Mito: revelação da realidade humana


Toda mitologia seria uma espécie de projeção do inconsciente coletivo. É no céu estrelado cujas formas caóticas foram organizadas mediante a projeção de imagens, que vemos isso o mais claramente possível. Isso explica a influência dos astros, afirmada pela Astrologia: estas influências seriam apenas percepções introspectivas inconscientes da atividade do inconsciente coletivo [grifo meu]. Do mesmo modo como as constelações foram projetadas no céu, assim também outras figuras semelhantes foram projetadas nas lendas e nos contos de fadas ou em personagens históricas. Por isso podemos estudar o inconsciente coletivo de duas maneiras: na mitologia ou na análise do indivíduo” (Jung).

Nada mais concreto e abstrato como os mitos para interpretarmos o mais íntimo dos seres humanos. Digo concreto por se tratar de uma tentativa de se explicar o que aparentemente é inexplicável no que tange nossos sonhos mais íntimos, ou nosso inconsciente que se ascende nos nossos sonhos noturnos.

O ser humano sempre buscou formas de interpretar os mistérios da vida, e se deixa coordenar por eles. O homem sente a necessidade de criar mitos que expliquem o inexplicável, e estes giram em torno do que é comum para todos os que habitam a face da Terra.

Muito há que se aprender com algumas estórias que abordam histórias da vida real, presentes no inconsciente coletivo.

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Eles comunicam de maneira simbólica e metafórica um ato que se esconde por traz do aspecto visível. E essas metáforas são as máscaras de Deus, através da qual a eternidade pode ser vivenciada.
O mito é o sonho da sociedade, diferentemente do sonho particular. Se o seu mito privado, seu sonho, coincide com o da sociedade (o mito), você está de bom acordo com seu grupo. Se não, a aventura o aguarda na densa floresta à sua frente.

O mito fala da grande sociedade humana, a única grande história da espécie humana. Nós procedemos de um só fundamento de ser, como manifestações na esfera do tempo e do espaço.

A esfera do tempo é uma espécie de jogo de sombras sobre um fundamento atemporal. Jogando o jogo na esfera da sombra, você empenha o seu lado das polaridades com todo vigor. Mas um dos únicos inimigos neste jogo é o seu outro lado, por exemplo, que você poderia ver, enquanto você mesmo, caso pudesse situar-se numa posição medial.

A mitologia nos faz entrar em acordo com a grande sinfonia da vida. Faz encarar a vida como um poema e nos mesmos como um participante desse poema.

Os mitos antigos possuem uma força harmonizadora. E eles foram concebidos para isso: harmonizar mente e corpo. A mente pode divagar por caminhos estranhos, coisas que o corpo não quer. Os mitos e ritos serviam para colocar a mente de acordo com o corpo, e o rumo da vida apontado pela natureza.

Esses mitos contam como outros fizeram a travessia e como nós podemos fazê-la sem cairmos em suas armadilhas e belezas. E o ritual é o cumprimento desse mito. Quando participarmos de um ritual, participamos da representação de um mito.

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A humanidade tem a necessidade de criar mitos para explicar o que é inexplicável a olho nu. Podemos comparar os “mitos” de Jesus Cristo com os “mitos” de Buda, que existiu 500 anos antes. Ambas histórias se assemelham no que diz respeito à necessidade de sofrer e resistir às tentações e de se ter discípulos para perpetuarem seus ensinamentos.

Todos precisam de heróis para se sentirem fortes. Todos precisam acreditar em algo superior para procurar a evolução. E a simbologia do herói é sempre a mesma: aquele que é superior em determinado aspecto, mas que volta para a condição de inferioridade com o propósito de ajudar os que não tem o mesmo “privilégio”.

O famoso historiador J. Campbell, em seu livro “O Poder do Mito” conclui que a mitologia é a literatura do espírito. Segundo ele, “o conto popular destina-se ao entretenimento, o mito, à instrução espiritual”.
Ele comenta que, enquanto os atuais escritores usam palavras analíticas para comentar alguma coisa concreta e ‘real’, as antigas poesias divinas presentes nos mitologemas cantavam as imperfeições da vida e as coisas que todos os seres humanos possuem em comum.

A tragédia grega, por exemplo, ou a comédia, a ira dos deuses contra o destino dos homens, acontecimentos terríveis ou hilariantes que vinham transmitir conhecimentos para que todos refletissem sobre a própria vida. E as peças não são apenas histórias do passado, mas conteúdos profundamente atuantes em toda nossa relação psíquica com o mundo.

Um ótimo exemplo disso é o complexo de Édipo, descoberto primeiramente por Freud. Para Campbell “aquilo que os seres humanos têm em comum se revela nos mitos”. Eles contam as histórias da busca da nossa verdade através dos tempos, do sentido que atribuímos à nossas ações diárias e do que isso significa no plano da eternidade.

Tudo o que nos rodeia tem um significado para nós, e isso fica evidente nas decorações que fazemos em ambientes domésticos. Cada símbolo ou objeto tem um significado, seja para espantar mau olhado ou para nos proteger. Mas, tudo isso não passa de simbologia que nos acompanha até hoje, como mitos que podem ser explicados pela psicologia.

