Orquestrador de Falas


Ao ler essa definição em um artigo científico com a intitulação “Esporte como construção específica no campo jornalístico”, logo fui estimulada a escrever sobre isso.

Achei interessante a qualidade dada ao Jornalista que, nada mais é do que um especialista em generalidades.

Ultimamente, muito tem se falado sobre especialização, mas bato nessa tecla do “articulador de falas”. Vou explicar:

Você não precisa ser um expert em Política para ser um jornalista político; saber tudo sobre Economia, para ser jornalista econômico e, muito menos, manjar todas as táticas esportivas de todas as modalidades, acompanhando todas as competições, para ser um jornalista esportivo (mesmo porque, isso é praticamente impossível).

Para você ser bom em qualquer editoria, basta você ser um excelente repórter, ou seja, um excelente jornalista orquestrador de falas. Isso mesmo!

É preconceito dizer que mulher jornalista, como toda mulher, não é capaz de entender esportes; porque o simples fato de ela ser jornalista a torna tão boa entendedora do assunto, quanto o mais macho dos machos desempregado que passa o dia inteiro em frente à TV acompanhando todos os campeonatos. E isso vale para qualquer especialização.

Então, para se sair bem em qualquer matéria de qualquer especialidade, basta ser um repórter exemplar.

Registro abaixo uma definição interessante que encontrei no Observatório da Imprensa (na íntegra). Confira:

THE WASHINGTON POST
Para ser um bom repórter

em 25/11/2008

Sobre artigo de Deborah Howell, de Washington (EUA)

A ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, avaliou, em sua coluna de domingo [23/11/08], o que faz de um jornalista um bom repórter. Para ela, repórteres competentes são o coração de uma boa apuração. Se algo é notícia, eles têm de saber. Sem eles, o público não teria acesso às informações essenciais para uma democracia. Seja a matéria local, nacional ou internacional, ela tem de ser apurada por um bom repórter, defende Deborah.O que define, então, um bom repórter? Curiosidade sem fim e uma necessidade profunda de saber o que está acontecendo, além da habilidade de ouvir uma pequena informação e segui-la. Quando a repórter Dana Priest obteve informações sobre o que viria a se tornar o escândalo do hospital militar Walter Reed, ela não pôde ignorá-las e, juntamente com Anne Hull, investigou com afinco as denúncias de maus tratos a veteranos de guerra do Iraque. Ambas têm outra qualidade fundamental para um bom repórter: empatia. Elas se importavam com os soldados e demonstraram habilidade em contar a situação de modo a tocar os leitores.

Energia e compromisso

Na opinião de Ben Bradlee, editor-executivo aposentado do Post, a qualidade mais importante de um repórter é a energia. “Eles têm que amar o que fazem; têm de ser sérios ao abrir portas, enfrentar obstáculos. A matéria é o que te guia, é parte de sua alma”. Repórteres devem ir onde a matéria está – mesmo que isto signifique ir a uma montanha no Afeganistão a cavalo, em meio à neve. Foi o que fizeram o repórter Keith B. Richburg e o fotógrafo Lucian Perkins, em 2001, para alcançar a linha de frente da guerra entre o Talibã e seus inimigos.

Além disso, os bons repórteres têm um compromisso com a pauta – o que implica, por vezes, arriscar a própria segurança, como fez o jornalista da AP Terry Anderson. Em visita ao Líbano devastado pela guerra, em 1985, Anderson foi seqüestrado e ficou seis anos e meio em cativeiro. Já Anthony Shadid, correspondente estrangeiro do Post e veterano em conflitos armados no Oriente Médio, chegou a ser ferido a tiros quando trabalhava para o Boston Globe. “Durante as guerras, o trabalho está lá. Eu luto com a dor do que você vê para dizer algo mais”, afirma. Shadid irá, em breve, para o Iraque. “Se não formos, a história não será divulgada. Ou então será, mas não da maneira que você crê que deveria ser. Acho que é uma mistura de responsabilidade, curiosidade e ambição. Também é uma obrigação. Somos um dos poucos jornais com recursos e ambição para ainda cobrir a guerra”.

Fontes de confiança

O veterano repórter do Post Bob Woodward – que ficou famoso com o caso Watergate – acredita que os bons repórteres não deixam a pressa e a impaciência prejudicá-los. Eles têm a disciplina de ir a múltiplas fontes e de obter documentação meticulosa – notas, calendários, memorandos. Bons repórteres são sagazes o suficiente para encontrar fontes nas quais podem confiar. Para isso, é necessário construir a confiança. Bons repórteres sabem como ter acesso a pessoas e documentos.

O repórter Keith Alexander, que escreveu sobre o caso de duas garotas encontradas mortas e escondidas no freezer de casa, passou dias analisando documentos judiciais para tentar entender por que a mãe delas, acusada pelo assassinato, teve permissão para adotá-las. Os documentos tinham histórias tristes das famílias biológicas das meninas e ele conseguiu ir até elas para obter uma visão mais profunda da tragédia. O primeiro compromisso de um repórter é ir atrás da história para os leitores, e esta é a razão de muitos aniversários perdidos ou casamentos desfeitos. “Ser repórter é uma vocação”, conclui Deborah.

Minha conclusão: Para fazer jornalismo esportivo, econômico, político, cultural, ou o que for; basta fazer o que disse Mauro Beting, em um curso de Jornalismo Esportivo que realizei em São Paulo, capital: “É possível fazer jornalismo esportivo apenas sendo um excelente repórter ou possuir conhecimentos básicos de reportagem”. E isso vale para qualquer especialidade, não somente a esportiva.

Mas, gosto muito de dizer que, como orquestradora de falas, como o próprio nome já diz, uma jornalista como eu, para ser boa naquilo que faz e desenvolver excelentes matérias, deve possuir as fontes certas para cada contexto a ser abrangido. E isso, nada mais é, do que um dos critérios do bom repórter.

Não é a toa que o artigo científico em questão denominou os jornalistas de “orquestradores ou articuladores de falas”, porque além de saber com quem deve se falar a respeito de determinado assunto, o jornalista deve construir a matéria com as melhores ou primordiais ideias, ou seja, fazer a devida edição. E não existe melhor profissional capaz de realizar excelentes edições como o jornalista faz.

Só o jornalista é capaz de entrar em diversos mundos repletos de ideias complexas e transformá-las em linguagens simples, capazes de atingir a população mais carente e sem instrução. O jornalista é o responsável por juntar todas as ideias e transformá-las em uma só, transmitindo assim a mensagem desejada, sem mostrar parcialidade. Certamente, a parcialidade existe, mas sempre fica e deve ficar, nas entrelinhas.

O Orquestrador de falas entrevista economistas, atletas, técnicos, políticos e artistas; escuta diversas vozes, as expõe de acordo com a necessidade da pauta e promove mudanças sociais, conhecimentos e são capazes de, com tudo isso, modificar realidades. Essa é a função do jornalista!

O jornalismo de esporte não segue as regras específicas do jornalismo, porque é mais ligado ao entretenimento, mas não se restringe ao esporte exclusivamente. O jornalista que cobre essa área deve se atentar não ao resultado dos jogos e campeonatos de uma forma geral, como também deve estar atento à política, economia, ao marketing, aos aspectos médicos, dentre outras questões que abrangem o esporte. Por isso, também existe jornalismo nessa área, porém de uma forma mais livre, mais dinâmica e gostosa, de forma a permitir ao telespectador, leitor ou ouvinte, a diversão.

Contatos:
(12) 9749-3912 / (12) 9104-6202 / (12) 8822-6263 / (12) 8195-2908

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