A Conselheira Amorosa


conselheiraamorosaIncrível como certos acontecimentos nos fazem reviver nossa própria história. Ando sendo procurada por amigos, antigos e novos, como uma espécie de conselheira sentimental, ou até mesmo uma psicóloga que ainda não sou. Parece até que atraio pessoas (ou mulheres) com seus relacionamentos frustrados, como se eu jamais tivesse passado por nada disso e fosse a bem sucedida master dessa história.

O enredo é sempre o mesmo: traições, namorados que escondem outros relacionamentos, e por aí vai. Isso tudo me leva a refletir sobre a minha vida, regada de encontros e desencontros, muita dor, em meio a grandes alegrias também, no que diz respeito aos relacionamentos amorosos. E embora eu tenha falado com mulheres, tenho certeza de que esse assunto não diz respeito somente a elas. Há muitos homens que se tornaram galanteadores sem o ser, justamente por um passado regado por decepções. Se fecharam para um universo restrito, com o único objetivo de se protegerem.

Vivi romances desastrosos, mas também amores profundos. Deixei de acreditar em contos de fadas faz tempo, mas não desisti de amar. E, por escrever muito sobre isso, talvez este seja o motivo dessa procura sem fim, que até gosto, porque me faz aprender ainda mais sobre os próprios relacionamentos. Os exemplos de fracassos alheios me ensinam muito por onde não devo caminhar, e penso que as mulheres, de uma maneira geral, deveriam seguir esse conselho que, apesar de gratuito, funciona, por experiência própria. Já li inúmeros livros a respeito desse assunto também, por isso, acredito ter uma certa propriedade para falar, embora essa propriedade não me torne uma expert no assunto no quesito prática. O aprendizado é contínuo e cada pessoa é única, por mais redundante que pareça essa afirmação.

A verdade também é única: as pessoas (mulheres), depois de se entregarem de corpo e alma a alguém em quem deposita confiança, acabam vivendo exclusivamente para esse núcleo, deixando de lado a própria vida, mesmo que de forma inconsciente. Dessa forma, se esquecem de si mesmas, perdendo sua identidade. Quando o relacionamento acaba, vai embora junto todas as idealizações que construíram, visto que a realidade foi deixada definitivamente de lado. É claro que, enquanto a coisa funciona, tudo sempre está às mil e uma maravilhas.

De uma maneira geral, as pessoas não se apaixonam por pessoas, mas pelas idealizações que fazem das pessoas, influenciadas pela mídia, que estimula o tempo todo o romance desenfreado, inconsequente e aventureiro, muito longe do que é a realidade, porque é justamente o que dá audiência. As pessoas querem fugir dos dramas diários a fim de viverem dramas irreais, que vão de encontro aos seus próprios problemas. É uma fuga da verdade mesmo! O irreal, ou o drama alheio, soa mais fácil de suportar.

Mas, como se sabe, as estruturas do solo de cimento não aguentam as ilusões de uma energia invisível de uma mente infantil e, por isso, desmorona sobre as cabeças menos prevenidas. As histórias estão cheias de desilusões, porque as pessoas se acomodam em uma realidade só delas, ignorando inclusive o parceiro, que serve de mero coadjuvante e prestador de prazeres temporários. Com isso, quando a verdade aparece, fazem como sempre fizeram: fogem, afirmando com convicção de que não é real. O real é o que está em sua cabeça e prefere ficar lá dentro, presa em sua própria Caverna de Platão.

É a partir dessa situação que assistimos casais sustentando relações cheias de mentiras, por puro orgulho ou vaidade. Compram  a verdade com a mentira, porque é mais confortável, não somente para si próprios, como também para os olhares externos. Muitos vivem uma mentira para suprirem suas carências infantis, as quais não foram garantidas quando realmente eram crianças.

Segundo o psicanalista Flávio Gikovate, em seu livro “Uma história do amor…com final feliz“, as pessoas buscam relações para se confortarem do desamparo de quando eram crianças, ou para sanar a dor do parto, considerada como o maior trauma que já sofremos na vida. Ainda seguindo um pouco das ideias de Winnicott, nascer é doloroso da mesma forma que sair do conforto da cama e acordar cedo, renovar e fazer diferente (para muita gente).

A verdade dói. Por isso, vemos consultórios psicológicos sempre cheios. Precisamos muito de profissionais que possam nos abrir os olhos para as verdades que não queremos ver, nos mostrando uma nova possibilidade, a qual escondemos de nós próprios por meio da cegueira inconsciente. Precisamos de mais consciência para nossas vidas!

Mas, viver é isso. Ser inconsciente e consciente o tempo todo, sempre buscando saídas por meio do erro e acerto. O medo de errar é a nossa própria armadilha contra o sucesso de nossas relações, por isso, insistimos tanto em fugir. Presos em nosso comodismo, nos sentimos seguros, justamente como quando estávamos no útero materno, sem interferências do mundo humano. Por isso, a verdade nos machuca. Nosso desafio é sermos fortes.

Temos o direito de caminhar no nosso ritmo sempre, mas temos a responsabilidade pela nossa tendência traiçoeira da fuga.

Como no filme original, “How to fall in love“, de 2012, na versão brasileira, aqui falou: A Conselheira Amorosa, que continua tendo muito a aprender.

Contatos:
(11) 97343-3177
SKYPE: michelly.antunes.ribeiro

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