A Culpa é das Estrelas


culpadasestrelasHoje é um excelente dia para falar de amor, justo para quem se acostumou a passar o Dia dos Namorados solteira. É curioso porque é uma data comercial, e eu ainda não sei por que ainda me deixo envolver por ela. Em todo caso, acho válido registrar que é uma data atípica neste ano porque marcou a abertura da Copa do Mundo no Brasil, e, até tentaram antecipar a data para o dia 11, mas não adiantou. Mesmo separados, ou nem tanto, os namorados comemoraram juntos, seja pelo Facebook, entre um post romântico e outro com as cores do Brasil, gritando Gol e comentando peripécias de jogadores, ou torcendo juntos. Pra ironizar um pouco, essa é pra quem viu o jogo de estreia (Brasil x Croácia) de hoje: a resposta para o triste gol do Marcelo está no título deste texto…

Brincadeiras a parte, mas acho ainda mais válido comentar o que ficou na minha cabeça de ontem para hoje, e que não tem nada de específico a ver com a Copa ou a data, mas com o filme, denominado de “modinha” por alguns poucos críticos: “A culpa é das estrelas”.

Confesso que não li o livro que deu origem ao trabalho cinematográfico, mas, como registrei na rede social Facebook, ontem, eu resumo em uma palavra: chorei.

Me emocionei do início ao fim porque a história foi inspirada em uma garota real, embora seja fictícia. A doença que Hazel (a personagem principal) possui é verdadeira. Os atores souberam passar uma mensagem profunda e tocante de um romance que não é bonito de ver, mas foi muito fácil de sentir, não somente pela trilha sonora que o compôs, mas principalmente, pelo enredo repleto de detalhes, os quais muitos leitores da obra comentaram ter sido fiéis ao que foi escrito.

Foi emocionante porque não teve maquiagem, literalmente, embora a beleza dos atores principais tenha escondido um pouco do que acontece. O amor nasceu entre dois indivíduos que se enxergaram um no outro. Deixaram-se envolver por suas fragilidades, assistindo um ao outro, dentro de uma troca que mesclava assistencialidade, com algumas doses de defesa. Atitudes inconscientes para desfocar da própria dor.

A morte foi o ponto forte, mas surpreendente do filme (ou obra), e ilustrou um pouco da dor que muitos sentem com um simples término de relacionamento e sofrem com ele, como se vivessem um luto sem fim. É uma dor que se assemelha a da morte de um ente querido, um amor, alguém especial. Somos dominados por uma sensação profunda de obscuridade, como se entrássemos em um buraco vazio, sem ar, sem acolhimento. Como se ficássemos sozinhos para sempre, sem amparo.

A pessoa fica sem chão, engole um nó inexistente na garganta, sente um vazio no estômago e se esvai. Essa é a dor da perda que o filme reproduziu e provocou em todos que ali assistiram (eu e todos os demais presentes, e uma multidão de outras pessoas que assistiram em outros locais). Não foi o cinematográfico, mas o psicológico que a obra cinematográfica atingiu.

Atingiu o egoísmo humano presente nas pessoas, que não conseguem se desapegar de suas dores (ou amores). O amor é o espelho de si e, por isso, perdê-lo corresponde a perder-se a si próprio. A pessoa enlouquece se não se percebe como ser único e independente. A pessoa se perde se não entende que para ser feliz não precisa do outro, mas apenas de estar em paz consigo.

A comparação da perda de alguém pela morte, e a perda de alguém pelo término de um relacionamento é pertinente porque todos temem a despedida, que lembra da  morte, ou da maior dor que o ser humano já sentiu na vida: o nascimento (sair do conforto do útero materno para a vida real, cheia de desafios e perigos, totalmente inseguro, sem o calor da proteção materna).

E a morte? A morte é o maior desejo do ser humano! Ele teme, mas vai ao encontro dela diariamente e o tempo todo, de N formas diferentes através, inclusive, de suicídios inconscientes. Busca explicações para algo que deseja, conscientemente, fugir, mas está impregnado em sua necessidade. É complexo, mas faz sentido se considerarmos que ocupa a mente o tempo inteiro com medos fantasiosos. E o sofrimento faz parte disso. A mente humana é traiçoeira.

E a culpa é sempre de quem está fora. Nunca assumimos responsabilidades pelas dores que sentimos. E que engraçado, ilustra até o título da obra.

Mas, o que me chamou a atenção foi a frase: Não dá para escolher se você vai ou não se ferir nesse mundo, mas é possível escolher quem vai feri-lo...”

Se formos usar a racionalidade, é possível, inclusive, evitarmos o sofrimento, considerando ser ele uma opção. E a opção consiste em você se conhecer o suficiente para fazer escolhas cada vez mais acertadas. Você só vai sofrer se estiver sendo incoerente consigo mesmo. É um desafio constante, mas possível. Sofremos porque deixamos as emoções aflorarem, exaltando nossos egoísmos e traços negativos, ao invés de privilegiarmos o que temos de grandioso, nossas qualidades, e agirmos de acordo com elas. E eu não me excluo dessa lista.

O que é complicado é que a acomodação nos faz levar tudo para o inconsciente, e lá é onde esquecemos todos os nossos infortúnios. Daí, no final de tudo dizemos que a “culpa é das estrelas”.

Talvez tenha sido esse o recado final do filme. Choramos muito do início ao fim, mas, no final, (que final?) o ponto de interrogação lançado já havia sido respondido, afirmando que você faz suas escolhas o tempo inteiro, separando as pessoas que vão entrar em sua vida das que não entrarão, e você pode viver tudo com qualidade. E, para ser intenso e valer à pena, faz-se necessário o desapego, deixar ir, sem criar expectativas. Seja inteiro no presente….sempre. Você é aquilo que pensa que é, e os outros são também aquilo que você acredita que eles sejam.

Aceitar o que se apresenta e como se apresenta para você, talvez seja uma resposta possível. Existe uma frase de uma música do Teatro Mágico, chamada “Certa Solução”, que diz: “Aproximar da própria natureza talvez seja nossa solução…”. Eu tenho certeza que é.

“...estou apaixonado por você e não quero me negar o simples prazer de compartilhar algo verdadeiro. Estou apaixonado por você e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você.” – Augustus

…agora que eu amava uma granada foi que entendi a bobagem que é tentar salvar os outros da minha própria explosão iminente…” – Hazel
(Trechos de “A culpa é das estrelas“)

Contatos:
(11) 97343-3177
SKYPE: michelly.antunes.ribeiro

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