São Paulo sobre duas rodas


bicicletaAndar de bicicleta pode trazer profundos conhecimentos para uma mente tão viajante quanto a minha, além de, obviamente, queimar calorias. Estou em São Paulo há quase 3 anos e ainda não saboreei a delícia de pedalar na cidade mais movimentada do Brasil, com suas misturas e diversas faces culturais.

É engraçado como fazer algo que foge do habitual te provoca reflexões absurdas e observações cobertas de detalhes. Andando pelas ruas da capital paulista, que completa 460 anos no próximo dia 25, percebi o quanto a cidade, que encantou Caetano Veloso, é rica em devaneios deixados por personalidades históricas, os quais se refletem no que se tornou hoje.

A Avenida Paulista, por exemplo, se tornou ícone máximo dos paulistanos. É um dos pontos turísticos mais característicos da capital e, sua grandiosidade diferencia São Paulo das outras cidades do Brasil e do mundo. Em meados de 1782, era apenas uma grande floresta denominada Caaguaçu (“mato grande” em tupi) pelos índios.

Era ali, atravessando o sítio do Capão, que a estrada da Real Grandeza cortava a vegetação grossa com uma pequena trilha. Quando o engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima, juntamente com dois sócios, comprou a área, começou a trabalhar na sua urbanização de forma inovadora, criando grandes lotes residenciais. Em 8 de dezembro de 1891 foi inaugurada a primeira via a ser asfaltada e a primeira arborizada. A população da cidade não passava de 100 mil habitantes quando a Avenida Paulista ficou pronta.

Resolvi então, depois de 3 anos, experimentar a ciclofaixa e desfrutar da tranquilidade, só sentida aos domingos. O vento que bate no rosto não é o mesmo dos outros dias. Não ter pressa para chegar em algum lugar é o melhor a se fazer em um dia tranquilo na capital pela manhã. Há outras inúmeras opções, mas hoje foi dia de pedalar.

Como uma sedentária já há algum tempo e sem muita prática com a magrela, comecei minha primeira aventura do dia. Ao decidir por uma bike, peguei, obviamente, a menor, visto que minha altura não favorece “grandes” escolhas. Ao subir, percebi que não alcançava o chão. Pedi para o responsável que, cá entre nós, era um charme (e alto), trocar. Ao que ele me respondeu, “Está na altura mínima. Vai ter que ser essa.” Eu peguei a bicicleta e quis sair bem rápido dali na mesma hora. Dei meu jeito!

Então, sobre duas rodas, pude mergulhar em um universo paralelo, sem muitas preocupações com a velocidade ou o tempo, cujo limite era uma hora. Viajei…

Passei por pessoas de todos os gêneros, idades e estilos. Havia aquelas que estavam totalmente equipadas, como se fossem participar de alguma competição, outras totalmente zen, como se estivessem vislumbrando o mar do outro lado da avenida, e aquelas que atrapalhavam a circulação dos mais apressados na pista. Até buzina de ‘bicicleteiro’ eu ouvi. Não adianta, São Paulo contamina a todos inclusive aos finais de semana, feitos exclusivamente para relaxar. No retorno, até visualizei de longe um mendigo lendo um jornal. Quanta diversidade!

Para fugir um pouco do habitual, na entrega da bicicleta, presenciei um fato um tanto desconcertante. Um alemão, que falava muito bem o português, queria retirar sua magrela do lado errado e parecia um tanto nervoso. A moça que trabalhava no local, muito gentil, o orientou a trocar de fila, já que estava no lugar errado. Acho que ele se esqueceu de que não estava em sua terra e soltou um “Essa burocracia do Brasil! Por isso que não vai pra frente.” Eu juro que eu quis xingar aquele homem, sem graça! Quem ele pensa que é para falar mal do meu país? Mas, aí me lembrei do curso de meditação que fiz há algum tempo, respirei fundo e percebi que não valia à pena retrucar com quem saiu de um país com uma vasta lista de preconceitos em sua história, sem generalizar as raças arianas, puras ou não, ainda existentes naquele local. Hoje, muita coisa mudou, claro! Mas, por que mesmo ele está no Brasil? Me esqueci de perguntar. Aliás, por um momento cheguei à conclusão do motivo de eu não ter conseguido concluir meu curso de alemão. A língua é tão chata quanto….(melhor não concluir).

Mas, é um ponto que devemos considerar, porque a frase que ele soltou me lembra muito a frase que escuto de muitos brasileiros. Foi uma reprodução! Também já falei muito isso, mas com motivos justos. Não vejo problema em escutar uma, de certa forma, verdade. O problema é que foi uma reprodução estrangeira! Entende o que eu quero dizer?

Mas, ele não me incomodou tanto assim. Saí de lá, tomei um suco de laranja e fiquei feliz. Isso é São Paulo! Isso é Brasil.  Com muito orgulho!

Contatos:
(11) 97343-3177
SKYPE: michelly.antunes.ribeiro

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