“Sai da frente que atrás tem gente”!



Não sei se falo sobre os problemas com o transporte público de São Paulo ou se abordo a estupidez da falta de respeito das pessoas, apesar de que uma coisa está indiretamente ligada a outra porque se o transporte falha no momento do caos, o problema se agrava. Por exemplo, o trem que parou na plataforma não presta serviço naquele determinado momento (horário de pico), então as pessoas ficam esperando pelo próximo trem, vai chegando mais e mais pessoas. Conclusão? O próximo trem fica lotado e as pessoas viram animais querendo pegar aquele trem do jeito que está porque cada um tem um compromisso que, em sua “sempre humilde” opinião, é importante e simplesmente não se importa com quem está na frente, e a palavra certa para definir esse momento é “atropelar”. Isso mesmo! “Atropelar todo mundo” para caber nos vagões. Lógico que o problema no transporte público dessa grande cidade não justifica a falta de respeito para com o próximo. Todo mundo tem compromissos e problemas e, por isso, devem ser respeitados na mesma proporção.

Digo isso por conta de um fato que me ocorreu hoje enquanto tomava o trem para Berrini, em Pinheiros. Aconteceu exatamente o que descrevi acima, só com uma diferença: o trem parou na plataforma em que eu estava, só que lotou na mesma hora. Decidi pegar o próximo, que demorou quase 20 minutos para chegar – em pleno horário de pico, quando as pessoas estão saindo do serviço e indo embora para casa.

De repente, o trem chega. A tensão torna-se grande, porque a plataforma está um formigueiro de gente que se acumulou nessa espera. Todos se preparam para avançar e entrar. O trem se aproxima, as pessoas se entreolham e lá vem ele….cada vez mais perto. Chego a torcer meu pescoço de tão tensa. Só me sinto ser empurrada para dentro junto a uma tamanha rispidez das pessoas que estão atrás de mim. Nesse momento, ninguém pensa em ninguém. Todo mundo quer reservar seu lugar “ao sol”, de preferência, em algum banco que porventura esteja vazio, e se não estiver, vai tudo grudado mesmo feito lata de sardinha!

Foi o que aconteceu e muitos ali estão acostumados com isso, correndo o risco até de saírem machucados dessa história. Mas, eu acabei conseguindo sentar hoje, como que por milagre, bem ao lado da porta. Dessa vez – só dessa vez –  não fiquei na muvuca, me segurando para me manter em pé por não possuir lugar para me segurar com as mãos. Costumo usar a velha tática de equilíbrio da dança: me manter sobre os meus metatarsos para não cair (quem quiser, pode seguir a dica…garanto que funciona bem). Mas, não foi esse o caso de hoje, já que eu me encontrava sentada.

O trem estava literalmente lotado! Ninguém conseguia se movimentar nem para respirar. E não é por força de expressão que digo isso, não. Sabe por quê? Vou te contar: estava distraída observando o comportamento das pessoas ao tentarem se ajeitar em seus lugares e se manterem em pé – tudo isso com o trem parado, demorando para sair – quando escuto alguém cair no chão. Isso mesmo! Um rapaz havia desmaiado. As pessoas que estavam ao redor dele e podiam enxergar com perfeição o que havia acontecido, começaram a ficar desesperadas para conseguir ajuda para ele, inclusive eu. Detalhe: tentei quebrar o alerta de emergência QUE NÃO FUNCIONOU. Um homem alto e forte mais a frente conseguiu quebrar outro existente no local, e só então foi que a porta, que já estava fechada para que o trem andasse, se abriu. Algumas pessoas começaram a gritar por ajuda lá do lado de fora e então apareceram alguns seguranças para socorrê-lo. Será que devo elogiar essas pessoas que se humanizaram com o rapaz, e que não foram poucas? Óbvio que não! Elas fizeram mais do que a obrigação de todo o ser humano que é realmente humano!

A falta de respeito é tão grande, que as pessoas chegam a fingir que são analfabetas também...

