Vencendo preconceitos


Durante um bom tempo da minha vida cheguei a detestar tudo o que se relaciona com Esportes. Porém, conforme o tempo passa e a maturidade chega, junto com a minha profissão que no caso é o Jornalismo, vou percebendo quão importante é para esse profissional a constante busca pelo conhecimento – o entender de tudo um pouco e se aprofundar em tudo o que for preciso dentro do tempo que se tiver para isso.

Por mais que haja controvérsias em relação a essa questão, não acredito em um foco jornalístico ou, pra ser mais específica, em uma especialização única para o jornalismo em si. Aprendemos desde sempre na faculdade, que o Jornalista é um especialista em generalidades e não há como fugir dessa realidade, principalmente quando se está começando nessa profissão.

Aliás, o que me atraiu para essa profissão, além do fato de ser muito instigante promover mudanças na sociedade, desvendar mistérios e provocar o poder, foi a graça de se descobrir coisas novas, inusitadas e diferentes o tempo todo, sempre se deparando com o novo todos os dias, sem nunca cair numa rotina. E pra ser sincera, detesto rotina e acredito que isso nunca mude como característica em mim.

Mais interessante é descobrir que essa profissão te proporciona descobrir e se maravilhar com todas as descobertas, ampliando a mente do profissional que evolui em cada nova investigação.

Aprender sempre: essa deveria ser a principal premissa de todo  e qualquer jornalista. Porque se você não tem conhecimento, não tem como se aprofundar em suas reflexões, em seus textos e apresentações. Quanto mais alguém estuda sobre qualquer assunto, mais propriedade tera para falar, escrever e até mesmo interrogar uma fonte sobre a pauta que estiver em questão.

Por isso e mais uma vez afirmo que não existe especialização jornalística. O que torna um jornalista diferente e acima dos demais é sua eterna busca pelo conhecimento. O jornalista que lê, que procura conhecer suas fragilidades, ou melhor explicando, o seu ponto fraco no que diz respeito ao que sabe sobre determinado assunto, será aquele que se destacará quando menos se perceber.

Disse tudo isso para dizer que cheguei nesse ponto. Digo que “cheguei nesse ponto”, porque não são todos que têm essa percepção. Geralmente, as pessoas procuram estudar tudo aquilo que gostam mais, quando na verdade, deveria ser o contrário, em se tratando de jornalismo. Ou melhor, deveria ser um pouco dos dois: conhecer cada vez mais sobre tudo aquilo que se tem facilidade e mais tudo aquilo que não gosta, justamente, por não ter facilidade de domínio.

E é exatamente isso o que tenho feito ao longo desses anos. Sou um pouco questionada sobre ter foco. Mas, não concordo com isso e replico: “qual é o verdadeiro foco do jornalismo?”. Não existe!

Hoje posso ter que falar sobre a Política Econômica do Brasil e amanhã podem me escalar para cobrir a Copa do Mundo no Brasil. E o que vou fazer? Dizer não e perder a oportunidade de ganhar mais, por exemplo?

Não!

A questão é: devemos nos preparar para tudo o que estiver ao nosso alcance. É lógico que cobra-se muito do jornalista. As pessoas acham (e nem imagino por que), que o Jornalista deve saber de tudo. ERRADO!

O jornalista não deve saber de tudo. Ele deve saber um pouquinho de tudo –  o que não significa ter domínio sobre todos os assuntos. Ele deve saber o essencial para que ele seja capaz de fazer as devidas perguntas e ponto. O que o jornalista deve ter com toda e plena certeza é a fonte certa. Isso, sempre!

Agora, o diferencial sempre será a profundidade. Devo admitir que é impossível ter profundidade em tudo. Mas, pra que a pressa? Você tem a vida inteira para se aprofundar, e saber, nunca é demais! Definir prioridades acontece quando se tem algum emprego que te demanda determinados conhecimentos, mas, fora isso, você é livre para estudar tudo o que quiser, no tempo que quiser e quando quiser.

