Retrato dos trabalhadores no país da “presidenta”


Ela sai muito cedo de casa. As 5h já está de pé para preparar o café, arrumar as crianças para a escola e se arrumar.

Sai sempre as 7h pontualmente, mesmo que viva a apressar os 3 filhos – dois de 5 anos de idade e uma de 7.

É mãe solteira, porém independente, com casa própria e carro na garagem. Divorciou-se do marido porque sentiu que este não a acompanhava tanto emocional como intelectualmente. Desde então, passou a fazer tudo sozinha, porque nem com sua ajuda podia mais contar. Porque ela sabe respeitar seus valores pessoais e profissionais,  é que está na justiça lutando pelos direitos de seus filhos, os quais são suas preciosidades.

Depois de deixar os filhos na escola, vai direto para o trabalho. Ela é vendedora, para quem pensou que tivesse vida mais confortável.

Sua chefe é muito durona. Se ela chegar 5 minutos depois das 8h, será descontado no salário daquele mês. Ela não vê a hora de conseguir algo melhor, mas não pode arriscar tudo e, apesar dos pesares, está feliz como está, porque pelo menos tem como alimentar as crianças e as manter com o suficiente.

Sempre quando para para pensar na vida que leva, sonha com a vida que deixou para trás: empregos que despensou por conta dos filhos; pensa na época em que era solteira e quando por uma simples aventura romântica, resolveu largar tudo para ficar com o homem que julgou ser seu “príncipe encantado”. Acabou recebendo a Julia de presente, antes da hora. Sua primogênita ganhou dois irmãos de uma só vez dois anos depois, quando sua mãe, Maria, já estava querendo largar tudo. Dentro de um ano após os gêmeos, ela se divorciou.

Chega em casa todos os dias as 20h, depois de pegar as crianças as 18h na escola e levá-las para comer algo. Depois, as deixa na casa de uns coleguinhas muito rapidamente e vai para a ginástica.

Chega em casa muito cansada e ainda da banho nas crianças e as leva para dormir. Ela só tem 30 minutos, pelo menos, para ler algo ou estudar a fim de que possa então deitar e dormir e acordar as 5h novamente.

Ela conta todo mês com os bônus que consegue conquistar como vendedora, sem contar com as revendas de catálogos de cosméticos que faz como garantia de um dinheiro extra. Sua vida não é fácil, mas Maria não reclama. É feliz por ser independente e poder andar com os próprios pés.

Quando chega os finais de semana, ela da “pulos” de alegria porque é quando pode acordar tarde. Aliás, apenas uma correção: é raro ela ter final de semana, porque seu trabalho é 6×1. Quando consegue tirar os domingos de folga, aproveita para ir à praia ou à piscina com as crianças ou visitar seus pais, que são muito idosos. Mas, isso só acontece, pelo menos, uma única vez por mês…

Essa história é fictícia, mas está de acordo com a realidade de muitos brasileiros, com apenas algumas diferenças de detalhes, mas é o retrato da luta diária para, muitas vezes, se conseguir um mísero salário mínimo por mês para sustentar uma família de 5 pessoas ou mais.

O Brasil está evoluindo, mas isso mostra que ainda temos muito para mudar. Ainda mais quando assistimos políticos ganhando absurdos de dinheiro que saem dos nossos bolsos, sem mesmo termos a chance de colocarmos as mãos neles, por se tratarem de impostos, com a desculpa de que servirão para melhorar alguma coisa no país. Mas, muitas vezes, ao invés de melhoras, vemos a corrupção crescendo junto com esses valores absurdos.

Enquanto isso, assistimos professores, profissionais da saúde e policiais ganhando muito pouco, o que não corresponde com a lei que diz que Saúde, Segurança e Educação são as necessidades básicas de todos, ou melhor, um direito de todos. Será mesmo?

Fica a reflexão para o Dia do Trabalho, data que foi criada nos Estados Unidos, mais precisamente na cidade de Chicago no ano de 1886, quando o Brasil ainda vivia os resquícios de um império falido e o início de uma República Velha conturbada de revoltas e disputas pelo poder. Um queria mandar mais que o outro para conquistar a presidência mesmo que de forma injusta.

No Brasil, o dia do trabalho ganhou repercussão no auge do autoritarismo de Getúlio Vargas, já no fim de sua Era, em seu 3º Governo (Estado Novo). O então presidente populista e nazi-fascista já havia instituído o salário mínimo e, em 1941, criou a Justiça do Trabalho.

Vale lembrar que Getúlio promulgou a Constituição de 1934, reconhecendo a Legislação Trabalhista (direitos fundamentais), inspirada na Constituição Alemã. Porém, só em 1937 que a “Polaca” (a Constituição) foi imposta à população, já baseada na fascista da Polônia. Foi aí que a CLT foi instituída junto com a criação da Companhia Vale do Rio Doce, fundação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de Volta Redonda, instituição do salário mínimo – esta só em 1940, Conselho Nacional do Petróleo (CNP), Fábrica Nacional de Motores (FNM), Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) e o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP).

Assista o discurso da “presidenta” pelo dia do Trabalho de 2012, clicando aqui.

Contatos:
(12) 9749-3912 / (11) 7343-3177

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