O que me deixou revoltada foram algumas pessoas que começaram a bufar e um certo indivíduo que exclamou indignado, crente que estava com toda a razão: “não é mulher, vamos embora, deixa ele aí!”. Quase aplaudi a mulher que soltou a voz para chamar a atenção desse idiota (me desculpe a palavra). “Poderia ser qualquer um aqui!”, exclamou ela. “Não é mulher, mas é um ser humano. Qualquer pessoa que tenha o mínimo de humanidade se sensibilizaria e todos têm a obrigação de ajudar! Poderia acontecer com qualquer um, até com você!”, repetiu.

Indignação é a palavra certa para o que senti na hora. Como ainda existem pessoas que agem como animais e desrespeitam seu semelhante dessa forma, em pleno século XXI?

Muitos vão me dizer que assistem a cenas como essa todos os dias e que já estão acostumados. Mas, eu jamais me acostumaria a isso, porque se assim eu fizer,  será um sinal de que também estou começando a me desumanizar, me aproximando de animais da idade da pedra. As pessoas devem se manifestar sempre contra atos de crueldade, porque, caso contrário, certamente a humanidade perderá o fôlego pela comodidade e não mais existirá, dando espaço ao instinto animal, ainda presente em muitos.

Agora, voltando ao início, certamente problemas com transporte público, inclusive outros relacionados à saúde e à educação – que são assuntos para um outro texto – colaboram e muito com a evolução da crueldade humana. Por mais que uma maldade não justifique a outra, instintivamente ‘tratamos o outro como somos tratados’, o que significa dizer que inconscientemente agimos conforme o “poder” nos condiciona a agir – corruptamente e sem respeito –  afinal, somos tratados como animais, quando somos jogados em filas sem o mínimo de conforto e, principalmente, nesse caso, quando somos obrigados a aceitar ambientes sem nenhum conforto, fechados e, muitas vezes, sem ventilação e com uma multidão desesperada por um pouco de ar para respirar.

Não sabemos com exatidão o que levou o rapaz a desmaiar hoje no trem – como devem haver muitas pessoas passando mal neste momento em diversos trens, metrôs e ônibus de São Paulo e muitas outras cidades grandes ou do interior por descaso do governo, que ignora ou descuida das melhorias a serem feitas nesse setor – mas, certamente, o acúmulo de pessoas juntas colaborou com o fato de ele ter passado mal. E como a senhora disse, poderia realmente ter acontecido com qualquer um…

…fico pensando aqui com meus botões: como será São Paulo e outras tantas grandes cidades do Brasil, como o Rio de Janeiro, por exemplo, nos jogos da Copa e nas Olimpíadas, em 2014 e 2016? Problemas…problemas…problemas. Muitos projetos arquitetônicos incríveis, ligados ao transporte público, já tiveram problemas e foram barrados por falta de estrutura e profissionais qualificados. Estamos falando de jogos, mas e como será daqui para a frente com essa cidade em constante crescimento?

É para se pensar….

Veja alguns vídeos feitos por amadores que mostram a realidade da capital paulista:

Contatos:
(12) 9749-3912 / (11) 7343-3177

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3 comentários sobre ““Sai da frente que atrás tem gente”!

