Como lidar com crianças desafiadoras

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Como lidar com crianças desafiadoras? Se você chegou nesse texto, é exatamente essa pergunta que está se fazendo. Como a resposta não é simples dada a complexidade dessas crianças, pegue um café, senta aqui e leia este valioso texto que muito irá te ajudar na relação com seu filho (a), aluno (a) ou outra criança com a qual tenha contato e que apresente algumas características do Transtorno Opositivo Desafiador, mais conhecido por TOD.

Crianças desafiadoras

Seu filho (a), aluno (a) ou criança com a qual tem contato apresenta um perfil desafiador? Você não aguenta mais não saber como lidar com crianças desafiadoras porque elas te tiram do sério, não obedecem e, de quebra, ainda te enfrentam? Para ajudar, você começa a ceder aos caprichos dessas crianças que, facilmente, te manipulam para conseguir o que querem porque elas sabem como te incomodar até você dizer “não aguento mais! Faça!” e então elas mantêm esse comportamento agressivo justamente porque se acostumaram a ter o que querem quando agem assim?

São crianças que “infernizam” enquanto não fazemos o que elas querem. Elas pedem, desafiam, desautorizam os adultos. Além disso, enfrentam e fazem o oposto do que foi dito para fazerem, de acordo com o que elas querem. Outro fator importante é que essas crianças se desresponsabilizam muito pelo que fazem. Ou seja, quando fazem algo de errado, a tendência é culpar outra coisa ou alguém que não seja elas mesmas.

Pois então, você está diante de crianças desafiadoras. Vamos conhecer um pouco mais sobre elas e começar a entender como lidar com crianças desafiadoras?

Transtorno Opositivo Desafiador (TOD)

É importante saber o que é o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) para que você saiba como lidar com crianças desafiadoras. Esse transtorno, de acordo com o DSM-V é caracterizado por perda da calma, discussão com adultos, desacato ou recusa a obedecer solicitações ou regras dos adultos, responsabilização dos outros por seus erros ou mau comportamento; mostra-se suscetível ou se irrita com facilidade; enraivecido e ressentido; rancoroso ou vingativo. Dentro dessas características, o diagnóstico pode ser dado se a criança apresentar 4 ou mais dessas características. No caso de crianças com idade abaixo de 5 anos, o comportamento deve ocorrer na maioria dos dias durante um período mínimo de seis meses.

Esse transtorno é mais comum em meninos do que em meninas, sendo que nos meninos é facilmente detectado pela expressividade. No entanto, é válido se atentar às meninas que podem manifestar os sinais do transtorno de maneira sutil. Além disso, há gradações desse transtorno, que pode ser leve, moderado ou grave.

Diagnóstico diferencial

O TOD está dentro dos critérios dos transtornos disruptivos. Dessa forma, torna-se relevante e de extrema importância realizar o diagnóstico diferencial entre os transtornos disruptivos e outros transtornos usualmente encontrados em crianças e adolescentes, como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e os transtornos de humor. Tanto em um quanto em outro pode ocorrer um padrão comportamental de negatividade, hiper-reatividade, desobediência e violação de normas sociais.

Caminha e Caminha (2007) afirmam que, na nosografia psiquiátrica, possivelmente os transtornos disruptivos sejam aqueles que mais dependem do contexto sociocultural para a realização do diagnóstico. Os autores relatam que pode ser caso psiquiátrico pelo fato de outros estudos apontarem para o fato de não causar sofrimento ou prejuízo para a criança, mas sim para seu entorno.

É válido lembrar que esse diagnóstico só poderá ser dado por um psicólogo ou um médico.

Tratamento psicológico

O tratamento psicológico para o TOD vai depender muito da comorbidade, ou dos transtornos associados. No entanto, independente do diagnóstico, o melhor tratamento para lidar com crianças desafiadoras é o Treinamento de habilidades sociais, de forma a trabalhar com a regulação emocional da criança e do adolescente, além de focar em atividades que envolvam regras, porque o que ocorre como agravante para esse comportamento é a ausência de regras em casa ou rotina, por exemplo.

