Medo da realidade e o conforto na fantasia

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Presas em ilusões, as pessoas se acomodam em suas fantasias, acreditando que tudo é exatamente como o cenário mental que constroem. Existe uma preferência inconsciente pelo que não existe, porque ali é mais confortável. Assim, acontece o medo da realidade e o conforto na fantasia.

Ao invés de encarar situações, as pessoas estão fugindo de um sofrimento que nem sabem se realmente terão. As defesas são enormes diante de infinitas possibilidades. Os riscos deixam de ser assumidos porque existe o temor incoerente do que ainda está por vir.

A questão é que as pessoas deixaram de viver. Tudo isso acontece porque ficar no conforto do cobertor em um dia de frio é muito melhor do que encarar as tempestades em baixa temperatura.

Transparência

A transparência deixou de ser uma qualidade humana. São muitas as máscaras usadas, e a naturalidade parece estar extinta. É fácil se esquecer de que na sua infância você agia naturalmente, não existiam pressões capazes de te estagnar. Você se movia como o vento, era uma brisa doce em uma noite de verão. Tudo era tão simples e intenso. Hoje, as coisas parecem mais grosseiras e complexas.

Podem até ser complexas, e com toda razão, considerando que a maturidade também nos traz responsabilidades que precisam ser assumidas, mas a simplicidade das coisas não deixou de existir. A sutileza das memórias nos faz perceber o quanto somos propensos a complicar situações. A explicação talvez se encontre em nosso inconsciente.

Quando nascemos, não chegamos à Terra com manual de instruções. O objetivo é cair, levantar, aprender e aprender de novo e sempre. Estamos em uma escola, cuja repetência se dá com o acúmulo de erros que insistimos em cometer, mesmo já cientes de que não valem mais à pena.

Amor

As pessoas pensam amar, mas cobram retorno. O amor verdadeiro é o incondicional, que não exige nada em troca, que não faz cobranças, que não ofende e não se corrompe. O mal do amor é o ser humano, que tem guardado em seus pensamentos todas as suas aflições e repressões não resolvidas, e então, quando coloca para fora, o alvo é sempre quem está mais próximo emocionalmente. O ser humano acha mais fácil passar adiante suas próprias responsabilidades ao invés de assumi-las. Dessa forma, não percebe o quanto pode machucar quem não merece.

Outro problema humano é o excesso de pensamentos. Pensa demais sobre algo que não existe. Cria histórias e situações, se torna ansioso, e depois se frustra, porque é aí onde se encontra o cerne das expectativas. Mais uma vez, prefere supor a encarar a situação, ou tirar a prova, esclarecendo suas dúvidas. O autoflagelo emocional acontece o tempo todo. Nem tudo é como queremos, da mesma forma que nem tudo é como supomos.

Recomeçar

Cada um tem seu próprio tempo para recomeçar e deixar o fruto interno amadurecer para reconstruir o cenário das emoções, de forma a dar consistência e estabilidade às suas atitudes. Não seremos perfeitos, mas com a reciclagem constante de nossos traços pessoais, com certeza chegaremos muito próximos de nossa felicidade, já que ela começa dentro de nós e depende também somente de nós.

Bloqueios e o Medo

Com o passar do tempo, vamos percebendo, com nossas experiências, que os erros podem nos levar a bloqueios, e os acertos nos motivam a seguir. O medo pode ou não tomar conta de nós, desde que ele seja permitido.

Acontece que nem sempre percebemos que estamos sendo movidos pelo medo e, sem querer, ele nos impede de caminhar por estradas magníficas, as quais podem ser direcionadas à vida profissional, e até ao amor de nossas vidas.

A questão é que, pelo medo, nos deixamos levar pelo “amanhã eu faço”, pelo comodismo literal, pela promessa de “um dia”, pelo aconchego da mesmice e pela monotonia da solidão. Achamos que, por termos sofrido uma vez, sofreremos de novo, e aí deixamos o medo falar porque este se torna uma defesa praticamente inconsciente.

Arriscar também faz parte

Nos acostumamos com o que é prático, e nos esquecemos que arriscar também faz parte do caminho para o sucesso, mesmo sendo ele tão incerto em alguns momentos.

O medo é a trava da insegurança nos impedindo de fazer diferente do que estamos habituados. Jamais alcançaremos nossos sonhos se estivermos imersos em nossas ilusões tão insensatas e sufocantes.

Solução

Talvez a solução para o desbloqueio mental (ou psicológico) desses medos tão invisíveis para nós mesmos, esteja na conversa com amigos íntimos, que são capazes de nos “abrir os olhos”, ou na leitura desse simples texto. Talvez essa solução tangível possa te fazer sentir capaz de ter aquela tão desejada conversa com seu chefe, a qual sua mente julga extremamente difícil de colocar em prática.

Um dos passos é se desafiar. Se coloque na corda bamba, se atire ao fogo (lembrando que é apenas uma metáfora – não vá seguir à risca essas instruções). É justamente com o desafio de fazer diferente que mudamos nossa direção. É justamente desafiando nossos medos, que nos posicionamos melhor diante da própria vida. É preciso começar…

A negação pode nos manter paralisados

Pesquisando sobre o assunto, encontrei uma afirmação de que “a negação pode nos manter paralisados para sempre”. É interessante porque, exatamente como o psicanalista Carl Jung um dia afirmou, “aquilo a que você resiste, persiste”. E isso pode ter inúmeros significados e, um deles, é justamente a questão de você resistir a algo que você tanto deseja. A atitude te faz permanecer na mesma posição de desejo, porque já que você resiste, não se concretiza.

Até você perceber que está sendo movido (ou paralisado) pelo medo, leva tempo. Mas, quando você entende sua situação, que é inconsciente, é preciso se posicionar em relação a isso e fazer ESCOLHAS: mudar ou permanecer?

Escolha

Caso escolha permanecer, espero que seja consciente e não pelo simples comodismo. Mas, caso opte por mudar, é preciso que saiba por onde começar. Então, sugiro que descubra a origem de seu medo, ou o que te leva a senti-lo. Para isso, creio que precisará de ajuda, e não hesite em procurar um terapeuta.

Medos são as vozes críticas que ficam te dizendo que você não consegue, você não é tão bom quanto aquela outra pessoa, ou você não é tão bonita como gostaria. Isso tudo é a sua conversa interna negativa te influenciando, e você está acreditado nela.

O medo abrange todas as intensidades, desde uma insegurança leve até o terror total.

Dentro do grupo do medo estão: a insegurança , preocupação, ansiedade, fobias, ataques de pânico e TSTP (transtorno do estresse pós traumático). Tudo isso tem uma coisa em comum: sua mente dizendo que algo de muito ruim está para acontecer, e você não tem como enfrentar isso.

Quando o medo é necessário

O medo é necessário em situações de perigo, porque ele ativa nossos sistema nervoso liberando a adrenalina, aquela substância que nos faz “fugir” literalmente. Mas, o medo em excesso é patológico, uma ilusão. Fugir sempre de qualquer situação desafiadora, ou que nos faz pensar em consequências futuras, ao invés de lidarmos com as etapas, não é algo saudável e nos proporciona um desequilíbrio emocional muito alto, nos impedindo de ver coisas importantes e boas. Funciona como uma fuga psicológica, que é quando você deseja o que te levou a fugir, e teme as possibilidades negativas.

Arriscar faz parte da vida. Arriscar é fazer escolhas, que nem sempre serão certas, mas o importante é que sejamos inteiros naquilo que nos predispomos a realizar.

Ouse, ouse… ouse tudo!!! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.

Se você quer uma vida, aprenda… a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida” (Lou Salomé)

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