  1. Vagões do Metrô, Monotrilho, trens suburbanos de SP têm cada vez menos assentos
    Do Estadão Conteúdo, em São Paulo
    07/03/2014
    É cada vez mais difícil viajar sentado nos trens do Metrô de São Paulo. E isso não é só por causa da crescente superlotação do sistema. Dados obtidos pelo Estado, por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que os veículos das frotas modernizadas e as composições novas têm sido entregues com cerca de cem assentos a menos do que os equipamentos antigos.
    Trata-se de uma tendência acelerada recentemente. Nos anos 1980 – segunda década de funcionamento das linhas da companhia -, as composições da frota C da Linha 3-Vermelha eram fabricadas com 368 bancos. Algumas dessas ainda rodam naquele ramal. No fim do decênio seguinte, os trens recém-adquiridos para a Linha 2-Verde passaram a apresentar 274 assentos, em um lote que recebeu o batismo de frota E.
    Usuários tentam embarcar em vagão na estação Paraíso, da linha 2-verde, no sentido Vila Madalena. Desorganização “rouba” até 30% do tempo de viagem do usuário de metrô em São Paulo Leia mais Rodrigo Paiva/UOL
    Agora, a quantidade de vagas para os passageiros se acomodarem caiu ainda mais. Por exemplo, quem andar em um veículo da frota K, modernizada nos últimos três anos, terá de disputar um dos 264 lugares disponíveis. Chama a atenção o fato de que esses trens, antes de serem reformados e rebatizados, pertenciam à antiga frota C. Ou seja, possuíam 104 assentos a mais, quando apresentavam praticamente os mesmos comprimento e largura dos vagões redesenhados.
    “Para o Metrô e CPTM, modernizar é subtrair assentos”.
    Embora o Metrô, que é controlado pelo governo do Estado, não admita oficialmente, a redução dos bancos em seus trens tem o objetivo de permitir a acomodação de um número maior de pessoas em pé, desafogando mais rápido as plataformas superlotadas das estações durante os horários de pico.
    Análise técnica
    É o que sustentam os especialistas. O urbanista e consultor de Transportes Flamínio Fichmann diz que as prioridades não têm levado em consideração o conforto dos usuários. “Como tudo é dimensionado só para atender à demanda na hora de pico, ninguém depois muda o layout e põe mais assentos nos trens.”
    Ele defende um sistema de ônibus de apoio à Linha 3-Vermelha do Metrô, para tentar deixá-la menos lotada nos picos. “Esses coletivos seriam paralelos à linha e todos os passageiros viajariam sentados.”
    Já o engenheiro de Transportes Sergio Ejzenberg afirma que apoia esse tipo de solução adotada pelo Metrô. “É uma decisão correta, porque falar em conforto para uns e outros irem esmagados não tem muito sentido. É racional, correta, porque está se evitando um risco maior.” Apesar disso, ele diz que há, na rede metroviária, um “processo de sardinha em lata”.
    Idosos
    A Linha 5-Lilás, na zona sul, foi inaugurada em 2002 com trens de 272 lugares. A futura frota que será comprada para circular no ramal, que está sendo expandido para receber mais passageiros, registrará, em cada composição, 236 bancos, a menor quantidade entre todos os veículos do Metrô, com exceção do monotrilho.
    O relojoeiro Darci Antunes, de 65 anos, diz que a quantidade de bancos reservados a idosos, gestantes e deficientes está bem menor. Isso, apesar de a expectativa do próprio Metrô ser a de um aumento no número de pessoas da terceira idade usando o sistema nos próximos anos. “E o que piora é que muita gente jovem não cede o espaço”, comenta Antunes. Na avaliação de Maria Aparecida da Silva, de 70 anos, mesmo quem consegue se sentar é atrapalhado pela maior lotação. “Fica difícil na hora de você sair dali.”
    Além do natural envelhecimento da população – segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pessoas com mais de 65 anos de idade no país saltarão de 14,9 milhões em 2013 para 58,4 milhões em 2060 -, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) aprovou uma lei, no fim de 2013, que diminui de 65 para 60 anos a idade mínima para homens andarem de graça no metrô e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), o que deve atrair mais passageiros desse perfil.
    Sem fornecer números, a assessoria de imprensa do Metrô informou que a quantidade de assentos preferenciais nos trens novos e modernizados “é superior ao mínimo estabelecido pela lei”. Os dados oficiais indicam que os trens do Metrô carregam, no máximo, até 2 mil passageiros.
    No caso dos futuros trens da Linha 5, na lotação de 6 pessoas por metro quadrado, a capacidade será de 1,5 mil usuários. Já na superlotação de 8 pessoas por m², são 1,9 mil.
    Outro lado
    Procurada, a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) informou que todos os seus trens, sejam novos ou modernizados, “têm quantidade de assentos acima dos 12% adotados como mínimo por todos os sistemas metroviários de alto carregamento do mundo”. Sobre a opção por um monotrilho na Linha 17-Ouro, divulgou que “a opção por esse modo de transporte levou em consideração a demanda, mas principalmente o fato de que não é possível com um corredor de ônibus cruzar de modo transversal importantes vias da cidade como as avenidas Washington Luís, Luís Carlos Berrini e marginal do Pinheiros”.
    A empresa respondeu ainda que o monotrilho traz “benefícios sociais” por ser movido a energia elétrica e não a diesel, como os ônibus, “além de ter velocidade projetada superior à dos ônibus”.
    Apesar de a própria assessoria de imprensa do Metrô ter feito essas comparações entre os modais, na nota informou que “não é correto compará-los” e “mais errônea ainda é a comparação entre ônibus e metrô e monotrilho”. Foi questionado quanto cada trem “modernizado” custou para o Metrô, mas a assessoria não forneceu essa informação.

