Quem disse que para ter sucesso você precisa chegar primeiro?


pressaTalvez a ideia de o primeiro ser o melhor, e o que está em cima é que tem poder, venha da dominação norte americana, que fica, no mapa, justamente, em cima da América do Sul, exatamente onde está o Brasil. E, se formos observar mais a fundo, perceberemos que tudo (ou quase tudo) começa lá. Um exemplo dessa dominação é a língua inglesa, que já se tornou universal.

A moda e as tendências, por maiores que sejam as influências europeias, ficam marcadas mundialmente pelo glamour dos EUA. Basta perceber os nomes que se destacam: Walt Disney, Coca Cola, Mc Donald’s, Starbucks, The Fifties, entre outros, só para citar alguns.

É importante destacar que a tecnologia também é o forte da terra dos fast foods. E é lá onde grandes eventos são realizados para mostrar ao mundo o quanto eles estão adiantados ou, pelo menos, inteirados das novidades que, podem não ter sido criação deles.

Por exemplo, com cerca de 30 mil participantes e em sua 103ª edição, o NRF (National Retail Federation), ocorreu, este ano, em Nova York e Boston, entre os dias 10 e 18 de janeiro. Entre os assuntos discutidos, foram abordados o momento do varejo americano, bem como os diversos conceitos atuais no mercado tecnológico mundial. Para quem não pôde conferir as novidades discutidas in loco, o Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo), com o apoio de várias entidades, realizou o Pós NRF na APAS (Associação Paulista de Supermercados) em São Paulo, capital, trazendo as atualizações constatadas por alguns profissionais requisitados brasileiros.

Durante o evento, que ocorreu neste dia 22 de janeiro, o destaque ficou para as inovações tecnológicas e seus consumidores, o que me levou a concluir o quanto a “pressa” norte americana conquistou a Geração Y, mais ainda que os Baby Boomers, já avós dessa nova geração também chamada de Millenium, em um processo “sincrônico” de conectividade.

Foi em 2007, quando fui ao Intercom (congresso da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação), em Santos/SP, que escutei, pela primeira vez, o composto “convergência midiática“. Naquela época, era tudo muito novo ainda e, mesmo estando no século XXI por sete anos, para mim, que sou uma Millenium, era uma coisa muito distante.

Tenho uma sobrinha com apenas 2 anos de idade que, às vezes, confunde a tela da TV com a de um smartphone, querendo passar a mão para selecionar alguma opção, característica já existente em modelos como Smart TVs, por exemplo. Para ela, é natural ganhar tablets de brinquedo, e acredito que não vai demorar muito para que as escolas que frequentará no futuro adotem como material escolar o que hoje para ela é lúdico. Não será mais necessário estudar caligrafia, já que o universo tende a se digitalizar.

Uma situação muito familiar, na atualidade, são as compras. Hoje, uma jovem – que podemos denominar aqui de Ana – conversa com uma amiga por whatsapp sobre uma loja de cosméticos que descobriu por meio de um QR Code visto no metrô da linha amarela, na Estação Faria Lima. Justamente por ter gostado muito, passa o link da loja e combinam de irem juntas até lá. Conhecida por sua pontualidade, Ana chega antes da amiga e faz o Check in, que é compartilhado em seu Facebook. A amiga vê que Ana está em seu destino porque abriu o Face na mesma hora para postar um comentário a respeito do trânsito caótico de São Paulo, pelo smartphone.

Ao chegar na loja, a amiga se junta a Ana, que já se encontrava experimentando as diversas fragrâncias.geracaoy Por ter feito o check in pouco antes de entrar na loja, foi enviado um aplicativo do estabelecimento para Ana, junto com o desconto que teria nas compras que, porventura fosse fazer. Dessa forma, foram apresentadas várias opções e ela já selecionou as que chamava a sua atenção pelo design e personalidade, visto que haviam perguntas que, com sua agilidade, já havia respondido. Ao entrar na loja, a atendente já sabia seu nome e já estava com todas as opções previamente selecionadas por Ana.

Coincidência ou não, na semana anterior a amiga de Ana havia ido a uma loja de roupas com peças únicas à mostra, as quais possuíam o mesmo esquema do QR Code, que permitia que ela selecionasse as opções de tamanho e cores das roupas que gostaria de experimentar. Quando ia ao provador, as peças já estavam lá, e podiam ser descartadas e trocadas ali mesmo, sem que precisasse sair do lugar, apenas com alguns toques no celular. E o pagamento era feito pelo Paypal.

Gostou?

Pois é, essas são algumas das inúmeras tendências do mercado, as quais estão constantemente em transformação. O Brasil, infelizmente, ainda está aquém dessas novas aventuras e, obviamente, a pressão do varejo para que funcione cai sobre o governo, que não investe o quanto deveria em tecnologia. Essa convergência das mídias é comum em alguns países, e é uma tendência crescente correspondente à Geração Y.

O lado negativo dessa história é justamente o fato de as pessoas que estão próximas ficarem, cada vez mais distantes, justamente porque esses equipamentos modernos (ou contemporâneos) estão em evidência no quesito atenção. São poucas as pessoas que são capazes de se olharem nos olhos e existe uma quantidade ainda menor de pessoas que buscam mais a essência. A febre dos prazeres imediatos é resultado dessa “pressa” norte americana que dominou o mundo. O lado negativo é o insucesso no quesito relacionamento.

Embora os EUA tenham tido êxito com a pressa em algumas situações, pode-se ter sucesso sem pressa também, com o estudo minucioso de um objetivo, por exemplo, por meio de um planejamento, composto por metas. Isso demanda tempo, e não pressa. Há, portanto, que se avaliar cada caso e, inclusive, para isso, é preciso ter calma.

O lado positivo dispensa grandes explicações, já que proporciona praticidade, agilidade e comodidade, tanto nas aquisições de novos produtos, quanto na comunicação e entretenimento. Hoje, fala-se, inclusive, de casas inteligentes, compostas por aparelhos eletrodomésticos e eletrônicos conectados diretamente com a internet, podendo ser controlados à distância.

A reflexão sobre esse tema tão avançado fica para esses omnichannels, que somos todos nós, consumidores de todas as tecnologias que se conectam entre si, e que nos fazem contentar com a distância porque temos um aparelho que faz tudo por nós, inclusive nos traz a falsa ideia de proximidade. Então, reflita se você se tornou uma pessoa mais fria nos últimos 5 anos por conta desses “vícios” tecnológicos.

Procure olhar nos olhos de quem te cumprimenta na rua e, dos seus amigos mais íntimos, busque maior interação. Deixe para acessar as notificações do Facebook, Twitter, LinkedIn quando estiver sozinho e sem companhia.

Tente relaxar e não ser dominado pela “pressa norte americana” enquanto estiver sendo solicitado por alguém. Você pode ganhar muito mais se deixar a pressa e suas ansiedades implícitas de lado, sendo mais observador e sereno. Você também pode ter sucesso com calma, e não precisa, necessariamente, chegar primeiro sempre. As pessoas ainda necessitam de atenção, embora busquem sanar seus vazios de maneiras distintas. Pense nisso!

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