Conversa franca


Maria conversafrancatinha 4 anos quando decidiu ter uma conversa franca com sua mãe.

– Mamãe, o que é o Natal?

– Filha, tem certeza de que quer mesmo conversar sobre isso?

– Sim.

– Então, acho melhor você sentar porque a conversa é longa.

(Maria se senta)

– O Natal é uma época que algumas crenças, ou religiões, utilizam para comemorar o nascimento de Jesus, um homem que viveu há muitos anos e que eles possuem como modelo, por causa de algumas atitudes dele tidas como exemplares.

– E por que existe o Papai Noel?

– Bem, o Papai Noel não existe, filha. Ele foi uma invenção do comércio para manipular os pais, através das crianças, com o objetivo de promover o consumismo.

– Verdade, mamãe. Me lembro dessa história.

– Mas, por que todo ano essas crenças fazem festa para comemorar o nascimento da mesma pessoa? Ela já não está um pouco velha não?

A mãe ri e responde:

– Verdade. Filha, vou te contar um segredo. As pessoas gostam de rituais. Tem ritual para tudo e elas acreditam em tudo também. O que nos cabe é respeitar o que as pessoas pensam, mas nem por isso, precisamos compartilhar das mesmas ideias delas. Não precisamos acreditar em tudo o que nos contam. Muito pelo contrário, você tem que duvidar de tudo, até das coisas que eu digo. E aí, tirar as suas próprias conclusões, sobre tudo o que quiser pesquisar ou ter experiências.

– Papai do cêu existe?

– O que você acha, filha?

– Não sei, mamãe. Quero saber.

– Olha, eu penso que esse homem chamado de Jesus existiu, mas foi um ser humano comum, assim como eu, você e todo mundo que se esforçar para dar o seu melhor sempre. Ele também tinha defeitos, como todo mundo tem. Mas, as pessoas gostam de deuses, de ter alguma referência perfeita só para se sentirem seguras. Mas, eu penso que você não precisa disso. Você tem tanto potencial como ele teve. É só você se esforçar. Aí, tem Deus. Penso que ele não passa de uma força humanizada. Mais uma fonte de criatividade.

– Que legal, mamãe. Queria que todos os meus coleguinhas pudessem saber disso. Acho que eles são enganados e isso não é legal.

– É, filha. A sociedade gosta de manipular mesmo para que as pessoas se tornem dependentes. Mas, agora que você sabe de tudo isso, espero que você saiba como utilizar essa ferramenta e faça a diferença. Depende só de você. Só temos que ter cuidado e respeitar o que cada um pensa.

– E aquela história do coelhinho da Páscoa?

– Olha, não é muito diferente da história do Natal. Os coelhos não botam ovos, minha filha.

– O comércio também criou?

– Exatamente!

– Mas, como é que pode as pessoas nos enganarem tanto assim, mamãe?!

– As pessoas só se enganam porque querem, minha filha. É muito fácil viver escondido em um conto de fadas, fora da realidade, acreditando em tudo e em todos, sem nunca questionar nada. Sem duvidar de ninguém, não da para descobrir verdades. Essas coisas de princesas e príncipes, de castelos, de histórias com finais felizes são resultado de um mundo irreal. Nem tudo termina como a gente gostaria,  e é bom que você saiba disso desde já.

– Eu sempre soube, mamãe. Gosto da verdade.

– Que bom, filha.

Depois de um tempo em silêncio, Maria se volta para a mãe…

– Mamãe…

– Oi?

– Eu posso duvidar de você também?

– Você deve duvidar de mim. Sempre!

– Mas, se eu duvidar de você, em quem eu vou acreditar?

– Olha, você não deve acreditar em ninguém. Como você pode acreditar naquilo que você não vê? Você só pode admitir tudo o que você sente e vê, ou sente e não vê. O que vale é o sentir. O que existe de verdade está dentro de você, na sua força, no seu potencial, nas suas energias.

– Hum.

– No que você está pensando?

– Em nada. Estou só refletindo, mamãe.

A mãe sorri e diz:

– Filha, vai lá brincar um pouco de bola. Depois conversamos mais.

– Acho que vou pensar no seu caso, mamãe. Temos muito para conversar, realmente.

A mãe sorri e decide deixar a filha um pouco só, com seu quebra-cabeças, que acaba de pegar para brincar.

quebracabeca

É importante nos atentarmos para o mundo que estamos criando, de acordo com o que estamos transmitindo para nossas crianças. Entender que não serão sempre crianças e que precisam de doses de realidade a fim de encarar situações adversas com mais naturalidade, sem abandonar brincadeiras que exercitem a criatividade e o raciocínio, é tão importante quanto qualquer outro tipo de conhecimento.

A manipulação está presente em tudo na sociedade, e isso é importante questionar sempre.

Ensine o respeito às diferenças, mas faça seus filhos fazerem pacto com a realidade. Em referência à matéria “Clube transforma meninas em princesas“, só digo que as ilusões alimentam sofrimentos futuros desnecessários.

Contatos:
(11) 97343-3177
SKYPE: michelly.antunes.ribeiro

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