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  2. Prezada Michelly,

    Não são somente as linhas da CPTM e Metrô-SP, a Supervia-RJ também esta nesta mesma calamidade, a falta de sensibilidade de ambos governos é patente, e logo vem as próximas eleições, prepare-se para mais promessas.

    Que seja agilizada a construção da estação Bom Retiro, preferencialmente antes da linha 6-Laranja do Metrô.
    Os planos da CPTM de desativar a estação Julio Prestes CPTM em foco-“Estação Júlio Prestes poderá ser fechada”, sob a alegação que esta subutilizada, é mais um capítulo do descaso que se impõem aos usuários de trens suburbanos, faz com que todos tenham prejuízos com esta decisão, porém os usuários da linha 10-Turquesa ABC foram os mais prejudicados.
    Se a estação Júlio Prestes hoje se encontra subutilizada, é porque os planejadores não tiveram a sensibilidade de visualizar que esta estação terminal, só têm condições de receber composições provenientes de Barra Funda / Água Branca, inclusive os planejados trens regionais procedentes de Campinas, Sorocaba, entre outras cidades do interior, e linha 7 procedente de Francisco Morato, for para usar como terminal, porque não se transferiu a linha 7 para Júlio Prestes que fica próxima e esta subutilizada, uma passagem subterrânea poderia interligar estas duas estações com distância semelhante a percorrida pelos usuários da linha 10 até a estação da linha 3 do metro no Brás podendo os usuários terem acesso as linhas 1 e 4 do metro na Luz ?

    A estação da Luz já estava com seu limite esgotado quando teve por um planejamento mal executado a instalação uma estação subterrânea como terminal da linha-4 Amarela do Metro, esta estação do Metro deveria ser na Júlio Prestes, Nova Luz, Agua Branca ou Bom Retiro, jamais na Luz, sem que a estação Nova Luz estivesse concluída, e antes que tentem justificar que os subterrâneos da estação Júlio Prestes esteja tombado, e por isto que a linha-4 Amarela não foi instalada lá, é a mesma situação da estação da Luz.

    A estação Nova Luz que se diziam estar planejada para ficar no lado oposto a Júlio Prestes e ser interligada a ambas é mais uma destas promessas eleitorais que nunca se cumpriram, e o que é mais estranho, é que enquanto querem desativar uma (Júlio Prestes), dizem que querem construir outra com características semelhantes (Nova Luz).

    A estação da Luz é uma estação de característica de passagem, e não terminal, e é um desperdício logístico utilizá-la como esta sendo feito atualmente. .

    O resultado disto é que hoje temos uma estação da Luz super abarrotada e próximo ao caos, enquanto que a duas quadras uma estação as moscas, cujo destino previsto é de uma sala de “N” finalidades porem nenhuma como estação de passageiros.

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