Como já se pôde perceber com a leitura deste texto, os mitos nascem nos nossos sonhos, os quais já podem ser interpretados em terapias com perfeição. Cada objeto presente em um sonho aparentemente sem sentido, significa muito para a psicologia do ser humano.

Um pouco de curiosidade:

Os gregos criaram vários mitos para poder passar mensagens para as pessoas e também com o objetivo de preservar a memória histórica de seu povo. Há três mil anos, não havia explicações científicas para grande parte dos fenômenos da natureza ou para os acontecimentos históricos.

Portanto, para buscar um significado para os fatos políticos, econômicos e sociais, os gregos criaram uma série de histórias, de origem imaginativa, que eram transmitidas, principalmente, através da literatura oral.

 Grande parte destas lendas e mitos chegou até os dias de hoje e são importantes fontes de informações para entendermos a história da civilização da Grécia Antiga. São histórias riquíssimas em dados psicológicos, econômicos, materiais, artísticos,  políticos e culturais.

Entendendo a Mitologia Grega. 

Os gregos antigos enxergavam vida em quase tudo que os cercavam, e buscavam explicações para tudo. A imaginação fértil deste povo criou personagens e figuras mitológicas das mais diversas. Heróis, deuses, ninfas, titãs e centauros habitavam o mundo material, influenciando em suas vidas. Bastava ler os sinais da natureza, para conseguir atingir seus objetivos. A pitonisa, espécie de sacerdotisa, era uma importante personagem neste contexto. Os gregos a consultavam em seus oráculos para saber sobre as coisas que estavam acontecendo e também sobre o futuro. Quase sempre, a pitonisa buscava explicações mitológicas para tais acontecimentos. Agradar uma divindade era condição fundamental para atingir bons resultados na vida material. Um trabalhador do comércio, por exemplo, deveria deixar o deus Hermes sempre satisfeito, para conseguir bons resultados em seu trabalho.

Os principais seres mitológicos da Grécia Antiga eram :

Heróis : seres mortais, filhos de deuses com seres humanos. Exemplos : Herácles ou Hércules e Aquiles.
Ninfas : seres femininos que habitavam os campos e bosques, levando alegria e felicidade.
Sátiros : figura com corpo de homem, chifres e patas de bode.
Centauros : corpo formado por uma metade de homem e outra de cavalo.
Sereias : mulheres com metade do corpo de peixe, atraíam os marinheiros com seus cantos atraentes.
Górgonas : mulheres, espécies de monstros, com cabelos de serpentes. Exemplo: Medusa
Quimera : mistura de leão e cabra, soltavam fogo pelas ventas.

Medusa: mulher com serpentes na cabeça

O Minotauro 

É um dos mitos mais conhecidos e já foi tema de filmes, desenhos animados, peças de teatro, jogos etc. Esse monstro tinha corpo de homem e cabeça de touro. Forte e feroz, habitava um labirinto na ilha de Creta. Alimentava-se de sete rapazes e sete moças gregas, que deveriam ser enviadas pelo rei Egeu ao Rei Minos, que os enviavam ao labirinto. Muitos gregos tentaram matar o minotauro, porém acabavam se perdendo no labirinto ou mortos pelo monstro.

Certo dia, o rei Egeu resolveu enviar para a ilha de Creta seu filho, Teseu, que deveria matar o minotauro. Teseu recebeu da filha do rei de Creta, Ariadne, um novelo de lã e uma espada. O herói entrou no labirinto, matou o Minotauro com um golpe de espada e saiu usando o fio de lã que havia marcado todo o caminho percorrido.

Deuses gregos

De acordo com os gregos, os deuses habitavam o topo do Monte Olimpo, principal montanha da Grécia Antiga. Deste local, comandavam o trabalho e as relações sociais e políticas dos seres humanos. Os deuses gregos eram imortais, porém possuíam características de seres humanos.

Ciúmes, inveja, traição e violência também eram características encontradas no Olimpo. Muitas vezes, apaixonavam-se por mortais e acabavam tendo filhos com estes. Desta união entre deuses e mortais surgiam os heróis.

Conheça os principais deuses gregos :

Zeus – deus de todos os deuses, senhor do Céu.
Afrodite
– deusa do amor, sexo e beleza.
Poseidon
– deus dos mares
Hades – deus das almas dos mortos, dos cemitérios e do subterrâneo.
Hera – deusa dos casamentos e da maternidade.
Apolo – deus da luz e das obras de artes.
Ártemis – deusa da caça e da vida selvagem.
Ares – divindade da guerra.
Atena – deusa da sabedoria e da serenidade. Protetora da cidade de Atenas.
Cronos deus da agricultura que também simbolizava o tempo.
Hermes – mensageiro dos deuses, representava o comércio e as comunicações.
Hefesto – divindade do fogo e do trabalho.

Informações extras encontradas em:

* http://www.psicoanalitica.com.br/mitologia.htm

* http://www.suapesquisa.com/mitologiagrega/

Leia mais:

Mitologia

O Poder do Mito – Joseph Campbell

Os mitos: fontes simbólicas da psicologia analítica

Contatos:
(12) 9749-3912 / (11) 7343-3177

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