O Beijo Gay


beijogayNão assisti ao último capítulo da novela da Rede Globo (“Amor à Vida“) nesta sexta-feira (31/01), mas se eu pudesse resumir em uma palavra, seria: polêmico.

Já sabia que teria o tal beijo gay, mas essa não foi a primeira vez. Já tiveram outras novelas, e até filmes que mostraram beijos incomuns. Mas, e daí? O que eu não entendi foi o motivo de tanto “bafafá” nas redes sociais a respeito desse beijo. Afinal, a novela foi bem mais polêmica em outras cenas. Isso me leva a pensar no fato de que os seres humanos ainda têm muito a evoluir, porque as cenas de traição, morte, falsidade, falcatruas até foram esquecidas diante de uma demonstração de amor.

Aliás, o que as pessoas realmente sabem sobre o amor? Por que tudo tem sempre que estar dentro de padrões? Não consigo entender tamanho preconceito em pleno século XXI!

Abri o Facebook ontem e choveu de manifestações de indignação e, ao mesmo tempo, elogios para a mesma novela. Walcyr Carrasco (o autor), certamente, já previa esses “assédios”, mas já gostei de sua ousadia simplesmente por fugir do lugar comum.

O que mais me chamou a atenção foi um comentário de uma mãe, mais ou menos, assim: “na hora da cena inventei uma sede enorme e pedi para meu filho pegar um copo de água para não ver. Desnecessário!” A outra: “Tudo tem seu tempo. Aonde vamos parar com isso?!”

Eu achei que estivesse delirando com tanta hipocrisia. E, obviamente, demonstrei meu ponto de vista diante dessa incoerência. Como uma pessoa pode se dizer capaz de amar alguém, se não consegue respeitar as diferenças, e tão pouco, ensinar seus filhos pequenos que existem muitas formas de amar, e não somos os únicos nesse mundo? Onde está o universalismo?!

Depois, ainda apareceu outra dizendo assim: “vi muitas mães elogiando a cena, mas tenho certeza de que não aceitariam seus filhos nesta condição. Absurdo!”

Claro que nenhuma criança deveria estar em frente à TV para uma novela. Mas, vamos raciocinar uma coisa: que tipo de amor é esse que exclui? Que amor é esse que não aceita diferenças? Será que é amor aprisionar o outro, no intuito de tê-lo sempre por perto, fazendo tudo o que você julga correto?

Me desculpe, mas isso não é amor! O amor é muito mais que tudo isso. As pessoas se apegam e, por medo de ficarem sós, dizem que amam. O amor não é feito de obrigações, cobranças e imposições. O amor é tudo o que é oposto disso. Significa liberdade, coerência, cosmoética, discernimento, abertismo, serenidade e, como já disse antes, universalismo.

E como brasileiro é noveleiro, vou reproduzir abaixo um dos comentários que encontrei, dignos de serem compartilhados. Segue:

“1. Não é por causa de um beijo, é por direitos. Mais ainda: é por reconhecimento. Não deve haver amor ou desejo que não possa beijar, na intimidade ou à vista de todos, na telinha ou na alcova. Se todo mundo pode beijar, na vida ou na ficção, por que apenas aos gays da ficção televisiva, do nosso melodrama audiovisual preferido, não se reconhecia o direito ao beijo de amor?

2. É por causa de um beijo, sim. Se pode amar, por que não pode beijar? Na narrativa sentimental todo par amoroso se destina a um grande beijo, o definitivo, aquele que encerra os conflitos, as agonias, as peripécias, as buscas e, claro, as embromações. Se há pares amorosos gays, emoldurados numa ternura de timbres e olhares que dispensou até a convenção dos violinos, como poderia não haver beijos? No beijo de ontem, as narrativas sentimentais se reconciliaram com a verossimilhança. Aristóteles teria curtido.

3. Não era questão de um beijo, era uma questão de política e democracia. Foram tantas as pessoas que ontem murmuraram ou gritaram “já era hora!” e tão poucas as que sussurraram “pouca vergonha!” que até pareceu que uma das controvérsias morais e políticas mais resilientes tinha se resolvido em favor de um dos lados da comunidade política. Não é bem assim, mas o fato é que a ficção televisiva ontem foi a arena central de uma luta política entre o campo conservador e o campo liberal. A luta por representações justas, respeitosas, adequadas é uma luta por direito e por conhecimento, do ponto de vista liberal; e por valores, do ponto de vista conservador. Ontem não estava em causa apenas o desfecho de uma trama sentimental no melodrama das oito; ontem, meus amigos, o beijo entre dois homens nos três últimos minutos do folhetim da Globo (juntamente com a entrega amorosa derradeira de um pai homofóbico aos cuidados e ao amor de seu filho homossexual) foi política no sentido mais pleno do termo.”
(Wilson Gomes – Professor da Universidade Federal da Bahia)

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Aos homofóbicos de plantão: quando as pessoas entenderem que é preciso amar a todos de forma única, porque fazemos parte de um todo, sem distinção, e que estamos aqui com o objetivo de evoluir e caminhar em prol de um mundo melhor, onde aconteça sempre o melhor para todos, as coisas serão mais fáceis de serem absorvidas. Enquanto isso, que saibamos conviver com as incoerências de pensamentos, com a ignorância e com os inúmeros preconceitos.

Ainda, o que deveria ser natural, é tido como absurdo; e o que deveria ser exterminado de nossa comunidade, é mais fácil de ser digerido. E por quê?

Porque as pessoas se acomodaram ao comportamento de séculos, arcaico e rude. Mas, mal sabem que a paz nunca será atingida se houver discriminação, apontamento de diferenças, sendo que todos somos iguais intimamente: com as mesmas dores, alegrias e desejos. O que muda é apenas o contexto.  E viva o beijo gay!

Contatos:
(11) 97343-3177
SKYPE: michelly.antunes.ribeiro

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