O que não deve acontecer é achar que não vai conseguir dominar determinado assunto, por causa dos preconceitos que o rodeiam, como acontece no Esporte em relação às mulheres.

Hoje, mais do que nunca, as mulheres estão conquistando seu espaço em todos os setores profissionais. No esporte, não é diferente. Lógico que o preconceito, o machismo, ainda impera. E isso se deve justamente ao passado, à história das mulheres na sociedade de uma forma geral. Infelizmente, hoje, ainda se contrata uma mulher para trabalhar na área de Esportes de um veículo de imprensa ou por sua beleza, ou por seu conhecimento. E, infelizmente, são poucas as mulheres nesse setor, apesar do crescimento do gênero.

Os homens ainda insistem em dizer que as mulheres têm dificuldade em dominar assuntos relacionados à esporte, que elas não entendem, etc e etc, mas vou fazer uma afirmação que escutei sair da boca de Fátima Bernardes em uma entrevista que concedeu no ano passado – não me lembro se foi ao Fantástico – por causa de sua cobertura do Mundial na África do Sul. Ela disse: “Mulher pode fazer coberturas de futebol, sim. Basta querer”. E é exatamente isso, como é com qualquer outra pessoa, homem ou mulher, sobre qualquer outro assunto, basta querer!

Digo isso porque estou passando por essa situação. Nunca gostei de futebol, mas resolvi estudá-lo, justamente, porque não sei o dia de amanhã e, confesso, estou adorando o resultado disso. Tenho desenvolvido algumas pequenas habilidades para conversar sobre o assunto. Lógico que não com tanta desenvoltura e segurança e nem com propriedade sobre todos os campeonatos, porque é impossível acompanhar todos e assistir a todos os jogos. Aliás, em grandes jornais, sempre haverá um jornalista para cada esporte diferente. Não tem como cobrir tudo e com perfeição.

E acho uma bobagem isso que escutei hoje de um jornalista em um curso que fiz em São Paulo, que jornalista que cobre esporte e, especificamente, o futebol, tem que, obrigatoriamente, gostar de futebol. Absolutamente não concordo com isso. Eu posso muito bem entender de futebol porque devo entender para escrever sobre isso e não gostar do mesmo. Qual o problema? Da mesma forma que entendo de política, escrevo sobre o assunto, mas não gosto tanto assim. Jornalismo é isso: nem sempre trataremos de questões que gostamos.

Porém, devo afirmar uma verdade: é possível você não gostar de determinado assunto, mas com o tempo de estudo e aprofundamento você vir a gostar. Isso acontece direto comigo. A medida que me aperfeiçoo sobre determinada coisa, mais vontade eu sinto de falar sobre aquilo. Confesso que estou me apaixonando um pouco pelo esporte e, mais especificamente, pelo futebol; mesmo que saiba muito mais sobre o futebol paulista e quase nada sobre o carioca  e o restante do futebol brasileiro, mas, eu sei.

E nada como acompanhar um assunto para passar a dominá-lo, no caso do jornalismo de uma forma geral.

Por isso, volto a dizer, jornalista é jornalista independente do gênero, cor ou religião. Para exercer bem o jornalismo em qualquer especialidade, basta ser um excelente repórter e ponto final.

A paixão pelo que se faz em qualquer cobertura, depende do seu aprofundamento em determinado assunto no momento do desenvolvimento de determinada pauta e, da mesma forma como não da para agradarmos a todos, não da também para gostar de tudo o que cobrimos.

O segredo é fazer o nosso melhor sempre e sem preconceitos para ousar, arriscar em algo que jamais tivemos contato ou sonhamos em algum dia ter.

Existe uma frase que eu adoro e que gostaria muito de compartilhar com vocês justamente por acreditar ser uma contextualização de tudo o que já escrevi:

“Muito mais importante do que se fazer o que se gosta é gostar do que se faz”. (desconheço o autor)

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“Sucesso é quando preparação encontra oportunidade”. (Lair Ribeiro)

Contatos:
(12) 9749-3912 / (12) 9104-6202 / (12) 8822-6263 / (12) 8195-2908

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