Minha Inspiração é Moderna!



Se eu já vivi outra vida, certamente fui uma frequentadora assídua de teatros, museus e concertos.

Sinto que esses ambientes fazem parte de mim. Existe algo neles que me desperta emoção a alegria. Devo ter conhecido Oswald de Andrade, quando escrevia sobre o amor, sobre São Paulo e o “E agora José?”, e ele, certamente, influenciou meu amor por São Paulo. Devo ter conhecido Tarsila do Amaral, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes e porque não Fernando Pessoa?

Quem sabe não fui Anita Malfatti, a eterna apaixonada por Mário de Andrade?

Devo ter sido a musa inspiradora, a atriz principal, a dançarina da noite ou até ter feito parte das rodas de conversas das quais Manoel Bandeira participava. Devo ter sido também uma das musas de Di Cavalcanti, quando pintou “As moças de Guaratinguetá”. Quem sabe?

Sem querer ser pretensiosa, mas sinto que já frequentei a alta sociedade, clubes requisitados e conheci pessoas influentes. Devo ter sido reconhecida por algo extraordinário que tenha feito. Posso até ter sido Cecília Meirelles, e ter recebido grandes influências de Cora Coralina.

Apesar de conhecer muito pouco dos poemas, creio ter dividido conhecimentos repletos de cultura com estes seres marcantes. Devo ter andado muito pelas praças das cidades com aqueles vestidos longos até a canela e ter sido muito cortejada pelos rapazes. Devo ter defendido a todo custo alguma ideia que, para a época, era extremamente revolucionária; devo ter ganhado muitos inimigos por isso. Devo ter sido massacrada, talvez, mas lutei.

Quem sabe então não fui Adalgisa Nery vivendo “A imaginária” vida de seu alter ego, uma eterna sonhadora como eu, e uma importante jornalista que lutou pela verdade e contra as mazelas da política, que até hoje insistem em existir?

A cultura deve estar intrínseca em minha alma. Desde sempre sou apaixonada pela inteligência e pelo conhecimento. A criatividade me guia e o mundo tem um profundo poder de me encantar. O novo me transforma, e viajar está entre um dos meus objetivos nessa vida.

Jorge Amado, Graciliano Ramos entre tantos outros, devem ter passado por mim. Clarice Lispector deve ter se inspirado em mim para escrever “A Hora da Estrela”…tudo isso porque me identifico com suas histórias de vida, suas posturas, suas escritas.

Alguma coisa deve ter me levado um dia aos palcos. Afinal, os grandes escritores influenciaram o teatro, até hoje. Machado de Assis e Monteiro Lobato são alguns deles.

“O que são as vaidades meu Deus!
Essa gente do Rio nunca perdoará SP ter tocado
o sino. Não falo de você. Você já não é do Rio.
Você é como eu: do Brasil.”

—Mário de Andrade a Manuel Bandeira, 18/4/1924

“Dom Casmurro” de Machado de Assis e “O primo Basílio” de Eça de Queiroz são histórias que mais parecem reais. Acredito que sejam percepções que partiram de observações dos autores, os quais complementaram as histórias com altas doses de emoções relacionadas ao que gostariam que fosse real.

Gosto do cavalheirismo dessa época, da forma como os romances aconteciam, da calmaria do tempo, do sossego do dia. Gosto das caminhadas da tarde, das promessas da noite e do perfume do amanhecer. Tudo isso me traz paz, algo que se aproxima hoje dos ventos europeus.

Mesmo que eu não tenha sido nenhum desses importantes personagens, tenho certeza de que devo tê-los conhecido, porque carrego um pouco de cada um dentro de mim, na minha história de vida e nas lembranças de uma tarde de domingo.

“Não seja o de hoje.
Não suspires por ontens….
Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo”. (Cecília Meirelles)

O que amamos está sempre longe de nós:
e longe mesmo do que amamos – que não sabe
de onde vem, aonde vai nosso impulso de amor.

O que amamos está como a flor na semente,
entendido com medo e inquietude, talvez
só para em nossa morte estar durando sempre.

Como as ervas do chão, como as ondas do mar,
os acasos se vão cumprindo e vão cessando.
Mas, sem acaso, o amor límpido e exato jaz.

Não necessita nada o que em si tudo ordena:
cuja tristeza unicamente pode ser
o equívoco do tempo, os jogos da cegueira
com setas negras na escuridão”. (Cecília Meirelles)

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. (Cora Coralina)

“Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silencio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. (Cora Coralina)

“Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi”. (Mário de Andrade)

“O passado é lição para se meditar, não para se reproduzir”. (Mário de Andrade)

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Pensamentos que reúnem um tema

 Adalgisa Nery

Estou pensando nos que possuem a paz de não pensar,
Na tranqüilidade dos que esqueceram a memória
E nos que fortaleceram o espírito com um motivo de odiar.
Estou pensando nos que vivem a vida
Na previsão do impossível
E nos que esperam o céu
Quando suas almas habitam exiladas o vale intransponível.
Estou pensando nos pintores que já realizaram para as multidões
E nos poetas que correm indefinidamente
Em busca da lucidez dos que possam atingir
A festa dos sentidos nas simples emoções.
Estou pensando num olhar profundo
Que me revelou uma doce e estranha presença,
Estou pensando no pensamento das pedras das estradas sem fim
Pela qual pés de todas as raças, com todas as dores e alegrias
Não sentiram o seu mistério impenetrável,
Meu pensamento está nos corpos apodrecidos durante as batalhas
Sem a companhia de um silêncio e de uma oração,
Nas crianças abandonadas e cegas para a alegria de brincar,
Nas mulheres que correm mundo
Distribuindo o sexo desligadas do pensamento de amor,
Nos homens cujo sentimento de adeus
Se repete em todos os segundos de suas existências,
Nos que a velhice fez brotar em seus sentidos
A impiedade do raciocínio ou a inutilidade dos gestos.
Estou pensando um pensamento constante e doloroso
E uma lágrima de fogo desce pela minha face:
De que nada sou para o que fui criada
E como um número ficarei
Até que minha vida passe.

Só para imaginar como seriam esses encontros:

Leia mais:

Modernismo

Teatro Moderno no Brasil

Anita Malfatti

Adalgisa Nery

Contatos:
(12) 9749-3912 / (11) 7343-3177

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