O que dizem as canções que escutamos


musicasNesse feriado prolongado, escutei muitas músicas e comecei a refletir sobre o conteúdo da maioria delas. Elas abordam o romantismo, a desilusão, o excesso de sentimentalismo, o que demonstra uma séria tendência ao apego.

Todas as músicas, salvo algumas raras ligadas à MPB, falam de sofrimento, desilusões, um fator que determina uma expectativa criada sobre uma pessoa, que foi objeto de idealizações insustentáveis na mente de pessoas carentes e solitárias.

Ninguém está livre disso, afinal, somos seres humanos passíveis de erros, e de nos desiludirmos quantas vezes forem necessárias rumo ao aprendizado.  Analisar essas canções motivadas pela dor, nos leva à autocrítica. Elas influenciam nosso senso de humor, provocando um declínio energético, mesmo que de forma inconsciente e, principalmente, em pessoas que já estão, por algum motivo, “para baixo”.

Se formos analisar pelo que faz sucesso, verificaremos o quanto as pessoas estão muito ligadas ao que é material, se esquecendo de sua verdadeira essência espiritual, independente da religião que sigam.

Músicas como Te Esperando e Te Vivo de Luan Santana são exemplos de dependência emocional. Esperar alguém por tempo indeterminado, jurando amor eterno, vivendo um luto sem fim e uma vida centrada na pessoa não é saudável, e um tanto incoerente consigo mesmo.

A música Até o final de Fernando e Sorocaba, por exemplo, mostra uma inversão de valores existente e muito frequente, baseada em mentiras justificadas com o objetivo exclusivo de conquistar alguém para si. Isso é muito comum, e as pessoas agem impulsivamente sem pensarem no fato de estarem criando uma pessoa que não existe em si mesmo. Engana-se a si próprio e ao outro. Se for pensar em paixão, faz sentido, mas, dificilmente, um amor acontecerá com bases sustentadas em mentiras.

Analisando a música Você me vira a cabeça de Alcione, a coisa fica medonha. Veja um trecho da letra:

Você não me quer
De verdade
No fundo eu sou
Sua vaidade
Eu vivo seguindo
Teus passos
Eu sempre estou presa
Em teus laços
É só você chamar
Que eu vou

Por que você
Não vai embora de vez?
Por que não
Me liberta dessa paixão?
Por quê?
Por que você
Não diz que não me quer mais?
Por que não
Deixa livre o meu coração?

Percebe-se aí o tamanho da responsabilidade que se deposita nos ombros de outra pessoa. Isso não é tão incomum assim. As pessoas se apaixonam, e fazem loucuras pelo outro, jurando amor eterno, e se esquecem de si próprias, esquecem que o amor é mais consistente, e pode não ser eterno, porque o “amor de nossas vidas” também muda, assim como nós também mudamos. A impulsividade causa sofrimentos porque não pensamos nas consequências de nossos atos. A responsabilidade que é só nossa, passa a ser do outro. E será que isso é realmente amor? E quem vira a cabeça de quem nessa história? Se ele não te quer, por que continuar insistindo? O responsável pela loucura é o próprio maluco. Ninguém é responsável pela vida de ninguém.

É difícil criticar um autor renomado como Antoine Saint Exupéry, mas é complicado dizer que “somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos“, principalmente, quando percebemos que nossos sofrimentos estão apenas em nossas cabeças, frutos de bloqueios sentimentais gerados em nossa primeira infância, e que, de alguma forma, encontramos uma solução por meio de “apoios” sutis, ou transferências em pessoas e/ou coisas que julgamos ser capazes de suprir nossas necessidades mais íntimas. Pura ilusão de quem ainda não está preparado para entender que a resposta é interna, e é preciso cavoucar para compreender que você só sofre porque permite que isso aconteça.  Claro que cada um tem sua parcela de culpa. Mas, nós devemos nos responsabilizar por nossas próprias frustrações, sempre.

É muito comum escutarmos alguém dizer que outra pessoa é “tudo” em sua vida. Isso me assusta, porque também escuto muito em músicas. E quando essa pessoa se for? E quando o “amor” acabar? Vai restar NADA?! É preciso ser inteiro para se envolver com outra alma também inteira e completa. Ninguém complementa ou completa ninguém. Apenas dividem experiências de vida complexas a fim de serem um pouco melhores. Será que Nando Reis pensou assim quando cantou Por onde andei, ou foi só pela poesia das palavras? Alguém ser tudo aquilo que falta em você é muita responsabilidade jogada para fora de si. Chego a pensar que ninguém quer assumir responsabilidades.

As pessoas costumam idealizar as pessoas que buscam para dividir suas vidas, ou para serem seu “grande amor”, e se esquecem de apenas definir o que realmente querem, sem muitas expectativas, já que elas costumam frustrar, se em excesso. Não existem pessoas perfeitas, existem seres humanos mais ou menos parecidos conosco e que poderão ou não “fazer um intercâmbio” em nossas vidas de forma temporária, porque a eternidade é muito tempo, e não podemos prever o dia de amanhã. Afinal, nada é definitivo. A história de Lily Braun de Chico Buarque (cantada por Maria Gadu) ilustra bem o que acabei de descrever.

A dependência causa sofrimentos porque a pessoa se abandona totalmente para viver pelo e para o outro: Amado (Vanessa da Mata).

A “loucura” está diretamente ligada à paixão, e não tem nada a ver com o amor. Ficar doente, perder a cabeça, é o mesmo que se matar pelo outro, ou cometer suicídio. Já escutou a música Amar não é pecado de Luan Santana? Essa é outra que não tem nada a ver com o amor. Nua de Ana Carolina ilustra bem a loucura de uma paixão.

Na verdade, o amor é o oposto de tudo isso que é dito nas músicas que estão nas paradas de sucesso. O amor é desapegado, é livre, é inteiro. Quem ama não fala o tempo todo que ama, mas vive esse sentimento de forma equilibrada e verdadeira. Não faz cobranças, não sofre, não vive uma nostalgia sem fim com o término. É também algo temporário e, a medida em que se amadurece, a dor vai ficando mais amena. O amor é um sentimento maduro e coerente. Ele tem atitude, muito mais do que belas palavras.

Mas, o ser humano ainda é muito frágil. E está no caminho da perfeição e do equilíbrio emocional. Por isso, ainda sofre, chora e vira um bebê que perde um brinquedo que adora, quando um “amor” se vai. Não entende que não existem perdas, que não existe fim, já que estamos afirmando aqui que ninguém entra na vida de ninguém por acaso. Tudo tem um motivo…e é esse motivo que levaremos conosco até o fim dos nossos dias. Isso, pode-se dizer que é eterno.

Esses são apenas alguns exemplos de muitas músicas que escutamos e que ilustram a decepção provocada por uma alta expectativa. É válido escolher bem o que escutamos.

Contatos:
(11) 97343-3177
SKYPE: michelly.antunes.ribeiro

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