Visão jornalística de um “crime”


walmorchagas

Ontem (18/01/2013) morreu o ator Walmor Chagas, que residia na cidade onde nasci e cresci – Guaratinguetá/SP. Ele morava em uma chácara na zona rural da cidade, no bairro do Gomeral,  um local muito distante e de difícil acesso. A desconfiança da polícia, segundo a mídia, é de suicídio.

 No entanto, há muitas divergências ocasionadas pela necessidade da imprensa de querer dar o tão conhecido “furo de reportagem“, a necessidade de dar a informação antes de todas as outras mídias.

Quando se trata de um crime, certamente as contradições sempre serão muito grandes seja no mesmo veículo ou em outros. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo: investigação, jornalistas pressionando pessoas importantes para ceder informações, informações que não podem ser passadas a fim de não causar danos à investigação, entre outras coisas.

O jornalista deve cumprir seu papel de manter a população ciente do que ocorre, principalmente no caso de correrem riscos (utilidade pública). Mas, também deve se atentar ao caos que pode gerar e à credibilidade que pode perder em uma situação assim, mesmo que seja temporariamente.

Segue um dos textos que li. Este, de uma mídia considerada de potencial e confiável (G1 – Globo). Veja as divergências que encontrei (sublinhadas). Segue:

Walmor Chagas morre aos 82 anos
Ator foi encontrado morto por um funcionário na tarde desta sexta-feira, 18.
Circunstâncias da morte serão investigadas pela polícia.

O ator Walmor Chagas, de 82 anos, foi encontrado morto na chácara onde vivia na cidade de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, na tarde desta sexta-feira (18). As circunstâncias da morte ainda serão investigadas, mas a polícia disse acreditar que pode ter sido suicídio.

Com mais de 60 anos de carreira, o gaúcho Walmor de Souza Chagas atuou em mais de 40 peças, cerca de 20 filmes e mais de 30 novelas. Era considerado um dos grandes atores do teatro brasileiro.

Segundo o relato de um funcionário, o caseiro José Arteiro de Almeida, o corpo do artista foi achado caído na cozinha com um tiro na cabeça por volta das 16h30. Almeida disse ainda ao G1, por telefone, que, no momento da morte, Walmor estava sozinho dentro da casa. Ele diz também que uma empregada e uma cozinheira haviam acabado de deixar o local.

Almeida, que trabalha há 30 anos com o ator, diz que Walmor Chagas não demonstrava nenhum indício de que poderia tirar a própria vida. “Ele apenas relatou nos últimos dias que estava preocupado com o diabetes. As pernas também já não estavam tão firmes, mas ele estava bem”, disse.

O tenente Reis, do Corpo de Bombeiros, informou que no momento que a equipe de resgate chegou ao local, o ator estava sentado em uma cadeira na sala, já sem vida, e com uma perfuração na cabeça.

O sítio onde o ator vivia fica no bairro Gomeral, na zona rural de Guaratinguetá. O local é de difícil acesso. Bombeiros dizem que receberam um chamado às 17h15, mas só conseguiram chegar ao local por volta das 18h30. Policiais civis estavam junto com os bombeiros e a Polícia Científica também está no local para a realização da perícia.

Carreira
Walmor Chagas nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 28 de agosto de 1930. No começo dos anos 50, foi para São Paulo em busca de uma chance no cinema.

Em 1952, Chagas fundou o Teatro das Segundas-Feiras, com Ítalo Rossi, encenando “Luta até o amanhecer”, de Ugo Betti. Ele estreou no Teatro Brasileiro de Comédia em 54, na peça “Assassinato a domicílio”, de Frederick Knott, com direção de Adolfo Celi.

Ao lado de Eva Wilma, o ator estreou no cinema em “São Paulo Sociedade Anônima” (1965), de Luís Sérgio Person, interpretando Carlos, um jovem da classe média. Sua primeira novela foi na TV Globo em 1974, na trama de “Corrida do ouro”.

Em 1992, Chagas chegou a apresentar o programa “Você decide”. Após oito anos afastado dos palcos, o ator retornou em 1999 na peça “Um equilíbrio delicado”.

Seus últimos trabalhos foram “Cara ou Coroa” e “A Coleção Invisível”, no cinema; e as novelas “A favorita” e “Os mutantes”, na televisão. Chagas era viúvo da atriz Cacilda Becker, com quem teve uma filha, Maria Clara Becker Chagas.

A organização do Prêmio Shell de Teatro anunciou no dia 21 de dezembro de 2012 que Walmor Chagas seria o grande homenageado na edição de 2013 do evento, que deve acontecer em março, “por seu papel histórico como ator e produtor em 64 anos de atividade no teatro brasileiro”.

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Questionamentos particulares que faço a respeito deste caso:

– Foi assassinato ou suicídio?
– Tiro na cabeça ou no peito? (em outra reportagem, li que tinha sido no peito)
– O fato ocorreu na cozinha ou na sala? Se foi na cozinha, como os bombeiros o encontraram sentado na cadeira da sala?
– Em outra reportagem que li, o caseiro disse que tinha ido tomar banho e quando voltou, Walmor estava nessa situação. Se foi isso, ele não escutou o tiro (ou os tiros)?
– Qual foi a hora exata do crime? Se foi às 16h30, por que os bombeiros só foram acionados cerca de uma hora depois (às 17h15)?

Claro que essas divergências se deram pelo imediatismo que a internet exige. A urgência em se dar uma informação é mais agressiva do que qualquer urgência médica, sem exageros. No entanto, questionar deve ser um hábito não somente e principalmente do jornalista, como de todo ser humano.

Se depois do tempo da investigação, nenhuma dessas questões forem devidamente respondidas, pode ter a certeza de que alguma coisa está errada. E então, colegas jornalistas, se preparem para uma matéria investigativa!

Contatos:
(11) 97343-3177
SKYPE: michelly.antunes.ribeiro

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