A Morte em Vida


O que pouco se fala, além do tema luto em si, é sobre as perdas pelas quais todos nós estamos sujeitos durante a vida; como o desemprego; as separações (divórcio). E por que as perdas são tão difíceis? Por que ninguém gosta de sofrer ou sentir dor. É cômodo, por exemplo, nos mantermos estagnados porque aquela estagnação determinada não me colocará diante das incertezas que vou encontrar se eu permitir dar abertura para as mudanças, que também englobam rupturas com tudo aquilo que é velho. É cômodo permanecer em ambientes conhecidos. É cômodo não lidarmos com o novo porque ele dá medo.

E tudo isso permeia nossas experiências de nascimento e infância. Tendemos a acreditar que passaremos pelos mesmos traumas, as mesmas dores, receberemos as mesmas rejeições, e por aí vai. Enxergamos de maneira disfuncional pelos bloqueios de pensamentos que criamos e isso nos trava diante da vida, não nos permitindo evoluir.

Pode também ser um segredo que insistimos em manter, que nos prende e não nos permite ser quem somos de verdade. Vivemos uma vida inteira de mentira por não sabermos lidar com a verdade. A questão é que a frase clichê “a verdade liberta” é real, e é a verdade que nos permite ser mais leves e autênticos. E a sensação que a mentira traz é muito próxima da melancolia, justamente por estar muito ligada à perda de si mesmo, da própria identidade. Você vive de aparência, com medo de ser descoberto. É um paradoxo, porque vive sem viver realmente, porque, na realidade, está preso em uma ilusão! Liberte-se!

A perda pode ser de alguém que amamos, e que ainda está vivo, simplesmente porque mudou de cidade e precisamos matar aquela antiga relação para transformá-la em algo novo, que não temos como prever como será. Como são duras as incertezas!

E quando alguém que amamos muito decide ir embora porque não suporta mais a nossa companhia? O que é pior? Alguém que se vai porque precisa, mas quer ficar, ou alguém que se vai porque quer ir?

Será que é pior alguém que se vai e sabemos, com toda certeza, de que jamais voltará por não pertencer mais a este planeta?

O que é pior?

Será que o pior é esquecer quem somos quando nossa memória nos abandona? Ou perder a juventude porque estamos no fim da vida?

O que é pior?

Perder o salário alto que tínhamos por algo inferior? Ou ficarmos sem salário por conta da crise que inunda várias famílias?

Não existe o pior porque cada dor é única e carrega o peso de uma existência!

O ponto comum das dores são as incertezas, que geram dúvidas e causam medos.

A lição da VIDA é a sua finitude; compreender que existe uma linha tênue que liga à morte: a imprevisibilidade. Posso atravessar a rua e ser atropelada pelo outro que está bêbado, por mais que eu não coloque álcool na boca.

Isso nos leva a refletir acerca dos momentos tão concretos e passageiros, únicos! O minuto que passou jamais será igual ao seguinte, e precisamos aceitar nossa condição de meros mortais. Sim! Morremos todos os dias, a cada segundo e milésimo de segundo; seja porque estamos a cada momento mais próximos da morte, ou porque a cada momento estamos diante de um novo recomeço: término de uma tarefa para começar outra; término de uma conversa rumo a um novo encontro; uma despedida para irmos em direção a um desconhecido universo surpreendente, seja de pessoas ou de um lugar.

Não importa! Sempre depois de uma subida, há uma descida. Depois de um dia cansativo, há uma cama nos esperando.

Depois de uma discussão, há possibilidades infinitas que inclui a reconciliação. A vida é feita de fins e começos, recomeços. Alegrias e tristezas. E, principalmente, INCERTEZAS. É com elas que devemos aprender a lidar para sermos livres, felizes e verdadeiros, para que, quando nos depararmos com a morte (a única certeza), não nos arrependamos do que passou. Que possamos morrer felizes e satisfeitos por tudo o que construímos, vivemos e deixamos para a posteridade.

Portanto, a VIDA é AGORA. O que você fez com o seu ONTEM, e o que te distrai para o FUTURO não te pertence. A depressão é resultado da falta de perdão, das mágoas e ressentimentos mantidos por muito tempo. Aliás, nos faz perder muito tempo com algo que não existe mais, ou que só existe em nossa memória. Por mais que as pessoas sejam diferentes, essa reflexão é necessária.

Não me permito ter a companhia da morte em vida, se ainda tenho a VIDA respirando no meu corpo que me lembra constantemente da minha existência. Não admito a morte em vida, se eu sou um sujeito de imensas possibilidades, inclusive a de transformar a minha própria dor.

Não admito a morte em vida, se ainda tenho muito a aprender com a VIDA, com o outro; e quando há muitos que precisam me ouvir para terem um pouco mais de conforto e esclarecimentos; e quando ainda posso ser exemplo de algum talento, porque tenho muitos…só preciso descobrir…

Viva a VIDA enquanto houver VIDA!!!

Assista o vídeo clicando na imagem abaixo e aproveite para se inscrever no canal do Youtube @michellyribeiro:

morte-vida

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