem foi ar, foram presos traficantes e o negócio foi interrompido por um tempo, causando prejuízos aos narcotraficantes.

Segundo os depoimentos colhidos pela polícia, os traficantes teriam levado o jornalista da favela Vila Cruzeiro para a favela da Grota, onde estava Elias Maluco. Ali teriam feito um “julgamento” para decidir se o matariam. Ele foi barbaramente espancado e torturado. Seu corpo foi esquartejado e queimado em pneus numa gruta, método conhecido como “microondas” e muito usado por traficantes para matar policiais ou informantes e eliminar rastros que podem servir de provas contra seus assassinos.

A prisão de Elias Maluco, que passou a ser chamado de “bandido mais perigoso do Rio de Janeiro”, e dos demais assassinos do jornalista foi definida como uma “questão de honra” por representantes do governo do Rio do Janeiro. Durante uma semana, a polícia realizou incursões diárias no morro, em busca do corpo do jornalista e dos culpados, ou de testemunhas que possam levar aos assassinos. Até o dia 17 de junho de 2002, foram identificados nove integrantes da quadrilha de Elias Maluco que teriam participado do assassinato de Lopes. Dois estão presos.

Ângelo Ferreira da Silva, preso em 13 de junho, confessou que estava no carro Palio que teria transportado Lopes da Vila Cruzeiro para a favela da Grota, onde estava Elias Maluco. Segundo Silva, Lopes estava amarrado e ferido à bala na perna quando foi colocado no carro. Ele relatou as cenas de tortura pelas quais passou o jornalista, mas disse que não estava presente quando Lopes morreu. Revelou também os nomes de outros dois envolvidos no assassinato.

Elizeu Felício de Souza, o Zeu, preso em 14 de junho e apontado como um dos seguranças de Elias Maluco que teria assistido à execução de Lopes, confessou que comprou gasolina e diesel em um posto de gasolina perto da entrada da favela Nova Brasília, que integra o Complexo do Alemão. Zeu disse ter entendido que um inimigo da quadrilha teria o corpo queimado, mas não confirmou se era o de Lopes”.

(trecho retirado do site http://www.timlopes.com.br/casotimlopesmobilizatodoopais.htm)

Clique aqui para assistir ao depoimento de William Bonner no Jornal Nacional sobre o fato em 2002

O filme Tropa de Elite 2 não foge muito dessa realidade. Em torno da política também existem os que buscam por justiça, como os jornalistas, por exemplo. Lógico que eu não poderia deixar de comentar este fato.

Devo dizer que a jornalista do filme não foi feliz em suas atitudes. Um profissional deveria usar de cautela em situações como aquela. E, mesmo assim, correria riscos. Aliás, vale lembrar, que o jornalista investigativo corre riscos o tempo inteiro.

Os dois casos, do Tim Lopes e o do filme, foram casos de queima de arquivo. A justiça, mais uma vez, perdendo para a corrupção. E o pior de tudo é que este fato não ocorre só no Brasil, mas no mundo inteiro. De forma menos intensa ou não, sempre estaremos envolvidos ou próximos da corrupção. O ser humano, infelizmente, ainda tem muito para evoluir.

Mas, devemos fazer nossa parte sempre que possível, no que estiver ao nosso alcance. E todos nós podemos. Sabe como? Na hora em que tivermos que decidir o futuro do nosso país nas urnas, por exemplo.

Dificilmente existirá perfeição de ações políticas, principalmente em um universo repleto de facilidades e glamour como este. É preciso de firmeza de conduta e moral familiar sólida para não se deixar levar pela esperteza corrupta. Sempre vai existir também a “trambicagem” por debaixo dos panos e jamais saberemos o que realmente está acontecendo com a economia e política brasileiras. Mas, ter esperança faz parte da vida e fazermos a nossa parte também. Pelo menos, hoje, temos a opção de escolher e nada nos é imposto e, isso, nós não podemos deixar que tirem de nós. Vamos fazer a nossa parte e lutarmos pela consciência do povo brasileiro. Se for preciso, que façamos como aconteceu com o Collor: promovermos um impeachment, sem medo nem piedade.

O problema do brasileiro hoje, é que ele tem medo da mudança!

A corrupção começa sempre pelo povo. Dizem que “o povo tem o governo que merece”. Vai ver todos nós somos corruptos e não sabemos…

A política, como a corrupção, está em tudo: na polícia, na direção de uma empresa, de uma escola. E o que elas têm em comum? O benefício próprio! Enquanto a sociedade não evoluir psíquica e emocionalmente, não será possível haver mudança.

A violência só existe por falta de investimento na Educação, seja financeiramente ou em se tratando da forma de ensino; e também pela falta de investimento em Segurança. Tanto os professores quanto os policiais ganham muito mal no país – e daí surge a corrupção, aliada a bases familiares fracas, ou seja, a moral não está fortalecida.

Confira, abaixo, o trailer do filme:

Que país é esse?


Contatos:
(12) 9749-3912 / (12) 9104-6202 / (12) 8822-6263 / (12) 8195-2908

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2 comentários sobre “PCB – A Política Corrupta Brasileira

  1. Você sabia que, em média, os ganhos mensais de um deputado e/ou senador Brasileiro (incluindo o salário mensal de R$26.723 mais os 14º e 15º salários, Cotão, Verba indenizatória, Verba de transporte aéreo, Cota postal, Cota de telefone fixo, Cota de telefone celular, Auxílio-moradia, Carro oficial, Combustível para carro oficial, Servidores de gabinete, Verba de gabinete, Ressarcimento de despesas médicas e Ressarcimento de despesas odontológicas e psicoterápicas) ultrapassam a limiar de R$ 110.000. E este é o “salário” do político mais barato do congresso. Essas cifras podem chegar à até R$ 159.061. Gostaria de enfatizar que este custo é mensal! Indignado? Junte-se a causa “Apóie a redução do salário dos políticos Brasileiros” no facebook.

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  2. Olá Michelly, como vai?
    Ficou muito bom o seu texto, mostrando a sua perspectiva em relação ao mundo da corrupção. Realmente é indignante sabermos que exista tudo isso que foi retratado no filme, e não fazermos nada. Só tenho uma observação a fazer. Quando vc falou “O problema do brasileiro hoje, é que ele tem medo da mudança!” eu acredito que na verdade não seja isso, seja preguiça de correr atrás das coisas. O povo brasileiro é muito acomodado, para ele sempre está tudo bom tudo legal e melhorando a cada dia que passa, otimismo sempre acima de tudo, porém, ninguém quer dar seu braço a torcer para combater esse tipo de crime.
    Infelizmente, os poucos que lutam pelos direitos e correm atrás dos fatos, ou são “apagados”, censurados ou até desistem pela falta de força do resto da população.
    O que ocorre também é que a mídia é como um controle remoto, ela que controla a situação do país. Por exemplo, no impeachment do Collor, foi a mídia que divulgou as falcatruas dele, e por este motivo o povo se mobilizou. A realidade mesmo é o interesse escondido por trás disso. Eu acredito que as emissoras recebem “incentivos” para abafar os casos mais graves de corrupção, sendo bom para os dois lados. Para mim, isso é politicagem, um jogo de interesses.

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