Não existe Amor em SP!


amorspParafraseando a música de Criolo, “não existe amor em São Paulo“, não estou querendo generalizar. Mas, se formos analisar o comportamento dos paulistanos, a maioria não cria vínculos, não se mistura muito ao que é diferente de suas ideias. Possuem um universo paralelo que separa o pessoal do profissional. Não existem amigos de verdade, que se encontram para uma conversa do tipo ‘sem hora para acabar’. Se existe, são muito raros, da mesma forma que o amor aqui é raro, apesar de ser fundamental para uma cidade com um índice de violência tão alto.

Talvez isso explique muita coisa. A cultura do individualismo existente na capital paulista se dá pelo medo que as pessoas alimentam cotidianamente pelo bombardeio lançado pela mídia: roubo, furto, assalto, intolerância, radicalismo, tudo que coopera para o favorecimento do medo, e do afastamento social.

As pessoas se tornaram mais frias porque a sociedade age com frieza. É algo que contamina as relações de forma inconsciente.

As pessoas se sentem carentes de afeto, mas temem a troca de olhares. Querem compartilhar momentos únicos, mas evitam sair de casa. Se saem, vão por diversão, porque não tem mais jeito, porque se sentem atraídos pela ideia de espairecer do estresse diário. Mas, quase nunca, saem de casa para fazer um amigo sorrir.

Hoje de madrugada, fiquei sabendo de um ato violento e absurdo que ocorreu enquanto eu me socializava com um amigo, no centro de São Paulo.

O fato se deu próximo a Taboão da Serra, exatamente no Shopping Jardim Sul: por volta das 19h30, estava a mãe e a filha de 12 anos de idade indo em direção ao carro, quando foram abordadas por quatro indivíduos. Estes estavam armados e a fizeram gastar todo o cartão de crédito, e ainda levaram o carro as deixando em um local abandonado. A mãe conseguiu chegar até um barzinho que havia ali próximo e então ligar para o irmão buscá-las. Ela estava com sangue na cabeça por ter levado coronhadas dos bandidos.

As vítimas são amigos de um colega meu, o qual me contou a situação e foi até eles para dar suporte. Já pensou no trauma dessas pessoas? O apoio psicológico às vítimas se faz extremamente necessário neste momento.

Independente deste shopping ser um local muito bem frequentado pela elite, e alvo dos bandidos, é responsabilidade do governo disponibilizar a segurança necessária para a população, de uma forma geral.

Com certeza, esses bandidos ficarão soltos, porque dificilmente serão encontrados, mesmo porque sabemos que a polícia tem outros interesses. Infelizmente!

Com toda essa negligência dos poderes e, principalmente, da política do Brasil, com certeza ficamos reféns da maldade que dilacera os relacionamentos saudáveis. As pessoas reagem com maldade sempre porque só recebem a maldade como diálogo.

E isso só vai mudar, quando a sociedade realmente acordar, colocando no poder pessoas capazes de provocar uma mudança profunda no cerne do problema, erradicando a violência e a pobreza de uma só vez. Poucos sabem, mas tudo isso tem tudo a ver com qualidade de vida.

Em “O Valioso tempo dos maduros“, Mário de Andrade resume bem uma percepção possível que alguém tem do que acontece na Terra da Garoa, um lugar para se amar ou odiar. Ele fala da maturidade que garante o desprendimento das futilidades apesar de tudo:

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. 

Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. 

As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. 

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. 

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. 

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. 

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. 

As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. 
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa… 

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade…

Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. 

O essencial faz a vida valer a pena. 

E para mim, basta o essencial“.

Por tudo isso, repito com um adendo: Não existe amor em São Paulo (ainda)!

Contatos:
(11) 97343-3177
SKYPE: michelly.antunes.ribeiro

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