De volta ao passado…


Li em um livro que nossa memória não consegue separar o que é passado do que é presente e é aí que nasce a saudade. Pensamos que nosso peito dói a ausência de alguém, quando na verdade é nossa memória que nos falha.

O grande mistério da vida é que ela só tem graça porque são justamente os mistérios que nos movem. Já escutei dizerem que “não são as respostas que movem o mundo, mas as perguntas”, então quanto mais ousarmos descobrir sobre viver, mais vamos nos surpreender e consequentemente, querer explorar o inexplorado.

Todas as pessoas e até todos os poetas do mundo já pensaram nisto: é  impossível esquecer sentimentos ou apagá-los de nós. O que pode explicar isso é o nosso traiçoeiro cérebro, que está diretamente ligado ao nosso frágil coração.

Agora, o que me cabe é perguntar: a saudade realmente existe ou esta é pura ilusão? Será a saudade parte de um distúrbio psicológico ou apenas uma palavra a mais para completar o repertório do drama poético de tantos escritores?

“O maior problema do amor é que nunca aprendemos nada com ele. Nem sequer aprendemos a esquecer quando a vida não nos aponta mais nenhum caminho… A verdade é que quando amamos alguém nem sempre guardamos esse amor… A ansiedade desaparece e ele fica escondido em algum canto do coração e reascende sempre quando a memória confunde passado com futuro, transformando tudo no sentimento da saudade…” (trecho do livro “A minha casa é o teu coracao” de Margarida Rebelo Pinto. Adaptação de Michelly Ribeiro)

Não existe cura para o amor. Somos todos doentes alucinados pelo nosso passado. É impossível para qualquer ser humano reproduzir lembranças com perfeição. A lembrança é feita de passado e de presente. Quando ativamos essa parte de nosso cérebro, também registramos nele o agora, o que de certa forma, mistura experiências momentâneas com tudo o que já foi vivido e vem à tona, ou seja, modificamos o acontecimento original. É assim que acontece com tudo o que se é reproduzido, da mesma forma como nada do que vemos possui a mesma interpretação para todos os que observam a mesma coisa, hoje ou depois.

O que pode ilustrar essa reflexão é a música de Lulu Santos que diz: “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia…tudo muda o tempo todo no mundo. Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo…”.

Tudo sofre mudanças, mas mesmo as mudanças permanecem com resquícios do que já passou. Basta o despertar de uma doce e singela lembrança para deixarmos as experiências do depois de lado e voltarmos a ser o que éramos antes de novo, mesmo que por alguns momentos.

A verdade é que o amor que pensamos ser amor tem um pouco disso: pode ser caracterizado como um distúrbio da memória, quando renasce das cinzas…como a saudade.

Difícil entender a complexidade dos acontecimentos que nos atingem nessa tão misteriosa vida, não é mesmo?

A memória confunde o que o coração sente, mas só o que determina a concretização dos sentimentos é a intensidade daquilo que se viveu. (Michelly Ribeiro)

Contatos:
(12) 9749-3912 / (11) 7343-3177

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s