Segundo Caballo (1996), o treinamento de habilidades sociais (THS) concentra-se na aprendizagem de um novo repertório de respostas, composto principalmente a partir da modelação, do ensaio comportamental e do reforçamento. O terapeuta trabalha com o paciente de modo a ensiná-lo a ser assertivo, usando técnicas que vão desde olhar, expressão facial, tom de voz, postura do corpo, até o tipo de conteúdo na comunicação de ideias. De acordo com Silva et.al. (2013), as situações cotidianas exigem o conhecimento das próprias emoções e maneiras adequadas de expressá-las. Dessa forma, aprender a identificar e a lidar com as emoções é bastante importante para o desenvolvimento das crianças.

Então, como lidar com crianças desafiadoras?

Ter sintomas de desobediência, em algum nível, é normal dada a idade e maturidade da criança. No entanto, para ser considerado

Sad boy in the back of the car illustration

como um transtorno, é preciso que haja prejuízos na aprendizagem, família e com amigos. Além disso, é importante saber que essas crianças não são felizes, pois possuem baixa tolerância a frustração, humor deprimido, baixa autoestima, dificuldade nos relacionamentos justamente pela dificuldade que possuem de lidar com suas emoções. Sabendo disso, amplia-se então a relevância de saber como lidar com crianças desafiadoras.

Consequências de não cuidar dessas crianças

As chances de crianças com o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) se envolverem com drogas são maiores do que com as crianças que não possuem esse transtorno. Por isso, mais uma vez, reforço a necessidade de aprender como lidar com crianças desafiadoras e oferecer o tratamento adequado a elas.

7 dicas de como lidar com crianças desafiadoras

1- Valorizar os comportamentos positivos dessa criança ao invés de focar somente nos negativos, incentivando (ou reforçando) os comportamentos bons. Lembrar: o foco deve estar sempre nos comportamentos positivos e não nos negativos.
2- Buscar conhecer técnicas de autorregulação das emoções e desenvolvimento da empatia para aplicar nessas crianças.
3- Estimular pais e professores a terem o controle sobre as situações: valorizando os comportamentos bons e eliminando os comportamentos desafiadores (não dar função a esses comportamentos).
4- Anotar quais os momentos em que a criança mais faz oposição e escolha suas “batalhas”. Ou seja, existem oposições que são naturais para a criança. Não adianta adultos quererem brigar o tempo todo com a criança querendo que exatamente tudo seja do jeito do adulto. Exemplo: quando a criança quer sair com uma roupa que a mãe não quer. Neste caso, abra mão.
5- Escolha batalhas que vão acrescentar para a vida da criança (o que realmente é importante), como no caso de impor a sobremesa após o almoço e não antes. Neste caso, é preciso aprender a negociar com a criança (ou fazer combinados).
6- Seja firme nos momentos em que a criança fizer oposição. Caso contrário, a criança aprenderá que a oposição tem resultados positivos para ela. Ser firme implica em não ceder, mesmo que a criança chore muito e te incomode.
7- Brinque, pelo menos, de 15 a 30 minutos por dia com seu filho (a) ou estimule os pais dessa criança a fazerem isso.

Super dica: Aplicativo Monsta Points

O aplicativo Monsta Points pode ajudar a criança ou o adolescente a trabalhar com regras. É possível fazer uma lista de desafios e deveres, além de coisas difíceis para aquela criança, e ela pontua com um monstro (que vai crescendo e ganhando coisas conforme vai tendo comportamentos adequados).

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Então, você consegue descrever comportamentos que você tem necessidade que a criança realize e ela vai ganhando pontos. Isso gera motivação na criança.

Bibliografia recomendada:

CABALLO, V.O. Treinamento em habilidades sociais. In: CABALLO V. Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento. São Paulo: Santos, 1996. cap 18, p. 361-398.

CAMINHA, Renato Maiato; CAMINHA, Marina Gusmão. A prática cognitiva na infância. 1 ed. São Paulo/SP: Roca, 2007. 296 p.

SILVA, Ana Paula Casagrande; PRETTE, Almir Del; PRETTE, Zilda Aparecida Pereira Del. Brincando e aprendendo habilidades sociais. 1 ed. Jundiaí/SP: Paco Editorial, 2013. 120 p.

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