Quando o dia escureceu e o Sol nasceu


mãosEle a encontrou por um acaso em um parque. Deitaram na grama e olharam para o céu, que estava se despedindo do dia. Como em um sincronismo, eles se olharam e ele disse, como que prevendo o que ela sentiria quando soubesse de toda a verdade:

– Eu conheci uma pessoa e acredito que ela seja o meu amor de muito tempo.

Ainda deitada, ela o abraçou forte, olhou nos olhos dele e disse:

– Fico muito feliz por isso. Você precisava encontrar alguém como você.

Ele: Mas, você não vai se lamentar ou questionar como tudo aconteceu?

Ela: Estou livre. Eu não te pertenço mais!

Ele: Não entendi. Não estamos juntos faz alguns meses e, pelo que eu sei, ninguém pertence a ninguém.

Ela: Sim, realmente, ninguém pertence a ninguém, mas nos corrompemos sempre acreditando em tudo o que nos leve a ser mais, em nossa mente usurpada pela fantasia. E é então que caímos do alto de um precipício. Enquanto você se libertou de mim, eu continuei presa a você ainda por algum tempo. E esse tempo foi o suficiente para que você encontrasse alguém. Não foi?

(silêncio)

Ela continuou: Eu estou livre e, por isso, não te pertenço mais. Uma coisa está diretamente ligada a outra, porque quando estamos envolvidos, nos deixamos envolver; logo, se possuímos, também nos deixamos possuir. Quando amamos alguém, nos entregamos, e por isso, se há troca, é porque também há entrega da outra parte.

Ele: Nossa!

Ela: No fundo, você ainda me pertence, embora eu não te pertença mais, porque você esperava uma reação, e eu te presenteei com outra. Você esperava o meu amor por você intacto e isso não aconteceu porque eu mudei. Seu egoísmo e orgulho te prepararam para a falsa “pena” que seu olhar me disse que sentiu, mas seu corpo contrariou a mentira.

(silêncio)

Ela se levantou e esperou que ele também se levantasse. Quando ele se colocou em frente a ela, finalizou:

– Como você me disse uma vez, quando não quis mais nada comigo, eu te devolvo agora: vai passar. Percebi que somos iguais, quando me vi apegada a você por muito pouco, e sem contato algum com sua alma. Orgulho! Egoísmo! Sem que percebamos, atraímos iguais, exatamente nosso espelho. Foi me autoconhecendo, que eu me desapeguei. Deixei você ir, mas você foi pensando em mim, porque você partiu acreditando que eu o amava.

Com os olhos cheios de lágrimas, ele ddespedidaisse:

– Não quero que passe. Gosto de ter você por perto.

Ela segurou nas mãos dele e disse:

Mas, você me terá, porque também adoro sua presença. Só precisa se acostumar com a ideia de eu não mais te pertencer.

Ela apertou as mãos trêmulas que ele a oferecia, e as soltou depois de deslizar as suas. Beijou sua testa. Virou-se e, sem olhar para trás, se foi.

Contatos:
(11) 97343-3177
SKYPE: michelly.antunes.ribeiro

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