Caos


Trânsito em São PauloNa última terça-feira, acordei tranquila e fui trabalhar de ônibus normalmente, como sempre faço. Uma semana antes havia escutado rumores de uma possível paralisação do transporte público, mas nada que chegasse a preocupar a população paulistana ao longo da semana.

Eis que, na volta do trabalho, sou pega de surpresa. Poucas mídias anunciaram a paralisação, que foi repentina. Eram 15h30 e eu estava parada no ponto de ônibus sem me atentar para nada, quando fui alertada por um transeunte de que estava tudo parado, e que a solução seria racharmos um táxi ou irmos a pé até o metrô, que ficava a uma distância razoavelmente longa de onde estávamos e operava normalmente.

Não quis acreditar na situação. Como não costumo andar com dinheiro, resolvi ir ao banco e, para variar, nenhum caixa estava fazendo saque. Como sou adepta da tecnologia, resolvi chamar um táxi que aceita cartão pelo celular, só que, para variar, este estava sem bateria. O jeito foi acenar para o primeiro táxi que passou e perguntar se aceitava cartão. Acertei de primeira e fui para casa em meio ao caos. O próprio taxista me incentivou a parar no metrô mais próximo ao invés de continuar seguindo até meu destino, porque o trânsito, já naquele horário, estava tenso.

Amanheci nesta quarta-feira, na esperança de que tudo estivesse melhor. Liguei a rádio que escuto toda manhã antes de sair de casa (CBN) e fiquei sabendo que estava tudo parado, e que apenas algumas linhas de ônibus estavam funcionando. De qualquer forma, resolvi arriscar. Fui até meu ponto e esperei por 50 minutos. Não passou pelo menos um que fosse até o meu destino, e eu tenho até três opções de linha. Conclusão: não fui ao trabalho e o jeito foi voltar para casa e fazer o que foi possível de lá mesmo.

Foi uma mistura de egocentrismo exaltado brigando por “direitos” que, de certa forma, acabaram afetando outros direitos: os dos usuários, em um desrespeito por parte de todos os envolvidos, seja da organização administrativa e sindical, seja dos profissionais afetados que se deixaram levar pelas emoções incontidas.

Segundo algumas informações dos noticiários em geral, houve acordo entre o sindicato e os motoristas, e foi decidido um aumento de 10%, mas como não houve cooperação para tal ação, decidiram parar tudo com radicalismo. Alguns posicionamentos apontam para uma questão de briga interna de oposições políticas, no entanto, ao final desta noite, os motoristas decidiram voltar ao trabalho à 0h desta quinta-feira, 22 de maio, sob intermédio de Haddad, prefeito da capital paulista. Porém, tudo indica que o metrô vai parar, dessa vez.

O “circo vai pegar fogo” quando, na abertura da Copa, 12 de junho, os taxistas pararem. Foi o que ouvi de dois deles, em algumas das viagens que fiz nos últimos dois meses. A classe está se mobilizando para não operar nesta data com o objetivo de reivindicar aumento. Segundo o taxista com o qual conversei a respeito, eles estão sem aumento há bastante tempo. Embora quem os pague sejam os passageiros, eles precisam da autorização de aumento por parte da prefeitura. Se eles conseguirem realmente executar este ato, os “gringos” terão que andar de ônibus. Isso se estes não resolverem parar também neste mesmo dia. Já imaginou?

Aí, fico pensando em uma questão: como um país que não valoriza seus profissionais e a população de uma maneira geral, por negligenciar a qualidade de vida, considerando o salário do trabalhador, bem como os investimentos em infraestrutura, transporte, saúde, segurança e educação, quer realizar a Copa do Mundo? Um país composto por políticos que desviam quantias infinitas de dinheiro para tirarem proveito, considerando que estão no poder por escolha da população, que foi manipulada ao longo de sua história sob a condição de se manter ignorante, merece mesmo a imagem que possui no exterior…ou estou errada?

Mas, não tem importância, a Copa do Mundo vai escancarar as mazelas do Brasil e talvez mobilizar ainda mais a população. Quem sabe isso não provoque mudanças. Só não podemos dormir novamente.

Contatos:
(11) 97343-3177
SKYPE: michelly.antunes.ribeiro

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Um comentário sobre “Caos

  1. Prezada Michelly
    Estamos em Junho de 2014, após a Copa teremos eleições, portanto considero que este ano já esta perdido, este texto não é meu, porem achei interessante, para nossas reflexões!!!

    O Brasil corre para tentar estar pronto a tempo para receber a Copa do Mundo, no próximo mês de junho. Com todos os atrasos, mortes causadas em acidentes na construção de estádios e custos que extrapolam os valores previstos, o jornal The New York Times também destaca com pessimismo que as prometidas melhorias no transporte público só ficarão prontas bem depois que os jogos já tiverem terminado.
    No entanto, a reportagem especial publicada no último sábado (12) pelo jornal americano vai além dos já tão conhecidos problemas da Copa do Mundo e aponta que as obras do evento estão longe de serem os únicos elefantes brancos que comprovam o “fiasco” brasileiro no gasto de dinheiro público em infraestrutura.
    Fotos desoladoras de construções inacabadas por todo o país ilustram a matéria, que cita como exemplo projetos milionários desenhados pelo arquiteto Oscar Niemeyer que, depois de prontos, estão agora abandonados em cidades como Natal e Brasília.
    Usinas de energia eólica e até mesmo um museu de ufologia, construído com verbas públicas na cidade mineira de Varginha, também aparecem como exemplo deste fenômeno peculiar, que faz emergir as ruínas antes mesmo que o momento áureo possa acontecer.
    “Os projetos para a Copa do Mundo são apenas uma parte de um problema nacional bem maior, que está lançando uma cortina de fumaça nas grandes ambições do país: uma série de projetos luxuosos concebidos quando a economia estava em crescimento, encontram-se agora abandonados, estagnados ou descontroladamente acima do orçamento”, diz o jornal.
    “Os empreendimentos pretendiam ajudar a impulsionar a ascensão aparentemente inexorável do Brasil. Mas agora que o país passa por uma ressaca pós-boom, eles estão expondo os líderes da nação à crítica fulminante, alimentando questionamentos sobre gastos desnecessários e incompetência, enquanto os serviços básicos para a população permanecem terríveis”, afirma outro trecho.
    Transnordestina – O maior destaque da reportagem – retratado inclusive através de um vídeo complementar – é o faraônico projeto da Transnordestina, ferrovia que começou a ser criada em 2006 com o objetivo de escoar a produção de soja do interior nordestino para os portos do país.
    O NYT aponta que o projeto, que inicialmente custaria US$ 1,8 bilhão e deveria ter sido entregue em 2010, tem agora orçamento estimado em pelo menos US$ 3,2 bilhões, sendo a maior parte do valor financiado por bancos públicos. Ao visitar uma comunidade situada em Paulistana, no Piauí, a reportagem constata que as pontes inacabadas, ligadas por precárias estradas de terra, afetaram negativamente no modo de vida da população local. Famílias foram retiradas de suas casas, e estas demolidas, e o aterramento necessário para as obras iniciais deixou o solo seco, acabando com o antigo local fértil de onde os moradores retiravam alimentos.
    A conclusão do jornal é que houve “baixa compensação, comparada com as perdas sofridas por essa comunidade, fruto de uma obra que não trouxe retornos”.

    “Há duas coisas infinitas; o Universo e a tolice dos homens” Albert Einstein

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